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Salário mínimo pode subir para perto de 705 euros

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José Sena Goulão / Lusa

O ministro de Estado, da Economia e da Transição Digital, Pedro Siza Vieira (D), acompanhado pela ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, Ana Mendes Godinho

A confirmar-se, aumento nominal do salário mínimo nacional (SMN) será o maior desde 1993. Em termos reais, pode vir a ser o mais alto em 10 anos.

O valor ainda não está fechado, mas o Jornal de Negócios avança, esta quinta-feira, que o salário mínimo nacional deverá mesmo subir no próximo ano para cerca de 705 euros.

Segundo os registos oficiais da Direção-Geral do Emprego e das Relações do Trabalho (DGERT), citados pelo diário económico, o aumento nominal de 6% será o mais alto desde o início da década de noventa (1993) e pode vir a ser o aumento real mais alto dos últimos 10 anos.

O valor em cima da mesa, próximo dos 705 euros, fica quase a meio caminho entre o salário mínimo deste ano (665 euros) e o que se prevê para 2023 (750 euros), um compromisso que o Governo de António Costa tem reiterado que irá cumprir.

Em 2021, o aumento nominal foi de 4,7%. Este aumento representa uma aceleração da trajetória de retribuição mínima garantida de modo a compensar o abrandamento causado pela crise pandémica.

O valor do aumento do salário mínimo nacional, apesar de estar associado às negociações do Orçamento do Estado, tem sido apresentado aos parceiros sociais numa fase mais avançada do processo, entre novembro e dezembro.

Da parte dos sindicatos, a UGT defende um aumento de 50 euros, enquanto a CGTP quer que o salário mínimo chegue aos 850 euros já em 2022. Por sua vez, os patrões entendem que a evolução da retribuição mínima deveria ser indexada a indicadores de crescimento económico, inflação e produtividade.

Sem indicadores objetivos, “temos visto o salário mínimo a aproximar-se do médio, e algumas dificuldades na contração coletiva, pelo desaparecimento dos escalões, na diferenciação de categorias e de qualificações nas grelhas salariais”, justificou João Vieira Lopes, atualmente o porta-voz do Conselho Nacional das Confederações Patronais.

Esta quinta-feira, os deputados reúnem-se no Parlamento para debater o aumento do salário mínimo para 850 euros, um projeto de resolução do PCP.

Se o projeto de resolução for aprovado, o passo seguinte será o Parlamento recomendar ao Governo a subida do salário mínimo, escreve o Jornal Económico.

  ZAP //

8 Comments

  1. 705€ é um salário mínimo de miséria. Em Espanha o salário mínimo é 1050€. Os empresários portugueses enriquecem à custa de mão de obra barata em vez de enriquecerem porque são competentes.

  2. Caro FM. Se os empresários são assim tão injustos porque não cria uma empresa e paga salários de 1050 a toda a gente? Começaria assim a criar mais igualdade social. Tenho a certeza que os seus colaboradores iriam produzir muito mais e assim a sua empresa prosperaria.
    Mas não o fará e continuará apenas a chafurdar no seu ressabiamento esquecendo-se que muitos dos empresários passaram anos a lutar duramente pelo que têm e criaram empregos que fazem com que o país prospere.

    • Pois meu amigo, de facto não é conversa que se possa ter ter por esta via, mas o facto é que foi bem explicito quando afirmou que “muitos dos empresários passaram anos a lutar duramente pelo que têm” esqueceu-se somente de dizer que outros muitos, pequenos e médios empresários, lutaram muito também contra os seus trabalhadores a quem exploraram além do imaginável, enriquecendo de facto à custa desses mesmo empregados, esquecendo-se que numa maior parte dos casos, o “capital trabalhador é o seu melhor capital”.
      Produtividade?, há e haverá sempre quem trabalhe com menos eficiência, mas ouvir falar de falta de produtividade, quando esta depende muito principalmente da motivação e muito particularmente dos meios colocados ao dispor para que isso aconteça, não é só falácia, é mesmo falta de, ou conhecimento ou algo mais que será melhor não qualificar por este meio.
      Eu lembrar-lhe-ia que estar a trabalhar todo um dia sem que possa arredar do pensamento de como vai pagar as contas mais primárias, é segundo os melhores estudos sobre qualidade de trabalho o principal motivo para a falta de produtividade.
      Talvez fosse bom relembrar que as empresas devem capitalizar-se para que possam tornar-se competitivas e assim poderem criar e redistribuir a riqueza que faz, tal como afirmou, com que o país prospere. Infelizmente, e tenho experiencia de toda uma vida a trabalhar com economia e relações laborais, devido à formação cívica da maioria dos portugueses em que se inserem também os empresários, a capitalização e enriquecimento é sobretudo pessoal, na mais das vezes ostentativa o que ajuda a que pela mais simples questão de revolta, também por esta via a produtividade seja reduzida.
      Não me importaria de falar consigo pessoalmente, mas por aqui, não existem obviamente quaisquer condições para isso.
      Ressalvo que na minha vida profissional conheci e conheço muitos empresários com “E GRANDE” que, além do seu enriquecimento pessoal, expandiram as suas empresas retribuindo convenientemente os seus empregados, infelizmente embora se contem entre os mais bem sucedidos, são uma minoria.
      Aprendi que os bons ou maus empregados, são normalmente assim moldados pelos empregadores.
      Quem numa empresa é apoiado, retribui, “veste a camisola”.
      Quem é desconsiderado, não vai trabalhar, vai para o “emprego”.

      • Que chorradilho de tretas que para aqui vai. Enfim…
        Crie lá uma empresa e comece a pagar salários e depois volte cá. Geralmente os maus empresários que refere, eram antigos trabalhadores com o seu discurso. Assim que se viram na posição de empresários parece que esqueceram de imediato desse seu discurso. É que as contas no final do mês são muitas!

    • Pois meu amigo acha que são um chorrilho de tretas, de facto boa parte do meu trabalho durante muitos anos foi aconselhamento ajuda e seguimento na criação e gestão de empresas, e os maus empresários que de que falo, são em numero bastante elevado.
      Claro que criei empresas, e dos mais variados ramos, claro que fiz o seguimento e acompanhamento na gestão das empresas, tanto a nível da gastão como gestão financeira, claro que sei o que representa pagar salários e demais custos das empresas.
      Efectuei assessoria a gestão, principalmente em empresas de importação /exportação, com estudos de mercado, análise de custos benefícios versos financiamento das transacções pontuais pela banca como pela gestão de financiamento geral bancário ETC.
      Meu amigo, na defesa de uma posição, não vale tudo.
      Uma vida de trabalho dá um pouco de experiencia e o observado permite tirar conclusões.
      Alem do que, ou se é empresário por nascimento, ou se tem de criar a empresa, normalmente após já ter trabalhado numa outra e maus empresários (e trabalhadores) há-os em todo o lado, mas de facto na classe empresarial tenho encontrado bastantes empreendedores que de facto não são dignos desse nome.
      Tretas é quando se forma uma ideia sem experiência passada.
      No meu caso a experiencia tem 40 anos.
      Com falhas também, como é obvio.

    • Desafio também o Sr. Jerónimo de Sousa, o próprio a abrir uma empresa, acarretar com a carga fiscal a que as empresas são submetidas e a pagar o salário que entendesse aos seus funcionários. Isso seria de grande contributo em lugar de se perpetuar à sombra de um partido fantasma e a mamar à custa dos contribuintes como deputado.
      Até digo mais, defendam um ordenado mínimo de 3000€ líquidos mensais, mas com subsídio de desemprego vitalício sem penalização de vencimento.

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