Depois da explosão, os protestos em Beirute. Manifestantes anti-Governo pedem mudança política urgente

Nabil Mounzer / EPA

Esta quinta-feira, dezenas de manifestantes foram dispersos com gás lacrimogéneo quando protestavam na sequência da explosão em Beirute, capital do Líbano, que provocou pelo menos 149 mortos, cinco mil feridos e a destruição de casas de centenas de milhares de pessoas.

As autoridades libanesas dispararam gás lacrimogéneo contra manifestantes que saíram às ruas para demonstrar a revolta com a liderança do país e a sua atuação perante as explosões que devastaram Beirute na passada terça-feira.

De acordo com o Observador, os manifestantes reuniram-se perto do Parlamento, atearam um pequeno incêndio e arremessaram pedras contra as forças de segurança. O The Guardian escreve que vários manifestantes anti-governo acabaram mesmo por ficar feridos.

Também em forma de protesto, a embaixadora do Líbano na Jordânia anunciou, esta quinta-feira, que renunciava ao seu cargo, alegando “negligência total” por parte das autoridades libanesas e sinalizando a necessidade de uma mudança de liderança.

“Estou a anunciar a minha renúncia como embaixadora em protesto contra a negligência, o roubo e a mentira do estado. Este desastre fez soar o alarme: não devemos mostrar misericórdia a nenhum deles e todos devem ser depostos. Isso é negligência total”, disse Tracy Chamoun, numa declaração transmitida pela emissora libanesa MTV.

Trata-se da segunda demissão de um destacado responsável libanês. Na quarta-feira, o deputado Marwan Hamadeh também renunciou ao cargo no seguimento da explosão.

O descontentamento é geral. No Líbano, a confiança nas instituições governamentais é baixa e poucos libaneses têm esperança de que exista uma investigação imparcial. A classe governante do país, há muito acusada de incompetência e corrupção, tornou-se alvo de um movimento de protesto que começou em outubro e que exige uma mudança sistémica no tecido político e governamental.

As explosões de terça-feira foram provocadas por um incêndio no armazém do porto de Beirute onde estavam 2.750 toneladas de nitrato de amónio, desde há seis anos. Autoridades portuárias, serviços alfandegários e de segurança estavam ao corrente da periculosidade das matérias químicas armazenadas, mas todos rejeitam responsabilidades.

O semanário Expresso avançou, esta quinta-feira, que começam a surgir cada vez mais provas, como e-mails e documentos de tribunal, de que as autoridades libanesas tinham conhecimento do depósito de toneladas de nitrato de amónio guardado num armazém do porto.

Beirute foi declarada “zona de desastre” e foi decretado o estado de emergência durante duas semanas na cidade. O Presidente libanês já prometeu uma investigação para apurar as causas da explosão.

O Governo teme que a catástrofe possa precipitar um aumento nos casos de infeção por covid-19, num país que vive uma forte crise económica, marcada por uma desvalorização sem precedentes da sua moeda, hiperinflação e despedimentos em massa, agora agravada pela pandemia. Há também receio de que comecem a faltar cereais no país.

ZAP // Lusa

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