Nova “coligação negativa” nas carreiras do Estado foi adiada. PSD mudou de ideias

PSD / Flickr

O presidente do PSD, Rui Rio

A comissão parlamentar de saúde iria discutir e votar, esta quarta-feira, a alteração do diploma que fixa os salários do técnicos superiores de diagnóstico e terapêutica, preparando-se uma “coligação negativa” para o Governo. Mas o PSD recuou.

Segundo avança o Jornal de Negócios esta quarta-feira, BE e PCP estavam dispostos a alinhar-se com as propostas do PSD, que reivindicam o aumento das remunerações e a valorização das carreiras.

A alteração proposta pelo PSD pode implicar, segundo contas de uma fonte do Governo citada pelo mesmo jornal, um acréscimo de despesa na ordem dos 12 milhões de euros, praticamente o dobro do que o Executivo estima gastar com a alteração à base remuneratória destes profissionais de 1.020 euros para cerca de 1.202 euros, elevando o custo total aos 26 milhões de euros.

No decreto publicado em fevereiro ficou ainda prevista a a possibilidade do pagamento faseado – até setembro – dos aumentos que resultem desta alteração. A mesma fonte aponta ainda os riscos de desigualdade entre carreiras, caso as alterações propostas sejam mesmo aprovadas.

O Bloco de Esquerda, o PCP e o PSD apresentaram propostas de alteração ao decreto que implicam a colocação de mais funcionários em categorias superiores, que as progressões deixem de ser feitas exclusivamente para avaliação e passem a ser feitas “em módulos de anos” ou que a avaliação de desempenho realizada no momento anterior à transição seja relevante para as futuras progressões.

Porém, de acordo com o Público, a votação foi adiada, a pedido do PSD. Os sociais-democratas argumentaram que é necessário esperar pela publicação do decreto de execução orçamental. “Esperamos que esta posição do PSD não seja o prelúdio de um recuo nesta matéria”, disse o deputado do BE, Moisés Ferreira.

Este adiamento significa que deixa de haver uma data previamente marcada para se discutir e votar o tema. Esse calendário fica dependente da aprovação do decreto. O assunto mereceu muita discussão na reunião desta manhã.

A alterações do BE, PCP E PSD, que afetam os nove mil funcionários que compõe a carreira, foram apresentadas ainda antes da crise dos professores, na qual PCP, BE, PSD e CDS se uniram contra o PS, na votação na especialidade, para aprovar a contagem integral do tempo de serviço dos professores e provocaram a ameaça de demissão do primeiro-ministro António Costa.

A coligação negativa que se verificou na votação na comissão parlamentar de educação acabou, no entanto, por não se repetir na votação final global, com PSD e CDS a fazerem depender devolução aos professores do crescimento económico.

ZAP //

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6 COMENTÁRIOS

  1. Se calhar é por não ser professor, ou outro tipo de funcionário publico.. mas eu gostava era de saber porque é que só as carreiras públicas é que têm tamanhas vantagens!!!

    Menos horas de trabalho
    Maiores salários
    idade de Reforma mais cedo
    Progressão na carreira garantida
    …..

    Não é justo, num mundo onde tanta “igualdade” se pede..
    Tive cortes, tive TSU, não tenho aumento à anos… e ninguém se preocupa.

    • Porque há os portugueses de 1ª e os de 2ª e está visto que é de 2ª! Só servimos, porque eu também sou português de 2ª, para pagar as vidas de lorde da função pública, dos subsidiodependentes (entenda-se os que não estão para trabalhar ou têm paralelamente um trabalho ao negro) e para safar a banca. Como quem elege os governos são os de 1ª e os subsidiodependentes, nós cá estamos para pagar as contas…
      Muito muito resumido é esta a gestão do estado.

    • Caro Pedro, se conseguir encontrar a resposta para a justificação das benesses auferidas pelos portugueses de 1ª diga-me, é que eu também não entendo.
      Quanto ao comentário anterior eu não sou tão optimista, eu devo ser um português de 8ª ou 9ª categoria, os refugiados são mais bem tratados assim como as minorias étnicas, os reclusos, os toxicodependentes, os “moedinhas”, etc., etc., etc..
      A mim o estado só conhece quando é hora de pagar impostos, contribuições, taxas e taxinhas.

    • Existe o Público e o Privado.
      É garantido o acesso a todos ao Público… por concursos… A igualdade inicia-se ai… e não nos direitos que advém..
      Existem empresas Privadas que pagam muito mais que no Público(como a que eu trabalho)…. e outras menos…( Conforme sabe o governo não pode interferir significativamente no sector Privado…)
      Os portugueses de 1.ª são os que trabalham nas grandes empresas os de 2 e terceira dependem de onde trabalham…

      • wow…

        “É garantido o acesso a todos ao Público… por concursos… A igualdade inicia-se ai…”

        Sim… com concursos que por vezes até lá vem especificado o nome de quem vai ficar ocupar o cargo, onde quem fica é sempre alguém que já ocupa aquela posição em contratos anuais nos últimos 3 anos.

        Boa igualdade!

        As privadas que pagam “muito” mais, pagam para meia dúzia, em que desses, apenas 50% realmente se esforçou para lá chegar (sem cunhas ou amizades) e merece de facto, fazendo bom trabalho ou uma boa Gestão!

        • Vejo que concorda comigo… se nos privados precisam de cunha e no publico também… então existe igualdade…
          Porém só os melhores são escolhidos… os melhores por variados motivos… quem tem mais , competências, cunhas quero dizer conhecimentos… Ou seja, quanto mais aptidões mais a possibilidade…

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