Rússia admite suspender fornecimento pelo gasoduto Nord Stream. Embaixador fala em “catástrofe”

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Clemens Bilan / EPA

Líderes políticos europeus consideram que as justificações dadas pela Rússua são “mentira” e que na origem da decisão de diminuir o fornecimento de gás à Europa tem “motivações políticas”.

A Rússia advertiu hoje que os problemas técnicos com as turbinas da empresa alemã Siemens poderão levar à suspensão do fornecimento através do gasoduto Nord Stream.

“Assim que todas as turbinas forem enviadas para reparação para o Canadá (o Nord Stream) pode ter de parar. Creio que isso será uma catástrofe para a Alemanha”, afirmou o embaixador russo na União Europeia (UE), Vladimir Chizhov, à margem do Fórum Económico de São Petersburgo.

Chizhov instou a que fosse perguntado à Siemens sobre a necessidade do envio das turbinas para o Canadá. “Não quero dar conselhos, mas passado todo este tempo eles podiam ter aprendido a repará-las”, assinalou.

Pouco antes, o conselheiro delegado da Gazprom, Alexéi Miller reconheceu que, a data de hoje, não há solução para os problemas técnicos e que por causa disso tiveram de reduzir nos últimos dias o fornecimento de gás à Europa.

Miller explicou que a Siemens só tem uma fábrica onde fazer essas revisões técnicas dos motores e fica no Canadá. “O Canadá impôs sanções e agora a Siemens não pode retirar as turbinas” para as devolver à Rússia, disse.

Além disso, desvendou que devido a estes problemas, tiveram de reduzir as unidades compressoras na estação de Portovaya, na região de Leninegrado.

A Gazprom alegou problemas com as revisões técnicas das turbinas da Siemens quando anunciou, na sexta-feira, uma redução de 40% no fornecimento de gás através da Nord Stream e, no dia seguinte, um adicional de 33%.

A Alemanha assegurou que vê uma “intenção política” na redução do fornecimento do gás russo e uma estratégia do Kremlin para fazer aumentar os preços, crítica que foi apoiada pela Comissão Europeia.

A Nord Stream transporta gás russo à Alemanha através do mar Báltico e devia ser complementada pela Nord Stream 2, congelada pela governo alemão em retaliação pela invasão da Rússia à Ucrânia.

Itália e Áustria também afetadas

Ao início da noite de ontem, também Itália e Áustria se queixaram da mesma redução do gás recebido no seguimento de pedidos feitos à Gazprom. Mario Draghi usou novamente o argumento dos “motivos políticos”, numa declaração feita a propósito da sua visita a Kiev, juntamente com Olaf Scholz e Emmanuel Macron.

“Tanto a Alemanha como nós achamos que estas justificações são mentira. Na realidade, estão a fazer uma utilização política do gás, tal como estão a fazer dos cereais”, afirmou o primeiro-ministro italiano.

Recorde-se que a Rússia está a bloquear a saída de cereais ucranianos dos portos do país invadido, o que levou a uma subida generalizada dos preços. O mesmo aconteceu com o gás, na sequência do primeiro anúncio feito pela Gazprom no sentido de diminuir o fornecimento à Aleamnha.

De acordo com o jornal Público, os preços no mercado grossista holandês, que serve de referência para a Europa, aumentaram cerca de 30%.

  ZAP/Lusa //

5 Comments

  1. Nao entendo.. Nao é a Europa que sancionou o gas russo e que disse que nao comprava mais? Agora queixam-se que é a Russia que nao quer vender?!? A verdade vem sempre à tona..

  2. O Sr António não leu bem! Foi dito e eu transcrevo ” Creio que isso será uma catástrofe para a Alemanha”, afirmou o embaixador russo na União Europeia (UE), Vladimir Chizhov, à margem do Fórum Económico de São Petersburgo.”
    É uma preocupação compreensível….

  3. Os países europeus querem sancionar a rússia, mas ao mesmo tempo tem que sobreviver e precisam da energia fornecida por outros países como seja a russia. Se não….., lá se vão as pessoas que vivem nesses países e que precisam também dessa energia.

  4. Onde é que a Alemanha vai buscar a energia dela, Uma das maiores economias da Europa, sem energia para laborar…………………

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