Rio diz que Governo “vai levar ao colo” Medina. Moedas ataca o rival e diz que as suas promessas não valem nada

ppdpsd / Flickr

Rui Rio e Carlos Moedas

O presidente do PSD, Rui Rio, afirmou esta quinta-feira que o Governo “vai levar ao colo” o candidato socialista à Câmara Municipal de Lisboa, porque “pelas guerras e desequilíbrios internos” não pode perder a eleição autárquica na capital.

Rui Rio falava na apresentação da coligação autárquica para Lisboa “Novos Tempos”, encabeçada por Carlos Moedas, e que reuniu no Jardim da Estrela os líderes do PSD, CDS-PP, PPM, MPT e Aliança.

“Estamos hoje em dia de Benfica-Porto e eu diria, nessa linguagem, que vão por a carne toda no assador em Lisboa. O Governo vai levar o dr. Fernando Medina ao colo na medida do possível e tem contado com algumas ajudas que não devia contar”, alertou.

Em concreto, o líder do PSD criticou que quer Fernando Medina, mas também o atual presidente de Câmara e recandidato ao Porto Rui Moreira, mantenham o “comentário político nas televisões todas as semanas” e nos quais considera que não lhes são feitas as “perguntas incómodas”.

“A democracia e a transparência exigem igualdade de circunstâncias, faço um apelo a que, em nome dos princípios democráticos, todos os candidatos tenham as mesmas condições de disputar com lealdade a eleição de Setembro ou Outubro”, apelou.

O líder do PSD admitiu que “não vai ser uma tarefa fácil” vencer a Câmara de Lisboa. “Mas quanto mais difícil, maior e mais saborosa é a vitória no dia em que acontece. A vitória desta coligação e a eleição de Carlos Moedas vai ser particularmente saborosa”, vaticinou.

No dia em que o PSD comemora 47 anos desde a fundação do então PPD, Rio foi saudado pelos restantes líderes partidários por essa data, mas centrou a sua breve intervenção na capital.

“Lisboa está muito, mas muito longe da qualidade de vida que aqui é possível dar aos lisboetas”, defendeu, considerando que “aqueles que mais sofrem com a centralização e concentração do país são os lisboetas”.

Rio lembrou a sua experiência como presidente da Câmara do Porto para dizer que, se estivesse na pele de Moedas, “nem saberia por onde começar, tal é a tarefa, tantos são os problemas estruturais”.

“Se aquilo que é preciso aqui são mudanças, o último partido em que se deve votar é no PS, que é o partido mais conservador e mais avesso à mudança na prática”, apelou.

Tal como tem repetido, Rio considerou que os partidos não podem exigir a vitória a todos os seus candidatos, mas é sua responsabilidade apresentar “candidatos credíveis”.

“O primeiro passo é oferecer aos lisboetas a possibilidade de terem, se quiserem, um excelente presidente da Câmara”, disse, considerando que Moedas reúne as três características que fazem dele credível: competência, seriedade e coragem.

“As promessas não valem nada na boca de Fernando Medina”

Carlos Moedas teceu duras críticas ao adversário acusando o socialista de não ter “visão” para a cidade e de ser apenas e só um somatório de promessas por cumprir. “As promessas não valem nada na boca de Fernando Medina”, denunciou.

O ex-eurodeputado disse estar muito curioso para conhecer o novo programa eleitoral do seu adversário sugerindo, com ironia, querer saber se o atual autarca “vai prometer os mesmos 14 centros de saúde” que prometeu em 2017, ou os mesmos 6 mil fogos de renda acessível “que nunca fez”, ou as mesmas “600 camas de cuidados continuados” que nunca disponibilizou ou ainda os mesmos “320 lugares em parques dissuasores” que ia construir e não construiu. “Medina nunca o cumpriu o programa eleitoral“, cita o Observador.

Moedas acusou ainda o socialista de ter como único objetivo político agradar a António Costa.

O social-democrata disse estar empenhado em protagonizar uma “mudança radical” em Lisboa, rompendo “14 anos de um PS que depende de uma extrema-esquerda”.

“Marco de mudança”

No Jardim da Estrela, em Lisboa, os cinco partidos assinaram o acordo para a coligação encabeçada pelo social-democrata Carlos Moedas, que será o candidato à Câmara Municipal de Lisboa.

Francisco Rodrigues dos Santos, líder do CDS, manifestou o desejo de que “estas eleições possam constituir um marco de mudança, que possam virar a página do socialismo e mobilizar um projeto alternativo”.

Fazendo rasgados elogios ao percurso de Carlos Moedas, o democrata-cristão pediu uma “oportunidade” aos lisboetas para que o antigo comissário mostre na capital o que já foi capaz de mostrar quando desempenhou cargos europeus. “Depois de 14 anos de socialismo, não queremos mais do mesmo com os mesmos“, disse Rodrigues dos Santos.

Na sua intervenção, o presidente do CDS-PP elogiou várias vezes o candidato e disse também que o partido sabia que tinha de “apoiar Carlos Moedas” e fê-lo “de forma sincera e convicta mesmo antes” de ter “quaisquer garantias de que seriam satisfeitas” as suas condições, nomeadamente “ao nível da chave de repartição de oportunidades”.

Assim, “é com muito entusiasmo” que o CDS-PP participa nesta coligação, garantiu.

Por sua vez, Gonçalo da Câmara Pereira, do PPM, não esconde a expectativa de fazer de Lisboa uma alavanca para “varrer este governo marxista que existe neste país”. “Carlos Moedas pode fazer a diferença. Vamos ajudar Lisboa a voltar a ter cultura própria”, pediu.

Pedro Soares Pimenta, líder do MPT, prometeu ajudar a construir um “projeto novo, válido e exequível”, por oposição àquela que tem sido a governação socialista de Fernando Medina.

Paulo Bento, presidente da Aliança e sucessor de Pedro Santana Lopes, elogiou a candidatura de Carlos Moedas e deixou claro que a estratégia deve passar pela “apresentação concreta e corajosa das diferenças que tem para os outros candidatos”.

ZAP // Lusa

 

 

 

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1 COMENTÁRIO

  1. O Moedas a falar que as promessas do Medina não valem nada, como se as promessas dos políticos sejam eles Direita,Esquerda ou Centro valem-sem alguma coisa, ainda está para nascer o primeiro político que faça promessas e as cumpra, quando chegam ao poder seja ele Governo Central ou Autárquico vem com a desculpa já muito esfarrapada que a culpa foi do anterior Governo ou Autarca.

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