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Rio suspeita de crime no Novo Banco, ressuscita fantasma Sócrates e acena a um Chega “moderado”

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João Relvas / Lusa

O presidente do Partido Social Democrata (PSD), Rui Rio

Esta quarta-feira, em entrevista à RTP3, Rui Rio falou da venda de imóveis do Novo Banco a preço de saldo, do eventual entendimento com um Chega “moderado” e ressuscitou o fantasma Sócrates a propósito do hidrogénio.

Rui Rio voltou a desafiar o Ministério Público a investigar as vendas de ativos do Novo banco, apontando o dedo ao Governo por continuar a pagar faturas de milhões de euros sem apurar o que se está a passar.

“Eu não tenho dúvidas, tenho uma certeza: o Governo não cuidou de conferir as faturas que o Novo Banco lhe mandou. Vai pagando as faturas sem cuidar de ver se as perdas são eventualmente provocadas, perdas que são pagas pelo dinheiro de todos nós. Isto é dantesco”, criticou, em entrevista à RTP3.

Para além de sublinhar a “gravidade política” do caso, Rui Rio não esquece a parte judicial. “Acho que há uma questão criminal no Novo Banco.”

No início de julho, o Público noticiou que o lote de quase 200 imóveis vendido em agosto de 2019 com um desconto próximo de 70% a entidades ligadas ao fundo de investimento Cerberus teve perdas de 328,8 milhões de euros e que esse fundo é o principal acionista do banco austríaco Bawag PSK, que era liderado por Byron Haines até meados de 2017, pouco antes de este assumir o cargo de chairman do Novo Banco..

Já esta semana, o diário noticiou que a venda de outro conjunto de imóveis feita em outubro de 2018 (projeto Viriato) foi feita a entidades de um fundo registado nas ilhas Caimão em que se desconhecem os donos, com preço muito abaixo do registado (os imóveis estavam registados por 631 milhões de euros e foram vendidos por 364 milhões), tendo o Fundo de Resolução coberto perdas de centenas de milhões de euros.

Além disso, o negócio foi feito com dinheiro que o Novo Banco emprestou ao fundo para este fazer esta aquisição.

Hidrogénio e a ressurreição do fantasma Sócrates

Durante a entrevista, conduzida pelo jornalista Vítor Gonçalves, o líder social-democrata foi desafiado a apontar falhas ao Governo. Rui Rio fez uma salvaguarda, sublinhando que não estava ali “para fazer oposição ao Governo, para fazer oposição por pequeninas coisas”. “O PSD não é um partido de nicho, não anda nas pequeninas coisas.”

Depois da clara mancha negra do Novo Banco, Rio centrou-se em duas outras grandes falhas: o dossiê da TAP e o plano de investimento no hidrogénio.

Acerca do primeiro tema, o presidente do PSD considera que António Costa devia ter deixado falir a TAP, dada a ausência de um plano de reestruturação da empresa. “A primeira coisa que o Estado tinha de ter exigido era um plano de negócio e de reestruturação para a TAP. Esse plano não apareceu e o Governo disse alegremente ‘toma lá 1200 milhões de euros’. [Sem plano], mais vale deixar cair.”

Já em relação ao hidrogénio, Rui Rio considera que o plano faz lembrar José Sócrates (e não pelos melhores motivos). O plano significar um investimento de 10 mil milhões de euros, pelo que o social-democrata não tem dúvidas: vem aí um esquema assente em rendas excessivas, em tudo semelhante ao aconteceu com as energias renováveis.

“São projetos megalómanos que já tinham existido com José Sócrates e o Governo parece não ter aprendido nada.”

Se o Chega se “moderar”, o PSD abre a porta

“Se o Chega evoluir para uma posição mais moderada penso que as coisas se podem entender. Se o Chega continuar nesta linha de demagogia e populismo como tem tido, está aqui um problema, porque aí não é possível um entendimento com o PSD. Face àquilo que tem sido o Chega, descarto. Espero que o Chega possa evoluir para um plano mais moderado. Tem de mudar”, disse.

A possível aliança é há muito uma hipótese, ainda que Rui Rio rejeite a linha dura do partido de André Ventura. Com o Chega a crescer e cada vez mais forte, Rio não tem dúvidas de que não depende do PSD uma negociação com aquele partido. “Depende do Chega.”

Se André Ventura se moderar, a porta abre-se e Rui Rio acena. Em contraponto, se o Chega continuar numa “linha de demagogia e de populismo”, a porta fecha-se.

