Sonda Cassini inicia a sua “missão suicida” nos anéis de Saturno

A sonda Cassini da NASA está de volta ao contacto com a Terra depois do seu primeiro mergulho bem-sucedido, através da estreita abertura entre o planeta Saturno e os seus anéis, no passado dia 26 de abril.

A nave espacial encontra-se no processo de transmissão de dados científicos e de engenharia recolhidos durante essa passagem, via Complexo Goldstone da DSN (Deep Space Network) da NASA no Deserto de Mojave, na Califórnia, EUA.

A DSN adquiriu o sinal da Cassini às 07h56 de dia 27 de abril (hora portuguesa) e os dados começaram a aparecer às 08h01 do mesmo dia.

“Na maior tradição de exploração, a sonda Cassini da NASA, mais uma vez, abriu novos caminhos, mostrando-nos novas maravilhas e demonstrando onde a nossa curiosidade nos pode levar quando nos atrevemos,” comenta Jim Green, diretor da Divisão de Ciência Planetária na sede da NASA em Washington.

Enquanto mergulhava através da divisão, a Cassini passou a três mil quilómetros do topo das nuvens de Saturno (onde a pressão do ar é de 1 bar – comparável à pressão atmosférica da Terra ao nível do mar) e a cerca de 300 quilómetros da orla mais interna e visível dos anéis.

Apesar dos gerentes da missão estarem confiantes de que a Cassini ia passar com sucesso pela lacuna, tomaram precauções extra neste primeiro mergulho, pois a região nunca tinha sido explorada antes.

Nenhuma nave espacial jamais esteve tão perto de Saturno. Só podíamos contar com previsões, baseadas na nossa experiência com os outros anéis de Saturno, com o que pensávamos que essa divisão entre os anéis e Saturno seria,” comenta Earl Maize, gestor do projeto Cassini no JPL da NASA em Pasadena, na Califórnia.

“Fico muito contente em informar que a Cassini passou pela divisão exatamente como planeado e saiu do outro lado em excelente forma”, acrescentou.

A distância que separa os anéis e o topo da atmosfera de Saturno ronda os dois mil quilómetros. Os melhores modelos para a região sugeriam que se houvesse partículas do anel na área onde a Cassini cruzava o plano anular, que estas seriam minúsculas, na escala de partículas de fumo.

A nave espacial passou por esta região a velocidades que rondam os 124 mil km/h em relação ao planeta, de modo que quaisquer partículas pequenas que atingissem uma área sensível podiam, potencialmente, ter desativado a nave espacial.

Como medida protetora, a sonda usou a sua grande antena parabólica de alto ganho (4 metros de diâmetro) como escudo, orientando-a na direção das partículas do anel em aproximação. Isto fez com que a sonda estivesse fora de contacto com a Terra durante a travessia do plano dos anéis, que ocorreu às 10h00 (hora portuguesa) de dia 26 de abril.

A Cassini estava programada para recolher dados científicos enquanto passava bem próximo do planeta e para, cerca de 20 horas depois, orientar-se para a Terra e fazer contacto.

O próximo mergulho da Cassini, através da lacuna que separa o planeta dos anéis, está agendado para o dia 2 de maio.

Lançada em 1997, a Cassini chegou a Saturno em 2004. Após o último “flyby” pela grande lua Titã, no dia 22 de abril, a sonda começou o que os técnicos da missão chamam de “Grand Finale”.

Durante este último capítulo, a Cassini orbitará Saturno aproximadamente uma vez por semana, fazendo um total de 22 mergulhos entre os anéis e o planeta. Os dados deste primeiro mergulho vão ajudar os engenheiros a compreender se e como precisarão de proteger a nave durante as próximas travessias do plano dos anéis.

Nos próximos quatro meses, a NASA espera obter informações para responder a grandes questões sobre Saturno, como saber o que está na sua estrutura interna, quanto dura um dia no planeta e em que velocidade gira o seu núcleo. Os investigadores também esperam verificar com detalhe os anéis do planeta, quando estes se formaram e do que são feitos. Esta será também a primeira vez na história em que serão feitas análises das partículas de gelo dos anéis principais e das camadas externas da atmosfera do gigante gasoso.

A sonda está numa trajetória que, eventualmente, a levará a mergulhar na atmosfera de Saturno – e assim terminar a sua histórica missão – no dia 15 de setembro de 2017.

ZAP // CCVAlg / Canal Tech

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