Há o risco de novas eleições a meio da legislatura, avisa Marques Mendes

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António Cotrim / Lusa

O conselheiro de Estado e antigo líder do PSD, Luís Marques Mendes

No seu habitual espaço de comentário na SIC, este domingo à noite, Luís Marques Mendes anteviu que das próximas eleições sairá um Governo minoritário e que haverá um risco de novas eleições a meio da legislatura.

Luís Marques Mendes começou por falar sobre o inevitável: a pandemia de covid-19. O comentador salientou que “há um certo sentimento de alarmismo” por parte de uns, enquanto outros “têm uma certa intenção de desvalorizar o que está a suceder”. Na sua opinião, não pode ser “nem 8 nem 80”.

Apesar de o número de infetados estar a crescer de forma galopante, o número de internados cresce de forma marginal.

“A solução neste momento passa por três questões essenciais: comunicação, manutenção das medidas em vigor e vacinação”, disse Luís Marques Mendes.

A comunicação é um problema atualmente, segundo Marques Mendes, que sugere que se introduza um SIMPLEX na Direção-Geral da Saúde (DGS). O intuito seria facilitar a vida aos pacientes infetados no site da DGS quando procuram informações sobre o que devem fazer.

Esta quarta-feira, o Governo vai voltar a reunir-se com os peritos epidemiológicos, no Infarmed, para decidir sobre se vão manter-se as medidas em vigor. A decisão política deverá ser tomada no dia seguinte, avisa o ex-ministro.

Quanto à vacinação, Marques Mendes sublinhou que é necessário “vacinar com a terceira dose as pessoas com mais de 60 anos”.

Na África do Sul, onde foi descoberta a variante Ómicron, os doentes assintomáticos não precisam de ficar em isolamento, bastando o uso de máscara. E as pessoas que tiveram contacto com casos positivos deixam de estar em quarentena e só precisam de fazer teste caso venham a ter sintomas.

Assim, Marques Mendes sugere que na próxima reunião do Infarmed seja debatida esta questão, colocando-se a hipótese de seguir o exemplo sul-africano.

Para Luís Marques Mendes, a questão da estabilidade política em Portugal será a principal incerteza neste ano de 2022.

Relativamente ao Governo que vai sair das próximas eleições legislativas, dia 30 de janeiro, o antigo ministro sugere que não há condições para um Governo de maioria absoluta, de um só partido.

Não vamos ter um governo de bloco central, disse Marques Mendes, já que António Costa e Rui Rio rejeitam esta possibilidade. Além disso, o comentador político entende que também não se repetirá uma geringonça.

Luís Marques Mendes prevê que vamos ter “muito provavelmente um Governo minoritário, do PS ou do PSD”, liderado por António Costa ou Rui Rio e com um “apoio precário na Assembleia da República”.

Isto significa que podemos ter um Governo de curta duração — dois anos —, com o risco de novas eleições a meio da legislatura.

O antigo líder do PSD também comentou a recente sondagem SIC/Expresso relativa às próximas eleições legislativas. Para o PS, a sondagem “é boa mas suscita preocupações”, uma vez que “está a descer nas intenções de voto”.

Por sua vez, para o PSD, “a sondagem não é brilhante mas alimenta boas expectativas”, já que estão a subir nas intenções de voto.

Com uma bipolarização entre socialistas e sociais-democratas, “os pequenos partidos vão encolher ou vão encolher ainda mais”, prevê Marques Mendes.

Com o início dos debates eleitorais, o conselheiro de Estado acredita que o Chega e a Iniciativa Liberal que vão sair por cima, já que são partidos que “precisam de visibilidade e suscitam curiosidade em vários nichos de mercado eleitoral”.

Em sentido contrário, o PCP e o Bloco de Esquerda deverão ser os partidos que mais vão “perder” com os debates.

  ZAP //

1 Comment

  1. Ainda bem que este visionário “avisa”… ele que ainda há pouco garantia que o Orçamento não seria chumbado e que o governo não cairía…

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