Recuperação económica “moderada” mas “não está em causa”

thinkpanama / Flick

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A trajetória de recuperação da economia portuguesa vai ser “moderada”, mas “não está em causa”, apesar dos números recentemente conhecidos sobre a atividade económica, defendem os economistas contactados pela Lusa.

O indicador coincidente da atividade económica recuou 0,1 pontos percentuais em abril face ao mês anterior, para os 0,6%, depois de quatro meses estável, mantendo-se em terreno positivo, segundo dados divulgados na sexta-feira pelo Banco de Portugal (BdP).

Também números do Instituto Nacional de Estatística (INE) revelados na quinta-feira indicam que o Produto Interno Bruto (PIB) caiu 0,7% no primeiro trimestre face ao trimestre anterior, embora tenha registado um crescimento homólogo de 1,2%.

A economista Paula Carvalho, do BPI, disse à Lusa que se trata “apenas de um reajustamento”, antecipando que haja “uma recuperação no segundo trimestre”.

“Não nos parece que esteja em causa a trajetória de recuperação. Só que esta recuperação vai ser muito moderada e muito assente nas exportações e eventualmente no investimento, embora ainda não haja certezas quanto à evolução do investimento”, explicou Paula Carvalho, acrescentando que a economia está a assistir a “um movimento de estabilização”.

O BPI estima que se registe um crescimento homólogo de 1% no segundo trimestre e que a economia portuguesa cresça “à volta de 1% no conjunto do ano”, o que “supõe uma recuperação do crescimento em cadeia” nos próximos trimestres.

Também a Universidade Católica considera que os “dados desfavoráveis” da economia portuguesa revelados na quinta-feira pelo INE “não colocam em causa” a recuperação da economia, mas alerta que “o abrandamento das exportações é a informação mais preocupante”.

Os economistas do Núcleo de Estudos de Conjuntura da Economia Portuguesa (NECEP) afirmam que “estes dados desfavoráveis não colocam em causa a hipótese de recuperação da economia portuguesa ao longo de 2014”, mas advertem que esta hipótese é agora “menos intensa face ao anteriormente previsto”.

Para os investigadores, “o abrandamento das exportações é a informação mais preocupante, embora haja efeitos de deflatores, de calendário de base e mesmo operacionais que permitem tratar este dado como uma oscilação pontual num quadro geral favorável”.

O Montepio considera igualmente que “não se trata de uma reversão da tendência” de recuperação económica, considerando que a queda do PIB no primeiro trimestre “terá sido sobretudo um percalço”, segundo disse à Lusa o economista-chefe do banco, Rui Bernardes Serra.

O responsável justifica este “percalço” com um misto de fatores: o mau tempo, a paralisação da refinaria da Galp para manutenção, a “inesperada não aceleração da zona euro” e a entrada em vigor das “novas medidas de austeridade” do Orçamento do Estado de 2014.

O Montepio continua a estimar que a economia regresse a “crescimentos consistentes, sobretudo a partir do segundo trimestre” deste ano, destacando Rui Bernardes Serra que a evolução da economia deverá ser marcada por “um crescimento bem superior ao anteriormente admitido, esperando-se que a economia consiga mais do que reverter a queda do primeiro trimestre”.

De acordo com as previsões do Montepio, a economia deverá crescer 1,2%, mas esta previsão está envolta em “riscos descendentes” (anteriormente eram ascendentes), devido ao “mau arranque de ano da economia portuguesa”.

O Governo e os credores internacionais preveem que a economia portuguesa cresça 1,2% em 2014, uma estimativa que foi revista em alta (dos 0,8% para o 1,2%) na 11.ª avaliação regular ao Programa de Assistência Económica e Financeira.

Também o Banco de Portugal espera que Portugal cresça 1,2% este ano, previsão que foi melhorada em março, mas a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) antecipa um crescimento ligeiramente inferior, de 1,1% em 2014.

/Lusa

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