Rússia avisa que vai abater mísseis dos EUA na Síria

Dmitry Ryazanov / Wikimedia

Caça bombardeiro Sukhoi Su-27 da Força Aérea da Rússia lança foguetes de contramedida

O embaixador da Rússia no Líbano, Alexander Zasipkin, disse que quaisquer mísseis lançados pelos Estados Unidos contra a Síria serão abatidos pelas forças russas.

As declarações foram feitas na tarde desta terça-feira e referem-se à intenção de Moscovo de responder a qualquer ofensiva norte-americana na Síria, de acordo com o Público.

O regime de Bashar Al-Assad, aliado da Rússia, tem sido acusado de ser o responsável pelo ataque químico em Douma, nos arredores de Damasco.

Com o ataque de sábado, o líder sírio conseguiu a rendição dos combatentes da oposição naquela zona. Segundo as organizações médicas no terreno, morreram dezenas de pessoas e outras centenas ficaram afetadas pelo gás de cloro e por outro gás não identificado.

O líder norte-americano Donald Trump disse que vai responder ao ataque “atroz, bárbaro e inadmissível” e acusou a Rússia de ser uma das responsáveis por dar apoio ao regime sírio governado pelo “animal” Assad.

“Se houver um ataque por parte dos americanos, os mísseis serão abatidos, assim como as bases de onde os mísseis forem lançados”, disse Zasipkin ao canal al-Manar, a televisão do Hezbollah. O embaixador disse ainda que “estão prontos para negociações”.

Donald Trump respondeu esta quarta-feira com o avisou de que os mísseis “estão a chegar” à Síria, na sequência do alegado ataque químico que aconteceu na cidade de Douma.

“A Rússia prometeu destruir todo e qualquer míssil disparado para a Síria. Preparem-se, porque os mísseis estão a chegar. Bons, novos e inteligentes. Não deviam ser parceiros com um animal que mata o seu povo e gosta”, escreveu Trump no Twitter.

Síria debaixo de possíveis ataques aéreos nas próximas 72 horas. Aviação civil alertada

A Eurocontrol, organização europeia de segurança na navegação aérea, divulgou na terça-feira uma “advertência rápida” às companhias aéreas do leste do Mediterrâneo contra possíveis ataques aéreos contra a Síria com mísseis nas próximas 72 horas.

“Devido ao possível lançamento de ataques aéreos na Síria com mísseis ar-terra e/ou de cruzeiro, nas próximas 72 horas, e a possibilidade de interrupção intermitente de equipamentos de radionavegação, este aviso deve ser levado em conta ao planear operações de voo na área do Mediterrâneo Oriental-Nicósia”, divulgou a organização europeia, no seu sítio na internet.

Na segunda-feira, o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, prometeu “responder abruptamente” ao alegado ataque químico na cidade síria de Douma, perto de Damasco, que causou dezenas de mortes e centenas de feridos, de acordo com várias organizações não governamentais no terreno.

Mais de 40 pessoas morreram no sábado num ataque contra a cidade rebelde de Douma, que segundo organizações não-governamentais no terreno foi realizado com armas químicas.

A oposição síria e vários países acusaram o regime de Bashar al-Assad da autoria do ataque, mas Damasco negou e o seu principal aliado, a Rússia, afirmou que peritos russos que se deslocaram ao local não encontraram “nenhum vestígio” de substâncias químicas.

Na terça-feira à noite, o Conselho de Segurança da ONU rejeitou um projeto de resolução da Rússia para criar um novo mecanismo de investigação sobre o uso de armas químicas na Síria.

TAP não vai ser afetada

O aviso lançado pela Eurocontrol para as companhias áreas que voam na área do Mediterrâneo Oriental-Nicósia não terá qualquer efeito nas operações da TAP pois a companhia não sobrevoa esta zona, disse fonte da empresa.

A mesma fonte indicou que a TAP Air Portugal não sobrevoa esta área nas suas rotas nem tem destinos na área em questão.

