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Sunbird: o futuro dos foguetões escreve-se com energia nuclear

Pulsar

Terão 30 metros, um “design alienígena” e querem reduzir para metade o tempo de ir da Terra a Marte, com estações de carregamento pelo meio. Já estão a ser concebidos, mas têm obstáculos por enfrentar.

“É muito pouco natural fazer fusão nuclear na Terra”, diz Richard Dinan, fundador e CEO da Pulsar à CNN. “A fusão não quer funcionar numa atmosfera. O espaço é um lugar muito mais lógico e sensato para fazer a fusão, porque é onde ela quer acontecer de qualquer maneira”.

A empresa britânica apresentou recentemente o Sunbird, um bizarro foguetão concebido para encontrar naves espaciais em órbita, ligar-se a elas e transportá-las para o seu destino a uma velocidade inédita de 805.000 quilómetros por hora.

Estes objetos, que podem custar quase 90 milhões de euros cada um, terão 30 metros, um espesso revestimento de armadura “tipo tanque” (para resistir à radiação), um aspeto “super estranho”e um “design alienígena“. Quem o conta é o próprio CEO, citado pela Live Science.

O objetivo é reduzir para metade o tempo que atualmente é necessário para ir da Terra a Marte e fazer chegar sondas a Plutão em 4 anos.

O Sunbird já está em fase de construção, mas enfrenta ainda vários desafios. No entanto, pode entrar em órbita pela primeira vez em 2027, assegura a startup. O projeto é financiado pela Agência Espacial do Reino Unido.

E o objetivo é que estes dispositivos funcionem mesmo como os veículos elétricos que vemos diariamente: “Lançamo-los para o espaço e teremos uma estação de carregamento onde se poderão sentar e depois ir ter com a sua nave”, afirma o CEO.

O objetivo é que o foguetão “desligue os seus ineficientes motores de combustão e utilize a fusão nuclear durante a maior parte da sua viagem. Idealmente, teria uma estação algures perto de Marte e uma estação na órbita baixa da Terra, e os Sunbirds iriam e voltariam”.

Hélio-3 e fusão no espaço

“Se podemos fazer fusão na Terra, podemos definitivamente fazer fusão no espaço”, assegura o CEO da Pulsar.  O objetivo é, portanto, a fusão fora da Terra, usando como combustíveis o deutério e o hélio-3. Os motores Duel Diret Fusion Drive (DDFD) farão o trabalho, aproveitando a energia da fusão nuclear.

E sim, a startup quer mesmo utilizar chamado hélio-3 para produzir protões, utilizados depois como “escape nuclear” para fornecer propulsão, explica à CNN Richard Dinan. Pode ser muito dispendioso, mas pouparia combustível e tornaria os foguetões mais leves.

Um objetivo que o ZAP já noticiou é a extração de hélio-3 da Lua. Enquanto isso não é possível, os primeiros testes serão feitos já este ano sem ele, uma vez que é um elemento altamente dispendioso pela sua raridade na Terra.

Em 2027, a Pulsar espera que a história já seja outra, e que o hélio-3 seja um pouco mais abundante. Dinan está otimista: “Isto é exequível em todos os sentidos”.

Carolina Bastos Pereira, ZAP //

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