Regras da DGS para as escolas não respondem às questões essenciais, avisa Sindicato

Rodrigo Antunes / Lusa

O Sindicato de Todos os Professores disse que as regras da DGS para as escolas não respondem às questões essenciais. A Associação Nacional de Dirigentes Escolares diz que não trazem “nada de novo”.

O Sindicato de Todos os Professores (STOP) considera que o “Referencial Escolas — Controlo da transmissão de Covid-19 em contexto escolar” não responde às questões essenciais para garantir a segurança no regresso às aulas.

O STOP tem marcado um pré-aviso de greve para os primeiros dias de aulas caso não estejam garantidas condições de segurança que minimizem riscos de contágio de Covid-19 e aguarda o resultado de uma sondagem junto das escolas, a terminar no dia 10, para manter ou não a ação de luta agendada.

Em declarações à agência Lusa o coordenador nacional do STOP, André Pestana disse que o sindicato considera que o referencial não responde às questões essenciais, como por exemplo saber que fundamento científico está por detrás da possibilidade de os alunos serem colocados a um metro de distância dentro da sala de aula.

“A 5 de agosto o STOP interpelou a DGS (Direção-Geral de Saúde), o Ministério da Saúde e o Ministério da Educação do fundamento científico para que as orientações apontem para um mínimo de dois metros de distância e nas escolas essa distância ser de um metro. Há escolas onde os alunos vão ficar lado a lado”, disse.

O STOP, adiantou André Pestana, considera perigosa esta distância e não teve até ao momento uma resposta que tranquilize.

Por outro lado, o sindicato também considera que não está esclarecido se os assistentes operacionais que pertencem a grupos de risco e não possam ir trabalhar terão as faltas justificadas e se está previsto um reforço de meios uma vez que a falta destes profissionais nas escolas é já um problema crónico.

O momento atual, adiantou André Pestana, vai ser ainda mais exigente em termos de limpeza.

“Temos recebido informação das escolas que vamos ter menos assistentes operacionais do que no ano passado”, frisou o coordenador nacional do STOP.

Questionado sobre o pré-aviso de greve, André Pestana disse aguardar os resultados da sondagem para tomar uma decisão. “Alertamos que faremos o que a classe entender”, disse.

Segundo o “Referencial Escolas — Controlo da transmissão de Covid-19 em contexto escolar”, publicado na sexta-feira, as escolas só serão encerradas em caso de “elevado risco” e o rastreio de quem esteve em contacto com doentes Covid-19 será feito “preferencialmente nas 12 horas seguintes à identificação do caso”.

O referencial será ainda “objeto de contributos para ser aperfeiçoado e consolidado”, segundo informação da Direção-Geral de Saúde.

No documento, a DGS explica que bastam dois casos confirmados de Covid-19 numa escola para ser considerado um surto, mas que só em “situações de elevado risco” as autoridades de saúde optam pelo encerramento do estabelecimento de ensino.

As primeiras opções passam por encerrar apenas uma ou várias turmas, ou então encerrar “uma ou mais zonas do estabelecimento de educação ou ensino”. Só em último caso, fecha toda a escola.

As medidas a adotar dependem de um conjunto de fatores que vão desde o distanciamento entre pessoas, a disposição e organização das salas e a própria organização do estabelecimento de ensino.

Entre as medidas está o rastreio de quem esteve em contacto com o doente: “O rastreio de contactos deve ser iniciado prontamente após a confirmação de um caso de Covid-19, preferencialmente nas 12 horas seguintes à identificação do caso, incluindo os contactos na escola (alunos, pessoal docente, pessoal não docente), os coabitantes e contactos de outros contextos que possam ser relevantes”, lê-se no referencial.

No caso de as autoridades de saúde optarem pelo encerramento temporário da escola, a sua reabertura fica dependente de nova decisão daquelas autoridades no momento em que considerem que a situação epidemiológica está controlada e não representa risco para a comunidade escolar.

Regras da DGS não trazem “nada de novo”

O presidente da Associação Nacional de Dirigentes Escolares disse esta segunda-feira que o documento da Direção-Geral da Saúde sobre o funcionamento das escolas “não traz nada de novo”, mas clarifica aspetos anteriormente dúbios.

“No essencial não traz nada de novo. Só clarifica algumas situações dúbias”, disse acrescentando que o ano letivo já esta a ser preparado com base em orientações que não estão longe das regras agora conhecidas.

Manuel Pereira falava à agência Lusa relativamente ao “Referencial Escolas — Controlo da transmissão de Covid-19 em contexto escolar”, publicado na sexta-feira e que, segundo a DGS será ainda “objeto de contributos para ser aperfeiçoado e consolidado”.

“A vantagem está apenas na clarificação”, frisou o presidente da Associação Nacional de Dirigentes Escolares (ANDE), dando como exemplo as regras de atuação, atitudes e decisões em casos complicados que venham a surgir.

“Escolas podem fechar e não podemos correr esse risco”

No final da reunião do Infarmed, André Ventura colocou a hipótese de as escolas terem de fechar pouco tempo após a sua reabertura para o novo ano letivo. O foco do líder do Chega está no transporte dos alunos.

“O transporte dos alunos deve ser feito de forma mais segura, articulado com as autarquias. Isto pode obrigar a que as escolas fechem pouco depois de abrirem, e não podemos correr esse risco. Entregámos um projeto de resolução nesse sentido”, disse Ventura.

“Hoje ficou claro através dos especialistas que há o risco significativo de uma segunda vaga e o Chega continua preocupado que com o regresso às aulas, o Governo não esteja preparado tendo em conta o contacto que existe com o país-vizinho”, acrescentou.

ZAP // Lusa

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1 COMENTÁRIO

  1. O Sindicato está mais do que correcto. Em caso de duvida não se faz nada para evitar a expansão da pandemia. Desta e de outras que se possam avizinhar. O que seria de nós se com alguns sacrifícios (sim, sacrifícios é o termo correcto) continuássemos a divulgar informação continua a uma década de gerações que está melhor preparada para a presente pandemia do que todas as outras? Não podemos privar os velhos de viver. Sim esses, o futuro do planeta. Os mesmos que largamente lideram em todos os sectores da politica a economia. E aos Sindicatos, claro. Só assim podemos assegurar um futuro de incertezas e de dificuldades em que os Sindicatos tenham razões para existir e até mesmo prosperar. Fechem as escolas. Acabem com o ensino. Cancelem a Liberdade.

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