Reserva de tigres está a salvar uma aldeia indígena do trabalho sexual

A aldeia de Tikarpada, no estado indiano de Odisha, subsistia maioritariamente devido ao trabalho sexual, introduzido naquela região remota em 1950. Essa realidade, perpetuada por décadas, finalmente mudou. A aldeia, nas margens do rio Mahanadi, recebe agora visitantes que procuram outra atração: a Reserva de Tigres de Satkosia.

Tikarpada fica a cerca de 24 quilómetros da reserva, um projeto de conservação que atrai multidões de turistas que esperam encontrar animais selvagens raros, enquanto passeiam de barco, relata um artigo do Ozy. Criado em 2007, este projeto reúne duas iniciativas anteriores de conservação – o Satkosia Gorge Sanctuary e o Baisipalli Wildlife Sanctuary.

A reserva oferece igualmente algo não pode ser encontrado noutras iniciativas de conservação: a oportunidade de ver como o turismo de vida selvagem pode transformar uma comunidade dependente do trabalho sexual, dando-lhe uma alternativa económica.

Com 599 quilómetros quadrados, distribuídos por quatro distritos de Odisha – Angul, Cuttack, Nayagarh e Boudh -, a reserva está localizada na interseção de dois dos mais importantes pontos de referência geológica da Índia: o vulcão Deccan Plateau e a cordilheira Gates Ocidentais.

Com o crescimento do turismo potenciado pela reserva, atualmente os aldeões de Tikarpada trabalham como cozinheiros, zeladores e guias nos hotéis e nos campos de vida selvagem. Alguns abriram lojas e restaurantes. Os cruzeiros fluviais, organizados por 20 famílias da aldeia, são também particularmente populares.

Os passeios de barco de uma hora, que custam entre oito e dez dólares (entre sete e nove euros), permitem avistar a vida selvagem e as aves migratórias, como o pato ruivo. Os visitantes que percorrem as trilhas da aldeia podem ver cervos, elefantes, crocodilos e, se tiverem sorte, tigres.

O facto de não apenas estar a salvar a vida selvagem, mas também a ajudar a criar empregos para mais de 200 moradores, que tem poucas opções de trabalho, é exatamente o que diferencia esse projeto dos restantes, lê-se no artigo.

“Fomos obrigados a fazer sexo para pagar as contas”, indicou ao Ozy Sangeeta (nome alterado para proteger a identidade), que agora trabalha na construção da reserva, onde recebe três dólares (cerca de 2,66 euros) por dia.

Há dois anos, numa reunião do conselho da aldeia, os moradores decidiram pôr fim ao trabalho sexual como o motor económico da sua comunidade.

Contudo, ter tigres no quintal pode ser problemático. E mortal. Uma tigresa chamada Sundari (Beleza, em hindi), que havia sido transferida de Madhya Pradesh para Satkosia, matou duas pessoas em aldeias perto de Tikarpada, em 2018.

Os aldeões responderam com protestos contra a transferência de animais, o que levou o departamento florestal a planear viagens para a reserva, com o intuito de explicar às comunidades locais como podem coexistir com sucesso com os animais.

Enquanto isso, os moradores adaptam-se de outras formas, aprimorando a hospitalidade e ajustando os alimentos locais ao gosto dos turistas. “Nós servimos frango, caril, arroz, leguminosas e peixe fresco do rio, à vontade dos hóspedes”, disse Laxman, um zelador do Tikarpada Nature Camp.

E a reserva continua a evoluir: os visitantes já podem fazer reservas ‘online’. De acordo com o Departamento de Turismo de Odisha, a região em torno de Tikarpada – a mais popular entre os turistas que visitam a Reserva de Tigres de Satkosia – recebeu 67 mil visitantes em 2017.

Taísa Pagno TP, ZAP //

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