Relatório aponta “provas esmagadoras” da conduta inapropriada de Trump

Michael Reynolds / EPA

O relatório divulgado esta terça-feira mostra que Donald Trump tentou usar a Ucrânia para interferir nas eleições presidenciais de 2020, de forma a “favorecer a sua campanha de reeleição”.

A Comissão das Informações da Câmara dos Representantes divulgou na terça-feira os argumentos de um possível julgamento político contra o presidente norte-americano, acusado de ter colocado os seus “interesses pessoais e políticos” à frente dos do país.

Ao longo de 300 páginas é relatado como Donald Trump condicionou alegadamente a entrega da ajuda militar à Ucrânia à abertura de uma investigação por parte de Kiev ao ex-vice-presidente democrata Joe Biden e ao seu filho Hunter, por presumível corrupção no país europeu, o que iria beneficiar a campanha eleitoral do inquilino da Casa Branca e desembocou na atual investigação do Congresso a Trump.

Em resultado da investigação dos congressistas, os democratas da Câmara de Representantes consideram que Trump abusou do poder, obstruiu as investigações do Congresso e comprometeu a segurança nacional, pelo que consideram que, tudo junto, há motivos suficientes para a sua destituição.

O documento vai servir de base à Comissão Judicial da Câmara dos Representantes, que vai agora redigir os designados “artigos de juízo político”, isto é, as acusações contra o presidente dos EUA, caso venha a ser aberto o processo de destituição. As principais conclusões do documento apontam, entre outras, para abuso de poder, obstrução inédita e para comprometer a segurança dos EUA.

Assim, o texto recordou o telefonema entre Trump e o presidente ucraniano, Vladimir Zelenski, em que aquele lhe pediu “um favor”, e denunciou que o multimilionário republicano procurou interferir no resultado das próximas eleições.

“Durante um telefonema em 25 de julho, o presidente Trump pediu ao presidente Zelenski, da Ucrânia, que lhe ‘fizesse um favor’ e investigasse Joe Biden”, sublinhou a comissão.

Outra acusação a Trump foi a de fazer uma “obstrução sem precedentes”, considerando a comissão que este foi mesmo “o primeiro e único presidente na história dos EUA que desafia indiscriminada e abertamente todos os aspetos do processo constitucional de destituição ao ordenar a todas as agências federais e funcionários, de maneira categórica, que não cumpram as intimações”.

Os democratas consideraram que esta “falta de cooperação sem precedentes” pode ser vir como “fundamento” da proposta de destituição de Trump. Comprometer a segurança dos EUA é outra acusação feita a Trump, uma vez que este usou os poderes do seu cargo para solicitar a interferência estrangeira nas eleições de 2020.

Acresce, salientaram os democratas, que a Ucrânia, para Trump, pouco ou nada importava, baseando-se nas declarações prestadas no Congresso pelo embaixador dos EUA na União Europeia, Gordon Sondland.

“Pelo contrário”, destacou-se no documento, a Trump só lhe importavam as “coisas importantes” que o beneficiavam pessoalmente, como “a investigação a Biden”.

No documento, particularizou-se ainda que, “em 11 de setembro, o presidente Trump levantou o bloqueio da assistência militar à Ucrânia, depois de a Casa Branca considerar que a sua conspiração tinha sido exposta”.

Os democratas argumentaram que Trump só desbloqueou a ajuda militar à Ucrânia quando os meios de comunicação e vários congressistas começaram a denunciar a existência de um ‘quid pro quo’, expressão que designa troca de favores, nas atitudes de Trump em relação a Kiev.

ZAP // Lusa

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3 COMENTÁRIOS

  1. Os Democratas sentem-se perdidos, sem argumentos para derrotar Trump. Recorreram a este único artifício para tentar obter uma vitória eleitoral. Mas segundo as sondagens não terão sucesso e parece mesmo que a caça se virará contra o caçador.

  2. Para quem viu na totalidade o ‘espetáculo’ montado por Adam Shiff não existem provas, mas sim relatos de alguém que ouviu alguém – isso existiu em larga extensão.

    Em cada intervenção de Jim Jordan, não existiram provas que substanciem as acusações.

    Criar provar com base em alguém que ouviu alguém é insubstanciado, e não passível de confirmação.

    Em relação à retenção: já verificaram quem é que decidiu a mesma?

    Estou curioso sobre os próximos passos, bastante mesmo.

    E a ‘telenovela’ continua!

  3. Ainda que não seja, de forma alguma, apoiante do Trump(a), considero esta oposição feroz feita pelos media, nomeadamente pela CNN, e que se manifesta em cada situação em que o ‘flanco’ do Trump fica exposto, uma autentica vergonha e uma demonstração de pressão de grupos de interesses muito pior do que o pior que o Trump possa fazer.
    Essa sim é uma atitude de traição e que compromete a segurança nacional dos Estados Unidos.
    Mas que conversa é essa do “Quid pro quo”?
    Estão a brincar connosco aos hipócritas ou o quê?
    Então isso não é do conhecimento de todos (consciente ou inconscientemente; Informada ou desinformadamente) que este tipo de favores é prática comum em tudo o que é política internacional?
    O que é que o Trump está a fazer que é diferente daquilo que sempre têm feito aqueles que estão em posição de poder sobre os que ‘têm que baixar a bola’?
    O que é que ele faz de diferente dos 10 presidentes que o precederam?
    Ahh,..não o faz alinhado com os interesses de uma certa elite nos EU. É isso não é? É aliás essa a diferença de atitude que a CNN (e outros) tem em comparação com os presidentes anteriores.
    O Trump não é alinhado com as políticas de longo prazo dos que têm certos interesses e certos objectivos, e que sempre tiveram acesso e influência na política externa dos EU.
    O Trump faz tudo à sua maneira e isso está a incomodar muita gente. (até a mim incomoda. Mas eu não tenho um ‘império mediático’ para lhe atirar acima)
    No que respeita a ‘torcer braços’ e tomar atitudes pragmáticas, o Trump não é, em nada, diferente dos que o antecederam. (que também usaram a sua posição para avançar os seus interesses ou os dos seus ‘amigos’).
    O que o Trump não tem é,….amigos.
    E,…compreende-se…

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