Há um limite que não pode ser ultrapassado. SNS só aguenta 1.200 internados

Giuseppe Lami / EPA

Com a possibilidade de uma segunda onda de contágio, os peritos que apoiam o Governo estão a traçar vários cenários e não ultrapassar o pico de abril é o objetivo.

Um total acumulado de 30 mil casos ao longo de dois meses poderá resultar num pico de cerca de 1.200 internamentos em simultâneo e 300 doentes em cuidados intensivos. Segundo o semanário Expresso, este cenário, semelhante ao pico atingido em abril, é o limite que os especialistas não querem que seja ultrapassado.

Para evitar este cenário é preciso saber com antecedência se o país está a entrar nesse caminho e é esse o trabalho que os peritos que apoiam o Governo estão a desenvolver neste momento.

Manuel Carmo Gomes, professor da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa e colaborador da equipa de peritos da Direção-Geral da Saúde e do Instituto Dr. Ricardo Jorge, explica que, em relação a março, há dois aspetos que são agora diferentes.

Por um lado, destaca, o país está mais prevenido e o Govenro mais capaz de tomar medidas para travar o ressurgimento da curva. Por outro, o Rt (número médio de contágios provocado por cada infetado) “não será tão alto como no início de março porque as pessoas têm contactos de menor risco, devido ao uso de máscara e distanciamento, e o número de indivíduos que estiveram em contacto com o vírus já não é zero”.

O mais provável é que “a subida de novos casos seja menos rápida do que foi em março”, destaca o especialista. Ainda assim, o número de infetados numa segunda onda não passa, para já, de uma especulação.

No entanto, Manuel Carmo Gomes lembra que o impacto dessa segunda onda na capacidade de resposta dos hospitais dependerá da sua duração. “Uma onda mais longa é menos perigosa do que uma onda muito inclinada e mais curta. E, no entanto, o número total de infetados e de hospitalizados pode ser o mesmo.”

Os especialistas assumem que a percentagem de internados oscila entre 14% e 17% do total de infetados sintomáticos num determinado momento e que 25% vão precisar de cuidados intensivos.

Assim, num dos cenários traçados, com 30 mil novos casos ao fim de dois meses, haveria 4.200 internamentos ao longo desse tempo e cerca de mil doentes dariam entrada em unidades de cuidados intensivos (UCI). Segundo escreve o Expresso, a meio dessa onda que seria atingido o tal máximo que não deverá ser ultrapassado, com 1.200 internados ao mesmo tempo e cerca de 300 doentes em UCI.

Uma vez que é preciso fazer soar o alarme muito antes de chegar a estes valores, os especialistas vão estar atentos a vários indicadores.

O crescimento diário de novos casos, a evolução do nível de transmissão do vírus, o número de consultas em cuidados primários com sintomas de doença respiratória, os internamentos, os óbitos e a distribuição etária dos doentes são os seis indicadores em monitorização, realça o matutino.

ZAP //

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5 COMENTÁRIOS

  1. Fechou-se o país sobre a desculpa de atrasar o contagio e dar tempo ao SNS para se preparar.
    Com esta decisão, deu-se cabo da economia e lá temos de ir mendigar para a europa … que entretanto ja fez saber que o FMI existe para ajudar (com as devidas medidas de contenção) mas que emprestar dinheiro sem retorno garantido está fora de questão.

    Entretanto, gastou-se milhões em lay-offs, desemprego, subsídios para se ficar em casa no sofá (antigamente os que ficavam no sofá sem trabalhar eram considerados “parasitas da sociedade” hoje em dia são considerados “adultos responsáveis”), mais uns quantos milhões para os Bancos e …. PORQUE RAIO NAO SE GASTOU 10% DESSE DINHEIRO TODO PARA REFORÇAR O SNS !!!!

    Já se sabia que não se podia fechar o país até existir uma vacina que só sai para o ano (com muita sorte e regimes de testes especias), o objectivo foi desde o principio dar tempo ao SNS para se preparar, em que altura é que encher os bolsos de alguns amigos com contractos milionários se tornou mais importante. Foi antes de se tomar as medidas ou depois ?

    • Comentario patetico…… mas um dos paranoicos das teorias da conspiração. O governo fez isto e mais aquilo tudo mal…..
      Reparaste que quase todos os paises agiram da mesma maneira ?
      Enquanto uns acusam o nosso governo de ter demorado a fechar…. outros armam-se em espertos e acusam o fecho. Se tivessemos milhares de mortos como italia berravam a culpar o governo tambem

      Este é o pior grupo de risco : os estupidos

    • A sua lógica parte da suposição de que “fazer mal” está certo.
      Quando for capaz de perceber ( o que duvido) que isso pode não ser o caso, outras coisas farão mais sentido.

  2. Porra! vamos lá a esclarecer isto dos comentários que assim parece confuso:
    O das 12:42 destina-se ao ricardo
    O das 12:43 é para o Paulo L

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