Sorteio coloca juiz Ivo Rosa à frente da Operação Marquês

Pedro Nunes / Lusa

O ex-primeiro-ministro José Sócrates

Ivo Rosa vai ser o juiz de instrução do processo Operação Marquês, que envolve o antigo primeiro-ministro José Sócrates, determinou, nesta sexta-feira, o sorteio realizado no Tribunal Central de Instrução Criminal, em Lisboa.

O sorteio informático deste mega-processo, em que estão acusados nomes conhecidos da política, da banca e da PT, realizou-se no Tribunal Central de Instrução Criminal (TCIC) e resumiu-se à escolha entre Carlos Alexandre e Ivo Rosa, os dois únicos juízes desta instância judicial.

Um problema informático atrasou o sorteio que estava marcado para as 16 horas, como reporta a TSF. Mas acabou por colocar Ivo Rosa à frente do caso, indo ao encontro das preferências de alguns dos arguidos da Operação Marquês, nomeadamente de José Sócrates e de Armando Vara, que contestaram a actuação de Carlos Alexandre e que pretendiam excluí-lo do processo.

A fase inicial de inquérito da Operação Marquês foi dirigida pelo Ministério Público, mas contou com decisões e intervenções de Carlos Alexandre, motivo que levou alguns dos advogados de defesa a pedir o afastamento deste juiz da fase seguinte, a instrução do processo.

Ivo Rosa “é conhecido por nem sempre apoiar as teses incriminatórias dos arguidos que lhe são levadas pelo Ministério Público”, como sustenta o Público, lembrando que recusou levar a julgamento 18 dos 86 arguidos da Operação Zeus que envolve actos de corrupção nas messes da Força Aérea.

Este juiz também ilibou todos os arguidos do caso que envolve a TAP em suspeitas de lavagem de dinheiro de elites angolanas, através da companhia aérea Sonair, e chegou a acusar o Ministério Público de imparcialidade na investigação às rendas da EDP.

Ivo Rosa vai agora decidir se leva ou não a julgamento os arguidos da Operação Marquês. A abertura da instrução, fase processual com carácter facultativo, foi pedida pela maioria dos advogados do processo.

O inquérito da Operação Marquês culminou na acusação a um total de 28 arguidos – 19 pessoas e nove empresas – e está relacionado com a prática de quase duas centenas de crimes de natureza económico-financeira.

José Sócrates, que chegou a estar preso preventivamente durante dez meses e depois em prisão domiciliária, está acusado de três crimes de corrupção passiva de titular de cargo político, 16 de branqueamento de capitais, nove de falsificação de documentos e três de fraude fiscal qualificada.

A acusação sustenta que Sócrates recebeu cerca de 34 milhões de euros, entre 2006 e 2015, a troco de favorecimentos a interesses do ex-banqueiro Ricardo Salgado no Grupo Espírito Santo e na PT, bem como para garantir a concessão de financiamento da Caixa Geral de Depósitos ao empreendimento Vale do Lobo, no Algarve, e por favorecer negócios do Grupo Lena.

ZAP // Lusa

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