António Rolo Duarte tentou “juntar uns trocos” para o seu doutoramento. Mas a campanha foi suspensa

António Rolo Duarte criou uma campanha de crowdfunding para angariar dinheiro para o seu doutoramento na Universidade de Cambridge. O estudante refere que tomou esta iniciativa porque a atribuição das bolsas de doutoramento foi adiada por tempo indefinido. A FCT já desmentiu e a campanha foi, entretanto, suspensa.

António Rolo Duarte, candidato a um doutoramento na Universidade de Cambridge, no Reino Unido, lançou uma campanha de crowdfunding, pedindo ajuda para pagar as propinas, cujo prazo termina no final de agosto. A notícia foi avançada esta quarta-feira pelo jornal Público e agitou as redes sociais.

A campanha Quem paga um café a este miúdo? tem como objetivo reunir 25 mil euros, o montante para lhe pagar o ano em Inglaterra. A “culpa”, segundo o estudante, é da entidade portuguesa que financia a investigação científica, que adiou “indefinidamente” a atribuição da bolsa que lhe sustentaria os estudos.

“A questão é a seguinte. Eu sou estudante de doutoramento. E na semana passada, o governo português pregou-me uma partida. O Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior adiou a atribuição das bolsas de doutoramento. Estas bolsas são a minha única fonte de financiamento. Então fiquei sem dinheiro para continuar a estudar”, explicou.

"Pagar um café a António Rolo Duarte" é a campanha nacional para financiar o meu doutoramento.Preciso de algum dinheiro…

Publicado por António Rolo Duarte em Segunda-feira, 3 de agosto de 2020

Contactada pelo Sapo24, a Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT), responsável pela atribuição de financiamento à investigação científica em Portugal, confirma que António Rolo Duarte apresentou uma candidatura ao Concurso para Atribuição de Bolsas de Investigação para Doutoramento de 2020, mas que esta se junta a outras 3.797, num concurso que prevê a atribuição de apenas 1.350 bolsas.

“Os candidatos são avaliados e selecionados por um processo de avaliação que está a decorrer, cujas regras também são conhecidas pelos candidatos e estão disponíveis publicamente”, explicou a entidade. “Estamos a trabalhar numa situação de probabilidade: ele é um candidato em 3.797 candidatos. Ele, simplesmente, está a partir do pressuposto de que vai ter uma bolsa.”

António Rolo Duarte explicou que a atribuição das bolsas tinha de ter acontecido até julho, mas o ministério “adiou indefinidamente” a divulgação dos resultados por causa da pandemia. A FCT terá dito ao estudante que pode ter de esperar até novembro por uma resposta.

Acontece que, segundo as normas da FCT, isto não é completamente verdade. A entidade tem 90 dias úteis, depois do encerramento do portal para as candidaturas, para divulgar os resultados provisórios. Com a prorrogação de um mês, a pedido dos candidatos a bolseiros, a instituição tem até ao dia 3 de setembro para revelar a quem entrega as bolsas.

Ainda assim, a FCT admite que é possível que algum funcionário tenha dito que os resultados do concurso saem só em novembro, porque esse é o prazo legal final para que os números definitivos sejam divulgados. Os provisórios costumam sair em agosto.

A FCT admite que o único adiamento que ocorreu neste processo foi a prorrogação do período de candidaturas em um mês, que terminou a 28 de abril em consequência dos desenvolvimentos relacionados com a pandemia.

Entretanto, a campanha para financiar o doutoramento de António Rolo Duarte em Cambridge foi suspensa. Segundo o Sapo, a informação consta no site GoGetFunding que servia de suporte à campanha de crowdfunding. A campanha foi suspensa quando contava com 242 apoios, no total de 4.860 euros.

Esta quarta-feira, a campanha do estudante foi tema de várias conversas nas redes sociais. Numa publicação no Facebook, António Rolo Duarte disse que “há alguns mal-entendidos a circular”, afirmando estar a ser “acusado de criar uma campanha com base numa mentira”.

Há alguns mal-entendidos a circular. Quero falar sobre eles. Vou clarificar algumas coisas. O que se passa é o seguinte:…

Publicado por António Rolo Duarte em Quarta-feira, 5 de agosto de 2020

“Obviamente, não é o caso. Era preciso eu ser um bocado tonto ou ter o meu sentido moral completamente invertido para o fazer”, escreveu. “Tudo o que eu tenho dito na minha campanha é verdade.”

ZAP //

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19 COMENTÁRIOS

  1. Ainda não foi aceite na seriação de candidatos! Está com contar com o “ovo”…num certo sitio!
    Entre os 3.797 candidatos, poderá não ter CV que supere os restantes, para conseguir uma das 1.350 bolsas.
    “Investigação académica sobre a História de Portugal” pode muito bem fazer o PhD em Portugal.
    Ainda não foi aceite e no perfil do Face coloca “Estuda Doutoramento em História de Portugal em University of Cambridge”
    Bom senso! E já agora pés na terra!

    • E já agora boquinha fechada não entra mosca nem sai asneira. Você acha que está a jogar bem com as probabilidades, ou estará antes a inveja a falar? Você é um excelente exemplo do tradicionalmente tuga, Nacional nvejosismo.

