Rio vai “refletir a sério” sobre o adiamento das autárquicas (mas precisa do PS para dançar este tango)

Filipe Farinha / Lusa

O PSD vai pensar no adiamento das autárquicas nos próximos dias, mas para adiar estas eleições é necessário um acordo dos dois maiores partidos.

Esta quarta-feira, após uma reunião com o Presidente da República sobre a próxima renovação do estado de emergência, Rui Rio admitiu estar a pensar sobre o eventual adiamento das eleições autárquicas, previstas para outubro.

Vou refletir a sério e darei uma resposta nos próximos dias“, disse o líder do PSD aos jornalistas, quando questionado sobre o eventual adiamento das eleições, que está a ser analisado pela direção do partido.

Segundo o Expresso, o primeiro a defender um adiamento das autárquicas foi Pedro Santana Lopes em entrevista ao Diário de Notícias. O antigo líder social-democrata defendeu que o adiamento devia ser tratado “com tempo” porque as previsões para os próximos meses impossibilitam uma campanha “normal”.

“Uma coisa é a campanha para as presidenciais, que foi muito sui generis, mas tiveram a imprensa atrás e debates, mas nas autárquicas não é assim”, disse.

“Nas autárquicas, por muito que sejam conhecidos os candidatos, têm de ir correr as capelinhas todas, têm de ir a todas as freguesias, aos cafés, às coletividades, e isso é impossível nas circunstâncias atuais e que são previsíveis para os próximos meses”, insistiu Santana.

O presidente da comissão política distrital do PSD da Guarda, Carlos Condesso, considerou, também esta quarta-feira, prudente avaliar o adiamento em “pelo menos seis meses” das eleições autárquicas, devido à pandemia.

“Na qualidade de presidente da distrital do PSD da Guarda e de simples cidadão deste país entendo que seria prudente avaliar atempadamente se há condições de se realizarem eleições autárquicas este ano”, disse o dirigente social-democrata à Lusa.

Segundo Carlos Condesso, que é vereador da oposição na Câmara de Figueira de Castelo Rodrigo, o processo das eleições autárquicas “não se resume só ao dia das eleições, começando os contactos pessoais e a auscultação nos mais diversos partidos com muita antecedência”.

“O adiamento de pelo menos seis meses faz sentido, devido à situação pandémica que o nosso país está a atravessar e porque não está garantido que em setembro ou outubro a população já esteja toda vacinada e a imunidade de grupo já esteja garantida”, argumentou.

No entanto, para adiar as eleições é necessária a maioria – dois terços dos deputados de acordo. E, segundo o Observador, o PS não concorda.

José Luís Carneiro, secretário-geral adjunto do PS, disse esta quarta-feira que “é prematuro” falar-se na possibilidade de mexer no calendário eleitoral, face à evolução incerta da pandemia. “Talvez o líder da oposição esteja com receio de se confrontar com a sua oposição interna”, acrescentou, numa provocação clara a Rui Rio.

O socialista referiu que, até aqui, nunca se suspendeu a democracia e que as “eleições presidenciais ficaram marcadas por uma grande mobilização dos portugueses, em condições de grande limitação”.

À TSF, o presidente da Associação Nacional dos Médicos de Saúde Pública, Ricardo Mexia, defendeu que “talvez fosse melhor” adiar as eleições, mesmo que ainda exista “uma enorme incerteza” sobre a evolução da pandemia em Portugal.

“Sabemos que durante o verão, provavelmente e independentemente de tudo o resto, poderá haver uma diminuição da incidência”, pelo que “se não houvesse grande prejuízo do ponto de vista político ou jurídico, talvez fosse melhor” realizar as autárquicas “mais tarde”, sugeriu o especialista.

As autárquicas estão agendadas para este ano e têm de ser marcadas entre 22 de setembro e 14 de outubro, de acordo com a lei eleitoral autárquica, com, pelo menos, 80 dias de antecedência.

Liliana Malainho, ZAP // Lusa

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4 COMENTÁRIOS

  1. Acho muito bem, é o que resta da democracia que ainda não sofreu nenhum atentado …

    Isto não pode haver excepções, se á para assassinar a democracia, então que se faça com estilo.

  2. Atendendo ao desenvolvimento politico atual e que, Portugal necessita de uma mudança drástica com revisão obrigatória na legislação e visto que não há vontade democrática, O nosso PR está eleito também com o meu voto diga-se, ora temos Presidente, o PS prepara o assalto ao poder porque é governo a prazo, acabado o mandato da presidência Europeia cai, Para se manter no Governo precisa de algo extraordinário aconteça. os sucessivos confinamentos não deixam organizar legislativas Logo sem Governo e sem Autarcas por direito de voto, temos o nosso PR a mandar ou governo de salvação.

  3. Não sei se vale a pena haver eleições estás ou quaisquer outras.
    Quando está tanga acabar, não vai haver nada para governar!
    Para quê eleições?!

  4. Nesta altura e a situação do país em geral,faz muito sentido estar com preocupações sobre as autárquicas,francamente só se preocupam com os tachos.

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