A Síria, que entrou no oitavo ano de guerra, vive um drama humanitário perante um conflito que já fez pelo menos 511 mil mortos, incluindo 350 mil civis, e milhões de deslocados e refugiados.

De acordo com o Diário de Notícias, que cita fontes oficiais de Washington, diferentes opções militares estão em discussão, com os EUA a procurarem uma articulação com os aliados internacionais.

Não foram dados quaisquer detalhes, mas sugeria-se que a finalidade da retaliação seria desencorajar, de uma vez por todas, o regime sírio de usar armas químicas.

Os alvos mais prováveis seriam os centros de comando e controlo que terão dirigido os ataques e unidades de apoio, considerava um especialista em segurança internacional, Benjamin Haddad, do Hudson Institute.

Outro alvo poderia ser a base de Dumayr, de onde teriam partido os helicópteros envolvidos no ataque. A 6 de abril de 2017, em resposta a ataque semelhante, em Khan Shaykhum, os EUA dispararam 59 mísseis sobre a base de Shayrat, na província de Homs.

Aquelas hipóteses foram, de algum modo, confirmadas ao final do dia por Emmanuel Macron que disse, a haver ataques, estes terão como alvo instalações de armas químicas.

Outro sinal da iminência de uma possível punição militar do regime de Assad foi dada pela notícia do cancelamento da viagem de Trump ao Peru, onde deveria participar sexta-feira na Cimeira das Américas, deslocando-se em seguida à Colômbia. Trump será substituído pelo vice-presidente Mike Pence.

Um terceiro sinal veio do ministro dos Negócios Estrangeiros saudita, Adel al-Jubeir, que falava em Paris no quadro da visita que o príncipe herdeiro Mohammad bin Salman concluiu ontem a França, e antes de Macron proferir a declaração acima citada. “Não vou especular sobre o que pode ou não pode suceder. O que posso dizer é que estão a ser avaliadas as opções disponíveis nesta questão“, disse o ministro saudita.

ZAP // Lusa

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9 COMENTÁRIOS

  1. A função dos USA, sobretudo depois da 2ª Grande Guerra, tem sido a de desestabilizar o mundo, incentivando ao ódio entre nações. Não fossem esses demónios e a Síria estaria em paz.
    E vêm agora com a hipócrita e cínica observação a propósito das armas químicas, quando o seu “país” fez ensaios com rádio actividade nuclear sobre prisioneiros americanos.
    No momento é o Trampa que, para escapar a ele próprio, não escorregando mais sobre si, se vira para os outros… E o pensamento medieval americano lá continua, convencido de que é o melhor e o maior…

    • Sempre o mesmo paleio imbecil dos pró-russos! Só se lê baboseiras desta gente que sonha com o descalabro do Ocidente e do seu modo de vida! Porque raio estas parasitas não se mudam? Despareçam! Era um favor que nos faziam!

    • O que os EUA fizeram no pós 2a Guerra foi um mal necessário, e a razão pela qual existe uma relativa ordem no mundo, pela primeira vez na historial mundial.

      Em primeiro lugar, não fora os EUA, e quase toda a Europa e outras partes do mundo estariam hoje sob o controlo ou influência soviética. Pense na diferença entre países da Europa Ocidental e de Leste. Não houve um único país sob a influência soviética que tenha prosperado. Se a Europa hoje goza de democracia e prosperidade económica, deve-o aos EUA e ao facto de ter enfrentado e derrotado a URSS durante a Guerra Fria.

      Em segundo lugar, a verdade é que nunca houve tão pouca guerra no mundo. O mundo globalizou-se, o comércio tornou-se global, os países estão hoje tão entrelaçados economicamente devido à globalização, que a guerra deixou de ser possível, entre países participantes no mundo globalizado. E os EUA foram os principais responsáveis pela globalização na 2a metade do século XX.

