Rússia e China vetam ajuda humanitária na Síria. Juntos, já negaram apoio 26 vezes

(dr) UNRWA

ONU entrega ajuda humanitária na cidade de Yarmouk, na Síria

A Federação Russa e a China vetaram esta sexta-feira uma resolução germano-belga que prentendia manter a situação relativa à ajuda humanitária transfronteiriça na Síria, por a quererem reduzir, contra todos os outros membros do Conselho de Segurança da ONU.

Segundo fontes dos meios diplomáticos, o projeto de texto apresentado por Alemanha e Bélgica obteve 13 votos a favor e os vetos russo e chinês, o segundo que estes Estados fazem em três dias. O dispositivo transfronteiriço da ONU, que permite encaminhar ajuda para a população síria sem intervenção de Damasco, existe desde 2014.

O seu prazo expira nesta sexta-feira à noite.

Nesta sexta-feira, a Federação Russa fez o seu 16.º veto e a China o 10.º de um texto ligado à situação na Síria, desde o desencadeamento da guerra, em 2011.

Na terça-feira, a Federação Russa e a China tinham colocado um primeiro veto ao texto da Alemanha e Bélgica, que renovava por um ano a autorização da ONU, mantendo no noroeste os atuais dois pontos de passagem na fronteira com a Turquia, em Bab al-Salam, que conduz à região de Alepo, e em Bab al-Hawa, que serve a região de Idlib, onde vivem cerca de quatro milhões de pessoas.

Moscovo, que argumenta que o texto compromete a soberania do seu aliado sírio, já tinha conseguido em janeiro impor a redução do programa, de quatro para dois pontos de entrada, e da autorização, de um ano, que vigorava desde a sua criação em 2014, para seis meses. Os russos avançam que mais de 85% da ajuda passa atualmente por Bab al-Hawa, pelo que o ponto de entrada em Bab al-Salam pode ser fechado.

Um texto apresentado pela Federação Russa neste sentido, na quarta-feira, foi rejeitado, ao recolher apenas quatro votos favoráveis.

Alemães e belgas, atuais membros não permanentes do Conselho de Segurança e encarregados da componente humanitária do dossiê sírio na ONU, insistiram com o texto submetido a votação, em que propunham, em cedência à Federação Russa, a redução da autorização para seis meses, mas mantendo os dois pontos de entrada na Síria.

Na quarta-feira, em entrevista à AFP, a embaixadora dos EUA na ONU, Kelly Craft, afirmara que a manutenção destes dois pontos representava uma “linha vermelha” para o seu país. Segundo esta diplomata, suprimir o ponto de entrada em Bab al-Salam significaria cortar a ajuda a 1,3 milhões de sírios a norte de Alepo.

Depois do duplo veto sino-russo, ainda é possível um compromisso entre belgas, alemães e russos, mesmo que a autorização de passagem fronteiriça expire esta sexta-feira à noite, estimaram alguns diplomatas. “Se a autorização for renovada com alguns dias de atraso, não é o fim do mundo. Isso suspende as colunas (de abastecimento) durante alguns dias, mas não as coloca em risco”, salientou um diplomata, sob anonimato.

Para a ONU, manter os dois pontos é crucial, em particular perante o avanço da pandemia do novo coronavírus na região. Em relatório de junho, o secretário-geral da ONU, António Guterres, tinha reclamado o prolongamento do dispositivo por um ano e a manutenção dos dois pontos de acesso.

Várias organizações não-governamentais (ONG) alertaram nos últimos dias para os efeitos de uma paragem definitiva da ajuda externa. Isso significaria “um golpe devastador para os milhões de famílias sírias que dela dependem para água potável, alimentação, cuidados de saúde e habitação”, estimou uma delas, a Oxfam.

O presidente da ONG International Rescue Committee, David Miliband, denunciou, em comunicado, “um dia negro” para os sírios, considerando este duplo veto no espaço de uma semana “uma vergonha”.

// Lusa

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1 COMENTÁRIO

  1. Penso que a resolução foi rejeitada pela Rússia e pela China porque “suspende as colunas de abastecimento”, que servem, maioritariamente, para abastecer os terroristas (militantes pela “liberdade” apoiados pela Turquia que quer anexar Idlib) que combatem o governo Sírio.
    A partir de agora o governo Sírio tem o direito de bombardear qualquer coluna que entre no seu território sem violar qualquer resolução da ONU.

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