Serra Leoa a ferro e fogo: Uma pandemia surpresa a meio de uma ameaça climática

trocaire / Flickr

Sensibilização local no mercado de Funkia, Serra Leoa

Uma combinação de desastres indesejável: uma pandemia surpresa a meio de uma ameaça climática. É muito provável que o resto do ano 2020 prove a necessidade de as comunidades locais da Serra Leoa, escassas em recursos e fortemente atingidas pela pobreza, terem um plano de ataque para salvar vidas.

A Serra Leoa decretou estado de emergência a 25 de março, sete dias antes da confirmação do primeiro caso de covid-19. O vírus espalhou-se rapidamente desde então, com o país a registar 1.272 casos de infeção e 51 mortes, até dia 19 de junho.

Ao mesmo tempo que se preparava para abraçar uma violenta pandemia, este país africano iniciava uma contagem regressiva até ao início da estação chuvosa, que cria, todos os anos, desafios para as comunidades locais.

Em meados do ano passado, Freetown e outras grandes cidades foram engolidas por grandes inundações e, em 2017, mais de mil pessoas faleceram na sequência de deslizamentos de terra na capital. Este ano, o Departamento de Gestão de Desastres da Serra Leoa e o Conselho da Cidade de Freetown estão a trabalhar na criação de guias de preparação, com o objetivo de melhorar o planeamento de cenários caso aconteçam vários desastres em simultâneo.

Na Serra Leoa, assim como por todo o continente africano, existem várias favelas atingidas pela pobreza, que são muito vulneráveis aos desastres naturais, nomeadamente inundações. Como as experiências passadas do Ébola demonstraram, é muito importante manter o foco nas comunidades locais.

Uma melhor gestão de desastres é um imperativo para este país, principalmente quando já se encontra a braços com uma pandemia. Esta é a opinião de Lee Miles, professor de Gestão de Crises e Desastres na Universidade de Bournemouth, que escreveu recentemente um artigo para o The Conversation.

O impacto da covid-19 na Serra Leoa está a ser assustador, uma vez que a transmissão comunitária está a tornar-se uma realidade gritante. O estado fragilizado dos serviços de saúde e a limitação de levar ajuda externa até ao país durante a crise estão a dificultar a contenção do surto.

Medidas de prevenção, como o distanciamento social, são altamente desafiadoras em muitas das comunidades locais. A esta emergência sanitária acrescem os impactos práticos das mudanças climáticas ao longo do ano: incêndios e períodos de seca severos, seguidos por chuvas intensas e imprevisíveis.

Apesar de os responsáveis e voluntários locais saberem que devem atender às necessidade de modo a lidar da melhor forma com desastres cada vez mais frequentes, também estão conscientes de que há muito pouco tempo real para desenvolver um conhecimento local antes do início do próximo dilúvio, enchente ou incêndio.

Além disso, as comunidades locais estão cada vez mais conscientes de que enfrentam múltiplos perigos, que se irão, muito provavelmente, multiplicar ao longo de 2020.

ZAP //

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2 COMENTÁRIOS

  1. Como diz o ditado, uma desgraça nunca vem só, e como afinal minérios e petróleo, nada disto tem servido para o desenvolvimento da população, terão que se limitar ao que têm, mesmo se esse pouco que têm lhes é imposto por dirigentes da sua raça, caso contrário, seria uma acção racista com direito a tempo de antena, manifestações e pilhagens por todo o mundo.

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