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SPD vence legislativas na Alemanha com pequena margem – mas a CDU quer liderar o governo

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Focke Stangmann / EPA

Olaf Scholz

Depois das projecções iniciais apontarem um empate, os sociais-democratas do SPD conseguiram garantir a vitória nas legislativas enquanto que a CDU obteve o seu pior resultado de sempre. Arranca agora um processo de negociações que só deve terminar no Natal.

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Foi uma luta renhida e os resultados preliminares só surgiram de madrugada, mas Olaf Scholz e os sociais-democratas do SPD foram mesmo os vencedores das legislativas na Alemanha, com 25,7% dos votos. Em 2017, o partido tinha-se ficado pelos 20,5%.

Os conservadores da CDU/CSU, o partido de Merkel, tiveram apenas 24,1% dos votos, o pior resultado da história e uma grande quebra em relação aos 32,9% alcançados nas últimas eleições.

Por outro lado, os Verdes, que tiveram 8,9% dos votos em 2017, garantiram desta vez o terceiro lugar com 14,8% dos votos, o melhor resultado que o partido alguma vez teve. Seguiram-se os liberais do FDP com 11,5%, uma subida em relação aos 10,7% que tiveram nas legislativas de há quatro anos.

Já o partido de extrema-direita Alternativa para a Alemanha (AfD) caiu da terceira força política e de maior partido da oposição para o sexto lugar, tendo alcançado 10,3% dos votos, em contraste com os 12,6% conseguidos em 2017. Apesar desta quebra, a AfD foi o partido mais votado nos estados da Turíngia e da Saxónia, no leste do país.

Os esquerdistas do Die Linke tiveram uma noite para esquecer, com uma grande quebra. O partido ficou-se pelos 4,9% dos votos, quando em 2017 tinha conseguido chegar aos 9,2%, e apenas conseguiu ter representação parlamentar por causa de uma regra no sistema alemão que permite aos partidos abaixo de 5% (o mínimo preciso para eleger deputados) entrar na Bundestag se elegerem três mandatos directos.

O futuro pós-Merkel

As eleições marcam o fim de uma era de 16 anos de Angela Merkel como chanceler, mas ainda não se sabe ao certo quem a vai suceder no cargo, já que Armin Laschet da CDU já deu a entender que quer formar governo.

“Nós vamos fazer tudo para podermos formar um governo dirigido pela aliança CDU/CSU”, disse Laschet quando soube dos resultados, repetindo a mesma ideia que já tinha deixado clara durante o período de pré-campanha.

Tudo agora depende das negociações com outros partidos, sobretudo com os Verdes e o FDP. Uma coligação que inclua estes dois partidos pode parecer improvável dadas as divergências ideológicas, mas Christian Lindner, dos liberais, já deixou a porta aberta a conversas, uma sugestão que foi reciprocada por Robert Habeck, co-líder dos Verdes.

Enquanto que os Verdes são mais próximos politicamente dos sociais-democratas do SPD, Lindner preferiu elogiar o governo da CDU que Laschet integra na Renânia do Norte Vestefália, o que já sinaliza divergências.

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Mesmo assim, os representantes partidários prometeram que as negociações para formar o governo serão rápidas, já que em 2017 demoraram mais de 200 dias.

Lindner lembrou que as negociações ficaram presas em detalhes no último governo que integrava a CDU, FDP e os Verdes – a coligação conhecida como Jamaica porque as cores dos partidos lembram a bandeira jamaicana.

Baerbock deixou claro que não pode ser ignorada a percentagem dos votos, já que os Verdes se afirmaram como terceira força política, à frente do FDP.

A disputa eleitoral só ficará definitivamente fechada quando for anunciada uma coligação maioritária com pelo menos três partidos. A meta apontada para este anúncio deve ser por volta do Natal, tal como em 2017.

Há quatro anos, o SPD anunciou que desistia das negociações em Novembro e só em Março é que os liberais aprovaram em referendo a coligação com a CDU, pleo que Lindner está a ser pressionado para que desta vez a formação de governo tenha menos percalços.

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  Adriana Peixoto, ZAP //

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