      A FCT atrasa a atribuição da bolsa e para si o gajo é que está a contar com o ovo. O mal dele foi contar com o ovo da FCT, que não cumpre o que deve.

      • Mas se a FCT demora, por regulamente, 90 dias entre a recepção das candidaturas e o anuncio dos resultados provisórios, onde é que a FCT se atrasou!?
        Isto é só um mais um esquema e os sinais estão todos lá. Meias verdades, mal entendidos etc…
        Se alguns podem ser o exemplo do tradicionalmente tuga o senhor ou senhora MMQ é o exemplo do tradicionalmente mentiroso ou mentirosa. Eu prefiro os tugas!

  2. “Estamos a trabalhar numa situação de probabilidade: ele é um candidato em 3.797 candidatos. Ele, simplesmente, está a partir do pressuposto de que vai ter uma bolsa.”

    – Este discurso da FCT é revoltante e infantil. É isto que caracteriza a relação cidadãos/instituições em Portugal. Em Portugal é tradição que quando haja um conflito entre uma instituição e um cidadão, o tribunal decide de olhos fechados pela instituição 99% das vezes. Repare-se que o que está em causa é a FCT ter adiado indefinidamente a atribuição de bolsas. A FCT tinha um prazo e falhou! Não é o António que está em falta nem que tem de se justificar. Não é a FCT que tem de estar a dizer que António Rolo Duarte está a partir do pressuposto de que vai ter uma bolsa… É a FCT que falhou nos prazos da atribuição.

    CLARO que ele se concorreu está esperançoso de conseguir. Porque é que a FCT não parte do princípio de que ele é um potencial sleccionado? Porque é que não o trata como tal e depois se ele não conseguir, simplesmente o informa? É asqueroso e vergonhoso ver a FCT a tentar mandar a boca de que ele se calhar até nem ganha a bolsa. Esta falta de profissionalismo seria impensável por exemplo no Reino unido. A FCT é que está a partir do pressuposto que ele não vai ganhar a bolsa e esta mentalidade apenas confirma aquilo que eu digo ser o lema da cultura de Portugal e dos Portugueses: Saca o máximo e dá o mínimo!

    • Totalmente em desacordo. Para todos os efeitos ele pode até nem vir a ter bolsa nenhuma. Se queria realizar o crowdfunding deveria ter dito que queria estudar em Inglaterra, tinha feito uma candidatura às bolsas da FCT, não sabia se conseguiria, mas mesmo se conseguisse o dinheiro não viria a tempo da inscrição. Assim seria transparente.
      Depois, o Miguel parte de outro pressuposto errado “Em Portugal é tradição que quando haja um conflito entre uma instituição e um cidadão, o tribunal decide de olhos fechados pela instituição 99% das vezes.”
      Isso é totalmente errado. Dava-lhe milhares de casos bem contrários ao que refere. Fique apenas com o último de um cidadão contra o Governo Regional dos Açores no caso da quarentena obrigatória. Mas há milhares de outros mais.
      Depois, geralmente, há um problema. Os tribunais decidem a favor dos cidadãos. Os organismos públicos recorrem, perdem-se anos nisso. E no final, depois do Estado ou administração local perder em última instância, começa a dificuldade de efetivar a decisão judicial. O poder público acha-se acima da lei e dos tribunais e não cumpre as decisões judiciais. Isso, sim, é mato neste país.

      • Por cada exemplo que você me der de um cidadão que ganhou em tribunal contra uma instituição (pública ou privada – guarde lá o seu ódio invejoso da função pública), eu dou-lhe dez em que aconteceu o contrário.

        Quer melhor prova de que em Portugal a mentalidade é sempre pró-instituição, do que o seu comentário a efender absurdamente a FCT?

        • Miguel Queiroz então você acabou de chamar mentiroso a si próprio. Primeiro diz que em 99% dos casos os tribunais decidem a favor das instituições e depois admite que por cada caso contrário existe um a favor, efectivamente admitindo que a coisa está bem dividia! Decida-se!

        • Totalmente errado. Conheço imensos casos de pessoas vs autarquias, pessoas vs instituições públicas… em que ganharam as pessoas individuais. Está mal informado. O problema coloca-se na efetivação das decisões dos tribunais. Em muitos casos, as instituições não cumprem as decisões judiciais, passando anos (muitos anos nalguns casos) sem que o cidadão venha a ressarcir-se da ação do Estado / administração local / grandes instituições.

          PS: Esta não percebi “(pública ou privada – guarde lá o seu ódio invejoso da função pública)”. É um sentimento seu que quis partilhar com o público?!

