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AstraZeneca lembra que Reino Unido fechou acordo três meses antes da UE

Hendrik Schmidt / EPA Pool

O presidente-executivo da farmacêutica britânica lembrou que o Reino Unido fechou acordo três meses antes da União Europeia. “Estamos a dar o nosso melhor”, assegurou.

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A AstraZeneca informou a União Europeia (UE) que iria reduzir em 60% as entregas da sua vacina devido a problemas de produção. O Executivo comunitário bateu o pé, para garantir que as doses pré-financiadas não estão a ser entregues a outros países.

Agora, numa entrevista ao jornal italiano La Repubblica, o CEO da farmacêutica britânica, Pascal Soriot, afirmou ser totalmente falsa a ideia de que a empresa possa estar a desviar vacinas para o Reino Unido.

“No acordo com a UE é referido que os locais de produção no Reino Unido são uma opção para a Europa, mas só mais tarde. O contrato no Reino Unido foi assinado três meses antes do negócio europeu. Com o Reino Unido tivemos três meses extra para reparar todas as falhas que tivemos. Para a Europa, estamos três meses atrasados a fazê-lo. (…) Se entregarmos o que temos planeado para fevereiro, não é coisa pouca”, afirmou o francês, citado pelo jornal online ECO.

“Gostaríamos de estar a conseguir produzir mais. As nossas equipas estão a trabalhar 24 horas por dia, sete dias por semana, para resolver as dificuldades na produção”, assegurou o presidente-executivo.

Assim que a vacina for aprovada pela Agência Europeia do Medicamento (EMA), o objetivo é “enviar imediatamente pelo menos três milhões de doses para a Europa”. Uma semana depois, haverá um novo carregamento e, em fevereiro, mais um na terceira ou quarta semana desse mês. “O objetivo é entregar 17 milhões de doses até ao final de fevereiro”, destacou.

No Fórum Económico Mundial, em Davos, o presidente da farmacêutica britânica lamentou ainda a falta de colaboração dos governos no combate à pandemia, criticando o comportamento egoísta de alguns países.

“Poderia ter sido um momento do género do 4 de julho, ou dia da independência (dos Estados Unidos), mas infelizmente não foi o caso, porque houve uma ligeira postura de ‘eu primeiro'”, disse o francês.

“É justo dizer que poderíamos e deveríamos estar globalmente mais bem preparados para esta pandemia. O que não funcionou, a meu ver, foi a colaboração do mundo“, mesmo que evoque “bons exemplos” de ajudas entre os setores privado e o público, como o caso da vacina da AstraZeneca, desenvolvida com a Universidade de Oxford.

“Mas posso ver que as coisas estão a mudar e que uma colaboração internacional está a surgir”, disse Soriot, apelando a que sejam feitos investimentos “em prevenção, deteção e tratamento precoce” para que o sistema de saúde esteja pronto para o futuro.

EMA deve aprovar vacina da AstraZeneca esta semana

A EMA prevê aprovar, até ao final desta semana, a vacina da AstraZeneca, apesar dos problemas de fornecimento, estando ainda em contacto com as autoridades russas relativamente à Sputnik V.

“Há duas vacinas que estão neste momento a ser avaliadas, as vacinas da AstraZeneca e da Janssen. Recebemos o pedido para comercialização da vacina da AstraZeneca a 11 de janeiro e prevemos a conclusão do processo no final desta semana, após a reunião do comité de medicamentos humanos”, declarou a diretora da EMA, Emer Cooke.

Falando numa audição por videoconferência na comissão parlamentar de Saúde Pública do Parlamento Europeu, a responsável apontou, ainda assim, estar ciente dos “problemas nas entregas das vacinas” anunciados pela AstraZeneca, esperando que “isso seja resolvido entretanto”. Já quanto à vacina da Janssen, “ainda não existe um prazo para a sua aprovação”, acrescentou.

De momento, estão a ser usadas na União Europeia a vacina da BioNtech/Pfizer, que está a ser utilizada desde final de dezembro passado, e a da Moderna, em uso desde meados deste mês no espaço comunitário, ambas assentes na tecnologia do ARN mensageiro.

Tendo em conta estas quatro vacinas, que compõem o portefólio assegurado pela Comissão Europeia, a EMA está “em contacto com 15 produtores de vacinas, o que inclui a vacina russa Sputnik V“, indicou Cooke.

Aludindo às novas variantes do SARS-CoV-2, a responsável pela agência europeia notou que “o surgimento de novas variantes requer monitorização contínua das vacinas e da sua ação perante” estas estirpes.

“Os dados disponíveis até ao momento indicam que as duas vacinas baseadas no ARN mensageiro dão um nível elevado de proteção” face às novas mutações, observou a diretora, admitindo ainda assim ser necessária mais análise e informação.

No que toca a eventuais medicamentos para o novo coronavírus, a EMA está em contacto com 180 empresas farmacêuticas, segundo a responsável. “Também precisamos de tratamentos para curar os pacientes”, notou.

OMS aprova uso de vacina da Moderna

A Organização Mundial da Saúde anunciou, esta terça-feira, que aprova o uso da vacina da Moderna, recomendando que as duas doses sejam tomadas com um intervalo de 28 dias.

O grupo de peritos que aconselha o diretor geral daquela agência das Nações Unidas admite que, em caso de grande necessidade, haja um intervalo de 42 dias entre as doses da vacina, mas desaconselha que se dê apenas uma dose para conseguir que mais pessoas sejam vacinadas, sobretudo em países com uma alta taxa de infeções.

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Embora a OMS ainda não tenha dado autorização para uso de emergência à vacina da Moderna, espera-se que a avaliação esteja concluída até ao fim de fevereiro.

Segundo o Grupo Estratégico Consultivo de Peritos (SAGE), que se reuniu no dia 21, as pessoas que façam viagens internacionais não devem ser privilegiadas na vacinação, a não ser que estejam entre os grupos de risco mais elevado.

“No período atual, em que o fornecimento de vacinas é muito limitado, a vacinação preferencial dos viajantes internacionais iria contra o princípio da equidade”, afirmou o grupo.

“Por esta razão, e devido à falta de provas de que a vacinação reduz o risco de transmissão, a OMS não recomenda a vacinação de viajantes contra a covid-19″, acrescentam, indicando que esta recomendação será revista à medida que aumente o fornecimento da vacina.

O painel desaconselhou que a vacina seja dada a mulheres grávidas, a não ser que os benefícios da vacinação ultrapassem os riscos potenciais, tratando-se de pessoas com outras doenças ou profissionais de saúde com alto risco de infeção. O grupo recomendou ainda que as pessoas com testes PCR positivos adiem a vacinação por seis meses.

A pandemia de covid-19 provocou, pelo menos, 2.140.687 mortos resultantes de mais de 99,6 milhões de casos de infeção em todo o mundo, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

  ZAP // Lusa

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