Votar a favor do próximo OE? “Improvável”

“O primeiro-ministro já disse que o Orçamento será negociado com o PCP e com o BE. O PSD o mais que tem é recuar para a bancada, esperar pelo Orçamento e avaliar. Agora, a probabilidade de concordar com aquele Orçamento é grande? Não, é reduzidíssima“, atirou o social-democrata, afastando a hipótese de bloco central.

“E vai ser um documento excelente porque vai ser sem austeridade, que foi aquilo que prometeram PS, Bloco de Esquerda e PCP. Vai ser limpinho e sem austeridade”, acrescentou, recorrendo à ironia para vincar a posição do partido.

Em relação às eleições presidenciais, e já no fim da entrevista, Rui Rio admitiu que o PSD “provavelmente” terá como “candidato natural” Marcelo Rebelo de Sousa, admitindo, porém, que não esteve de acordo com tudo.

Já sobre as autárquicas, Rio diz que já estão a ser pensadas, garantindo ter “uma equipa que sabe de autarquias”. O líder do PSD, que já foi presidente da Câmara Municipal do Porto, admite que já pensou em escolhas, mas não revelou nomes – nem para o Porto, nem para Lisboa.

  LM, ZAP // Lusa

10 Comments

  1. Um PSD aliado ao Chega, com o melhor de ambos (e isto é importante), será muitiiiiiiissimo melhor do que a geringonça, essa criação ideológica que nos sufoca e que não permite que Portugal descole do atoleiro onde caiu.
    Eu estarei ainda mais esperançoso que a Iniciativa Liberal cresça no caminho certo e que confirme os muito bons sinais que está a dar.
    Finalmente uma lufada de ar fresco, que tanta falta fazia no meio deste sufoco.

  2. Com a capa do Sócrates há muitos de quem não falam e eles são tantos e tantos, mas por qualquer milagres há uma certa casta ou é abafada, arquivada e até as provas desaparece, e sobre a investigação começada em 2018 ao PS e ao PPD parece que evaporou falaram nessa altura mas tanto os jornalistas como os investigadores remeteram-se ao silencio, seria interessante sabermos quantos Procuradores, Investigadores são militantes e simpatizantes do PPD, PS e do CDS.

  3. Um Chega moderado como? Um Chega como os outros partidos que se têm abotoado e têm abotoado os amigos? Um Chega que se esteja nas tintas para a Justiça e faça leis só a favor de bandidos e ladrões? Um Chega como os partidos que temos tido que seja forte para a fracos e fraco para os fortes? Um partido que carregue o Povo de impostos para sustentar bancos falidos, chulos e chupistas? Um partido que permita 230 comilões na A. R.? O senhor Rio ainda há dias disse que a corja deste governo anda a gozar com os contribuintes e agora fala num Chega moderado como eles??

  4. Como sempre disse …vindo a hora de votar, os Portugueses terão de escolher somente entre o menos Mau e o Pior, porque Bom , não há !…..ou não dar poder a nenhum !

  5. Rui Rio depois de ter enfiado a carapuça até ao pés acerca da última votação para a presença do PM na assembleia agora parece que arrebitou e já percebeu que não tem que estar sempre sorridente para o António Costa. Fez-lhe bem! Que defenda os interesses de Portugal. É para isso que lhe pagamos. Já agora, que deixe de estar sempre a rir, parece que está a gozar com os portugueses. Os políticos portugueses e sobretudo os membros do governo também parece que estão sempre a gozar com os portugueses. Será que já não levam nada a sério!!

  6. Agora há um fulano a dizer que “Temos que dar o benefício da duvida”, mas não. Quem venda a sociedades sediadas nas Ilhas Cayman, não merece este benefício, pois ocultou de propósito a possibilidade de auditoria. Isto chama-se em Português: “Má-fé !”.

  7. Eu só voto no PCP, para Portugal sair da UE, o país virar pobre, os Salgados dos BES´s fugirem todos do país como ratos fogem à fome. Vir uma nova ditadura, para acabar com todos os xuxalistas, digo socialistas que engordam como suínos às custas do pobre iletrado, do invejoso provinciano, do intelectual ateu, do ambicioso jovem cábula, do homem sem cromossoma y, das mulheres com cromossoma y. Assim Portugal será uma social democracia, como os países da Europa do Norte onde se respira ar puro, junto com desenvolvimento, bem-estar económico e social e não a poluição de ideias mofas de BE, a ideologia diabólica de “ajoelha-te a mim” de PS, o budismo do PAN, as milhares de espécies não humanas e extraterrestres do PEV.

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