  3. Então mas um aluno que é aceite para Doutoramento na medíocre Universidade de Cambridge acha que pode aspirar a uma bolsa da magnífica FCT???!!! Que topete…

    • Exactamente… Mas infelizmente o Doutor acima acha que não. Até repete o disparate de dizer “Para todos os efeitos ele pode até nem vir a ter bolsa nenhuma”. Ora isto mostra duas coisas:

      1. Não leu o meu comentário ao qual responde, no qual eu claramente digo “Porque é que a FCT não parte do princípio de que ele é um potencial sleccionado? Porque é que não o trata como tal e depois se ele não conseguir, simplesmente o informa? É asqueroso e vergonhoso ver a FCT a tentar mandar a boca de que ele se calhar até nem ganha a bolsa. ” – claramente o problema é precisamente uma instituição como a FCT estar a dizer que se calhar ele nem ganha.

      2. Não percebe que alguém que já foi aceite em Cambridge onde já fez mestrado, muito provavelmente estará entre os 1350 seleccionados e merece como é óbvio o benefício da dúvida de que conseguirá. O estúpido, imaturo, infantil e cretino, é uma instituição como a FCT estar a insinuar que ele até poderá ficar de fora, quando nada se sabe graças à incompetência e ao atraso da própria FCT.

      • Pessoalmente acho que o anúncio do café devia ser mais transparente. Assim parece apenas uma forma de culpabilizar o Estado. Ele até deverá ter direito à bolsa mas, obviamente, nenhuma entidade pública pode “reservar” seja o que for a alguém sem que todas as partes interessadas sejam ouvidas e, neste caso, apenas se considera que tal estará realizado depois dos resultados do concurso serem divulgados. Poderíamos até estar num ano estranho em que todos os génios do país acordaram a formalizaram candidaturas às bolsas da FCT.

  4. Isto é ridículo, e ultrapassa o bom senso. Agora para pagar os estudos, sejam eles quais forem, recorre-se à pedinchice? Quer tirar um doutoramento? Faça como muito boa gente, vá trabalhar e ganhar dinheiro. Aliás o título desta peça humorística é enganador e exemplar da linha editorial deste pasquim: António Rolo Duarte tentou “juntar uns trocos” para o seu doutoramento??? Até parece que o rapaz andou a entregar pizzas para juntar dinheiro, mas não, segundo a ótica deste pasquim, lançar um “crowdfunding” que em português significa pôr um grupo de parolos a pagar os luxos de um espertalhão, é juntar uns trocos. Simples. Vamos lá todos também juntar uns trocos. Eu até estou a pensar trocar de carro.

  5. A FCT não fechou portas, atrasou os resultados em função do atraso de 1 mês na entrega das candidaturas. Não houve ninguém a reclamar em abril por o prazo ter expandido, pois não?

    Depois, de 1350 bolsas/3797 candidatos, este puto tem 35.554%, pouco mais de 1/3 de probabiliad de ser seleccionado, como qualquer phd de cambridge saberá, por isso se calhar ele está a pensar já em favas contadas. Entre ele e outros candidatos a Oxford, ao MIT, a Stanford… diria que ele tem ~2/3 de chances de sair desiludido

    E depois, se por alguma razão não conseguir a bolsa, um candidato a cambridge de certeza que algo consegue arranjar. Não é assim um caso grave de ir viver para baixo da ponte. Talvez descubra outras vias que não a do “aluno profissional”…

    Isto parece mais uma não-notícia, uma oportunidade para quem aproveita para se queixar de tudo ter mais uma razão para tal. Na minha humilde opinião, como ex-aluno do IST, e ex-candidato a bolseiro , e que sabe que essa malta do FCT não é flôr que se cheire…

  6. Há campanhas de angariação de fundos para tudo (crowdfunding em British) é mais “chic”. Algumas destas pedinchas, foram desmascaradas como puras vigarices. Não digo que este “Crowdfunding” seja o caso, o futuro o dirá. Entretanto cada um sabe de si, quem quiser contribuir, que o faça, e se um Dia se arrepender é com Ele. Se se tratou de uma vigarice, a PJ que investigue !…….

  7. Este Beto tem muita lata, a contar com o ovo naquele sítio da galinha ou a tentar tirar partido duma situação destas para angariar algum concerteza para quando ficar desempregado com o seu canudo em história. Deve achar mesmo que é muito especial e o centro do mundo. Vai é ficar sem bolsa e sem crowdfunding e completamente queimado no mundo académico, mas pronto, como se esforçou muito os paizinhos já vão parar com o bluff e pagar o curso afinal. E com isto mudar o mundo, que será um local bem melhor, irreconhecível diria, com o seu doutoramento em história de Portugal.

  8. É mesmo o cúmulo do entitlement, de achar-se a última bolacha do pacote, para crer que o mundo curvar-se-á aos seus pés para realizar-lhe a fantasia. É só boomers artistas neste país a precisar de um choque de realidade. Sei lá, arranja um trabalho para pagar os estudos, ou algo do género, como as pessoas normais. Em vez de ficar à espera de algo que pode nunca acontecer e de ser um parasita da sociedade.

  9. Uma maneira chique de pedir esmola.
    Estou a precisar de um apartamento e de um carro novo…
    Acho que vou fazer uma campanha de crowdfunding.

  10. Como é que me escapou mais uma “cena” deste dejecto?? 
    Fica o melhor resumo da “situação dramática” do betinho (a partir do minuto 2:12):
    youtube.com/watch?v=ypxzudbf7dQ

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