      Discordo que os EUA só queiram destabilizar o mundo. Exatamente o contrário. Os EUA querem um mundo estável, para que mais países possam participar na globalização – só têm a lucrar com isso, é ver Coca-Cola, McDonalds e filmes de Hollywood em todo o lado…

      • Caríssimo Discordo, nota-se que procurou envolver o seu comentário numa certa lógica. Mas por que não conferir às mesmas questões uma lógica diferente ou oposta? É que tudo não deixa de ser relativo e de depender da perspectiva de abordagem.
        Sem querer contestar os seus pontos de vista, aqui deixo algumas interrogações:
        Se, em vez do Plano Marshall e da criação da NATO, os USA (cujas relações com a Rússia não eram as melhores desde finais do século XIX) se tivessem desligado da Europa depois da guerra, a Rússia teria alargado o limite ocidental do seu poder político/territorial até onde o chegamos a conhecer?
        Afirmou que se a Europa goza de prosperidade económica deve-se aos USA e ao facto de ter derrotado a URSS durante a guerra fria. Terá sido mesmo por isso? É que quem mais aproveitou a destruição da Europa foram precisamente os USA, que tão cedo não seriam quem acabaram por ser se a Europa não tivesse sido arrasada.
        E como foi que a Europa derrotou a URSS durante a guerra fria?
        E a guerra fria não foi entre a os USA e a URSS?
        Quanto a nunca haver tão pouca guerra no mundo, como sugere, está a referir-se apenas à Europa?
        E a tão famosa globalização a quem terá interessado?
        Ao contrário do que alguém, aí para trás, sugeriu, por não saber como rebater o que eu havia escrito, não sou pró-russo. Nem entendo por que trouxeram os russos para aqui, se não me referia a eles. Mas também não posso com os americanos.
        Sou europeu, defensor acérrimo da nossa civilização (que não é propriamente a dos americanos), e sobretudo Português, de alma e coração.

  2. Senhor Sergio Sa, o meu amigo fala em muitos se’s. Vou-lhe dar mais um exemplo para talvez vir a usar em pensamentos futuros. “Se a minha avó tivesse um par de testiculos seria o meu avô.” Ai senhores o que seria de nós se tivessemos dominio russo??????

    • Caro Tuga, apelidou-se assim, e lá saberá porquê. Tuga é alcunha criada por alguém, há já um bom tempo, para tentar desacreditar o cidadão Luso da sua origem histórica, rebaixa-lo, para que não se sinta orgulhoso da grandeza do Povo a que pertence.
      Eu sinto-me verdadeiramente honrado por ser PORTUGUÊS com as letras todas.
      O Tuga diz que eu falo «em muitos se’s». Penso que pretendia dizer que eu utilizei muitas vezes o “se”. Ora bem, se conhecesse a nossa Língua, a sua gramática e soubesse ler, saberia que as conjunções são para ser usadas nos sítios certos, sem as quais, por vezes, é impossível haver comunicação. Depois, também não se deu conta de que utilizei a conjunção “se” apenas DUAS vezes, e não muitas como sugere.
      E proporcionalmente ao tamanho dos nossos textos, o Tuga usou a mesma conjunção “se” em percentagem muitíssimo mais elevada. Eu usei-a 2 vezes em mais de 20 linhas. O Tuga usou-a 1 vez em apenas 3 linhas, quando escreve «Ai senhores o que seria de nós se tivéssemos domínio russo??????». Já reparou?
      E já agora, por que fez essa pergunta? Alguém aqui tinha sugerido que queria estar sob esse domínio?
      Mas deixemos estas observações para terminar.
      Porque as questões que aqui surgiram foram suscitadas pelos acontecimentos do pós-guerra, devo dizer-lhe, meu Caro, que no tempo desse conflito que foi a 2ª Grande Guerra, já eu por cá andava, também sofrendo algumas das suas consequências. E desde cedo fui aprendendo a conhecer o mundo em que vivo e quem tenho à minha volta. Por isso, quando decido dizer algo sobre o que quer que seja, não me refugio em frases feitas, em modismos estereotipados e muito menos em piadas de mau gosto que em nada abona quem as escreve. Penso, reflicto e reajo, como verdadeiro Português que sou.

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