Rivalidade entre China e Índia é obstáculo à maior aproximação entre os BRICS, diz especialista

CJCS / Flickr

O Presidente da China, Xi Jinping

Apesar de os BRICS representarem “o tipo de relações entre países que queremos no século XXI”, a rivalidade entre a Índia e a China ainda é um obstáculo a uma maior integração, dizem os especialistas.

Na quinta-feira, vários especialistas debateram as relações entre os BRICS e a União Europeia em seminário organizado pelo Clube Valdai de Discussões Internacionais.

As relações entre a Europa e diversos membros do BRICS, como Brasil, Índia e África do Sul, foram historicamente marcadas pelo colonialismo.



A Rússia diverge dos demais países do BRICS, uma vez que enfrentou e enfrenta conflitos em fase aguda com a Europa”, frisou o diretor do programa Política Externa da Rússia da Escola Superior de Economia de Moscou, Dmitry Suslov.

“Atualmente, a Rússia já não trata a Europa como um outro significativo. As suas relações com a China, Índia e Brasil não são usadas como moeda de troca para o seu relacionamento com o Ocidente”, notou Suslov.

Além disso, “a Rússia nem sempre olha para a Europa como um grupo independente, mas sim como um ator fortemente influenciado pelos EUA”.

Para o especialista, diferente da União Europeia, os BRICS garantem um espaço de diálogo equitativo entre os membros.

“As relações entre os países do BRICS representam exatamente o que a Rússia espera de uma nova ordem mundial: policentrismo, diversidade e respeito pelas diferenças”, disse Suslov.

O diretor do Clube Valdai, Timofei Bordachev, concordou, ao referir que “no BRICS nenhum país pode impor o seu ponto de vista a outro, nem se comportar de maneira hegemónica, ao contrário do que vemos em alguns organismos ocidentais modernos”.

“Os BRICS representam o tipo de relações entre países que queremos ver no século XXI”, resumiu Bordachev.

Pedra no sapato

Apesar do potencial, um dos maiores obstáculos para uma maior integração entre os países do BRICS é a rivalidade entre Índia e China.

“Mesmo que a China seja o maior parceiro comercial da Índia, essas relações económicas não estão a traduzir-se num melhor relacionamento político”, disse a investigadora Nivedita Kapoor, da Observer Research Foundation, à Sputnik.

“Para que as relações comerciais possam garantir melhores relações políticas, é necessário que as relações económicas sejam relativamente equilibradas”, disse Vasily Kashin, investigador da Escola Superior de Economia de Moscovo.

“O volume de comércio entre China e Índia é enorme, mas geram um défice considerável para Nova Deli”, notou Kashin. “Para fazer da economia uma base para as relações políticas, as partes terão que trabalhar muito”, sublinhou. Para Kapoor, “uma relação comercial forte não é o suficiente”.

O especialista frisa que “os acontecimentos no leste de Ladakh, que ocorreram durante a pandemia, estremeceram as bases políticas das relações entre Índia e China”.

Entre junho e julho de 2020, os soldados da China e da Índia entraram em confronto na região contestada de Ladakh. Além de várias vítimas, o conflito gerou uma onda de provocações mútuas, notícias falsas e desconfiança.

“A Índia atualmente tem uma forte perceção de que a ascensão da China como potência representa uma ameaça à sua segurança, especialmente porque Pequim e Nova Deli têm disputas territoriais”, refere Kashin.

A China e a Índia não possuem fronteiras claramente delimitadas tanto na região de Ladakh, como na Caxemira, onde a situação ainda envolve o Paquistão.

De acordo com Kashin, “os problemas poderiam ser resolvidos através do diálogo, mas as partes precisariam de estar prontas para fazer concessões, o que nem sempre é o caso”.

A rivalidade entre Índia e China exigirá “trabalho diplomático árduo” por parte dos BRICS, concluiu o especialista.

ZAP ZAP //

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