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Segunda onda de covid-19 devasta Índia. Famílias já armazenam oxigénio em casa

Piyal Adhikary / EPA

A Índia contabilizou 352.991 novos casos de covid-19 nas últimas 24 horas, um novo máximo a nível mundial, numa altura em que o país se debate com falta de oxigénio e de recursos para combater a doença.

O país registou ainda 2.812 mortes, um novo máximo nacional desde o início da pandemia, segundo dados do Ministério da Saúde indiano.

Com uma população de 1,3 mil milhões de habitantes, a Índia está a braços com um surto devastador, batendo recordes de mortes e contágios durante cinco dias consecutivos, e levando vários países a oferecer ajuda ao gigante asiático.

No domingo, o Governo britânico disse que enviou mais de 600 peças de equipamento médico de emergência, incluindo respiradores. No mesmo dia, os EUA decidiram enviar recursos médicos e matérias-primas para fabricar vacinas, retribuindo a ajuda que receberam no início da pandemia. A União Europeia organiza o envio urgente de medicamentos e oxigénio, com França e Alemanha a prometerem ajuda de emergência.

O chefe do Governo de Nova Deli, Arvind Kejriwal, anunciou no domingo o prolongamento do confinamento por uma semana da cidade de 20 milhões de habitantes, a mais afetada pela nova vaga.

Um caso da variante indiana de covid-19 foi detetado na Grécia, adiantaram no domingo as autoridades sanitárias, citadas pela agência France-Presse. O organismo nacional de saúde pública grego anunciou que uma amostra positiva foi detetada numa mulher estrangeira, de 33 anos de idade, que vive em Atenas e que fez uma viagem ao Dubai a 4 de abril.

“Este é o primeiro caso da variante indiana na Grécia”, disse à AFP uma fonte grega do ministério da Saúde.

Desde o início da pandemia, a Índia acumulou 195.123 óbitos e 17.313.163 infeções, sendo o segundo país do mundo com mais casos, atrás dos EUA, e o quarto com mais óbitos, depois de EUA, Brasil e México. O país tem atualmente 2.813.658 casos ativos, segundo o Ministério da Saúde indiano.

Armazenamento de oxigénio em casa agrava escassez

Os médicos indianos estão a alertar contra o armazenamento pelas famílias, em casa, de oxigénio e medicamentos essenciais ao tratamento da covid-19, que escasseiam nos hospitais, avançou esta segunda-feira o The Guardian.

“O armazenamento de Remdesivir [um antiviral usado para tratar alguns casos de Covid-19] e oxigénio nas casas está a causar pânico e escassez [nos hospitais]”, disse Randeep Guleria, diretor do Instituto de Ciências Médicas do país, num comunicado citado pelo jornal britânico.

Jagadeesh Nv / EPA

O responsável frisou que a maioria das pessoas infetadas não precisa de receber oxigénio, pelo que mantê-lo em casa pode reduzir a disponibilidade nos hospitais para os doentes mais críticos. A procura por oxigénio aumentou mais de 20% no país, nos últimos dias.

A pandemia provocou 3.100.659 mortos no mundo, resultantes de mais de 146,3 milhões de casos de infeção, segundo um balanço da AFP. Em Portugal, morreram 16.965 pessoas dos 834.442 casos de infeção, de acordo com a Direção-Geral da Saúde. A doença é transmitida por um coronavírus detetado no final de 2019, em Wuhan, na China.

EUA com metade dos novos casos da última segunda

Os Estados Unidos (EUA) registaram 284 mortes provocadas por covid-19 e 35.473 casos da doença nas últimas 24 horas, segundo a contagem independente da Universidade Johns Hopkins. Comparando com os 70.490 novos casos da última segunda-feira, trata-se de cerca de metade das infeções.

Desde o início da pandemia, o país acumulou 572.194 óbitos e 32.076.079 infeções confirmadas. Os EUA são o país com mais mortes e também com mais casos no mundo. O Presidente norte-americano, Joe Biden, estimou que o país venha a registar mais de 600 mil mortes devido à covid-19, noticiou a agência Lusa.

O Instituto de Métricas e Avaliações de Saúde da Universidade de Washington, em cujos modelos de projeção da evolução da pandemia a Casa Branca se baseia com frequência, previu cerca de 610 mil mortes até 1 de agosto.

O país já administrou a primeira dose da vacina contra o novo coronavírus a 138,6 milhões de pessoas (41,8% da população), tendo 93 milhões (28%) completado a inoculação, segundo os Centros de Controlo e Prevenção de Doenças dos EUA (CDC).

  ZAP // Lusa

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