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Ricciardi quer criar banco para regenerar nome da família Espírito Santo

José Maria Ricciardi diz que vai tentar criar um novo banco para “regenerar o nome da família Espírito Santo”, baseado num conceito diferente dos bancos clássicos.

Em entrevista ao jornal Público, José Maria Ricciardi, ex-administrador do Banco Espírito Santo (BES), disse que vai tentar criar um banco para “regenerar o nome da família Espírito Santo”.

O antigo banqueiro afirmou que tem acompanhado os julgamentos de Ricardo Salgado e do BES, mas absteve-se de fazer qualquer comentário uma vez que foi chamado como testemunha de Ministério Público (MP).

Questionado sobre como é que um ex-membro do conselho de administração do BES pode alegar que não sabia de nada do que ali se passava, Ricciardi explicou que a única coisa que pode dizer é que foi “totalmente ilibado” após seis anos de toda a sua vida terem sido passados a pente fino.

“Uma coisa é desconfiar, outra é ter provas”, disse o antigo administrador do BES. “Se o MP com capacidade legal, com cartas rogatórias e meios, demorou seis anos a apanhar os movimentos que passavam todos lá por fora, por offshores, com esquemas de engenharias financeiras sofisticadas… Agora ponha-se nos meus sapatos e diga-me como é que eu podia saber? Que poderes investigatórios eu tinha? Tinha menos do que um auditor”.

Ricciardi confessou que a única forma de ele saber seria se Ricardo Salgado desabafasse consigo. Além disso, alega ter sido “um tipo completamente marginalizado” e que quando começou a ter provas, transmitiu-as imediatamente ao Banco de Portugal.

O antigo banqueiro admite que podia ter feito melhor, mas que a idoneidade nunca lhe foi retirada e que só saiu do cargo de presidente executivo do antigo BESI por “divergências estratégicas” e não por razões regulatórias.

Em declarações ao Público, disse ainda que a exposição descontrolada do BES ao BESA não lhe fez acender a luz vermelha. “De Angola só vinham boas notícias”, disse Riccardi, explicando que “o problema estava na carteira de crédito que existia no BESA”.

Em 2012 e 2013, José Maria Ricciardi deu informações ao BdP sobre a situação no BES. No entanto, tem defendido o BdP dizendo que não podia ter atuado antes de 2014.

“Com a informação que tinha, o BdP foi atuando. Há outros aspetos criticáveis tanto ao BdP, como ao Governo do dr. Pedro Passos Coelho, que foi a resolução do BES. Quem quis a solução foram as autoridades europeias, que usaram um banco centenário para fazer experiências. O resultado está à vista: um prejuízo brutal para os contribuintes portugueses, para os stakeholders do BES, acionistas, obrigacionistas, detentores de papel comercial”, atirou o ex-administrador.

Embora seja um confesso admirador de Pedro Passos Coelho, Ricciardi admite que “se o tema BES tivesse sido tratado por este Governo o desfecho teria sido provavelmente outro”. Na sua ótica, o BES devia ter ficado no Estado e ter-se negociado uma capitalização pública.

Para avaliar a gestão do Novo Banco, Ricciardi diz que tem de saber “duas coisas essenciais” que não foram apuradas pelos deputados da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI): o nome dos compradores finais dos ativos do Novo Banco e quanto é que ganharam.

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“Fui desafiado a regenerar o grupo por um elemento da minha família. Mas já não sou novo e espero ter energia e tempo pela frente para cumprir esse desejo”, disse José Maria Ricciardi, propondo criar um novo banco, baseado “num conceito diferente dos chamados bancos clássicos”, virado para o mundo digital.

“A família Espírito Santo era conhecida em todo lado, o melhor nome da banca portuguesa foi destruído. Se conseguir começar a fazer a sua regeneração, para que as gerações seguintes o desenvolvam, partirei desta vida com a consciência tranquila de que fiz tudo o que podia”, acrescentou.

  ZAP //

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