Dia D no PSD: Rio faz-se de “lorpa”, mas está pronto para “comprar guerra”

Fernando Veludo / Lusa

O presidente do Partido Social Democrata (PSD), Rui Rio

As eleições directas para a liderança do PSD são disputadas neste sábado, com Rui Rio a dizer que “está disponível para comprar uma guerra” interna, Luís Montenegro a apontar ao lugar de primeiro-ministro e Miguel Pinto Luz a pedir “recato” ao actual líder do partido. 

Rui Rio, Luís Montenegro e Miguel Pinto Luz são os três candidatos que disputam, neste sábado, a presidência do PSD em eleições directas.

O presidente do PSD e recandidato ao cargo, Rui Rio, disse, no Porto, que “está disponível para comprar uma guerra“, avisando que se vencer as directas não vai admitir ter distritais a “boicotar” o partido.

No discurso de encerramento da campanha, o líder do maior partido da oposição deixou claro que, muitas vezes, “se faz de lorpa”, mas que sabe que houve concelhias que quiseram boicotar o desenvolvimento do partido.

“Há distritais neste país que funcionaram bem, que procuraram chamar as pessoas para o Conselho Estratégico Nacional. Há outras que gostariam de ter funcionado bem, mas desligadas que estão da sociedade, não conhecem sequer pessoas para poder chamar”, afirmou.

“E há outras – as tais em que eu me fiz de lorpa – em que manifestamente nada fizeram e até boicotaram para evitar que venha gente cá para dentro atrapalhar aquilo que é o controlo que eles hoje têm no partido”, continuou.

Se foi assim neste primeiro mandato, no próximo, na eventualidade de ser reeleito, não será, garantiu o actual líder, afirmando estar disponível para comprar uma guerra.

“No próximo mandato, é evidente que não pode ficar assim e, portanto, eu estou disponível para comprar a guerra. Aliás, costumo comprar guerras com facilidade, porque aproveito todos os saldos e vou logo comprar uma guerra desde que ela esteja a preço de saldo. E, portanto, eu compro a guerra”, assegurou.

Montenegro diz que é dia de escolher sucessor de Costa

Já Luís Montenegro disse em Aveiro, que este sábado é o dia para escolher o sucessor do primeiro-ministro, António Costa, numa farpa a Rio que tinha dito que se não chegar a primeiro-ministro, quer fazer emergir o seu “sucessor”.

Não é o dia para eleger alguém que vai preparar o seu sucessor, porque já está a pensar que vai perder as próximas eleições. Amanhã é o dia de escolher o sucessor do doutor António Costa e é para isso que eu cá estou. É para isso que eu quero que o PSD lute. É para isso que eu quero que o PSD se organize”, afirmou Montenegro.

No regresso ao distrito por onde sempre foi eleito como deputado da Assembleia da República durante 16 anos, Montenegro referiu ter visto “mais entusiasmo, mais chama, mais alma” nesta campanha interna do que na última campanha do PSD para as eleições legislativas.

Perante uma plateia de centenas de pessoas, o antigo líder parlamentar dos sociais-democratas reiterou que o seu adversário é António Costa, adiantando que está preparado para ser primeiro-ministro depois das próximas eleições legislativas e “para fazer melhor do que ele, para dar a Portugal mais condições para criar riqueza e a poder redistribuir”.

Num discurso de pouco mais de meia hora, o candidato à liderança do PSD criticou o Governo PS, considerando que é o que “mais impostos cobrou até hoje” e o que “oferece menos serviços públicos”, apontando várias injustiças e desigualdades em diversas áreas, como a saúde, educação e transportes.

No plano interno do partido, o candidato disse que é preciso saber conviver democraticamente dentro do PSD, respeitando todos os que pensam de forma diferente.

“É preciso dizer que aqueles que pensam diferente de nós não devem sair do nosso partido. Devem colaborar com as suas ideias e enriquecer o debate interno para fortalecer as nossas propostas junto da sociedade”, defendeu.

Pinto Luz insiste que Rio deveria ter “um maior recato”

Miguel Pinto Luz insistiu esta sexta-feira, em Lisboa, na ideia de que  Rui Rio deveria ter “um maior recato”, pedido que estendeu a todas as candidaturas.

“Disse no passado e volto a dizer que Rui Rio tem de ponderar antes de falar“, afirmou Miguel Pinto Luz, quando questionado pelos jornalistas sobre como encara a decisão do presidente do PSD em comunicar ao Conselho de Jurisdição Nacional (CJN) a quebra de disciplina de voto pelos deputados do PSD/Madeira no Orçamento de Estado de 2020 na Assembleia da República.

“Os militantes do PSD hoje têm uma escolha, não tinham essa escolha e a escolha é clara entre o passado, mais do mesmo, e o futuro“, afirmou o candidato, antes de um encontro com militantes e apoiantes.

Questionado também sobre qual será a relação futura com o PSD/Madeira caso vença as eleições internas, o também vice-presidente da Câmara Municipal de Cascais referiu que será “de profundo respeito pela autonomia” dessa estrutura regional.

Miguel Pinto Luz recusou, contudo, comentar o diferendo interno sobre quantos militantes podem votar na Madeira, explicando que “o recato também cabe a todos os candidatos” à liderança do partido. O candidato vincou que “o cinzentismo ficou para trás” e apelou para o voto dos militantes.

“Estou convencido de que a partir de amanhã muita coisa mudará no PSD”, finalizou.

ZAP ZAP // Lusa

 

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3 COMENTÁRIOS

  1. Se o sr. Rio for eleito para liderar o Partido Social Democrata (PSD) terá uma oportunidade única para romper e aniquilar o nefasto e sombrio legado daqueles que se apoderaram do partido e destruíram a sua verdadeira essência democrática, republicana, laica, e social-democrata.

    Se o sr. Rio vencer estas eleições para a liderança do partido e expulsar de vez os neoliberais e o clericalismo, e toda a corja da laia de Aníbal Silva, Pedro Lopes, José Barroso, e Pedro Coelho, terá o total apoio dos cidadãos Portugueses.

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