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O melhor professor do mundo é queniano e doa 80% do seu salário

Peter Tabichi é queniano, tem 36 anos e doa 80% do salário para desenvolver a sua comunidade local, numa remota vila no Quénia. Este domingo foi eleito, no Dubai, o melhor professor do mundo.

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Em Pwani, numa região semi-árida do Vale do Rift, onde 95% dos estudantes vivem na pobreza, que Peter Tabichi leciona Matemática e Física. O professor de ciências, que é também padre franciscano, está a mudar drasticamente a face daquela vila, para além de ser visto como o responsável pela melhoria das aprendizagens dos seus alunos.

“É manhã em África. O céu está limpo. O dia começa e há uma página em branco à espera de ser escrita. Este é o tempo de África”, disse o professor na cerimónia de entrega do prémio, apresentada pelo ator australiano Hugh Jackman.

Conhecido como o Nobel da Educação, o Global Teacher Prize atribui anualmente um prémio de um milhão de euros ao vencedor, de acordo com o El País.

“Como um professor que trabalha na linha da frente, vi a promessa dos meus jovens — a sua curiosidade, o seu talento, a sua inteligência, a sua crença. Os jovens de África não vão voltar a ser retidos por baixas expectativas. África vai produzir cientistas, engenheiros e empreendedores cujos nomes serão conhecidos no mundo. As raparigas serão grande parte dessa história”, disse Tabichi, ao receber o galardão.

Peter Tabichi ensina na escola secundária de Keriko. Os resultados conseguidos têm sido surpreendentes e isso levou o júri do concurso a considerar que este professor “melhorou drasticamente o sucesso dos seus alunos”.

Entre as muitas iniciativas, está a criação de um clube de ciência. Em 2018, na Feira de Ciência e Engenharia do Quénia, os estudantes de Tabichi bateram os alunos das melhores escolas do país, para além de participarem e vencerem várias competições nacionais e internacionais de ciência.

Entre os projetos desenvolvidos pelos jovens está um dispositivo para ajudar cegos a medir objetos e um mecanismo que gera eletricidade a partir de plantas — este último valeu-lhes um prémio da britânica Royal Society of Chemistry.

Fundou também um clube da paz para conseguir unir jovens de sete grupos étnicos diferentes e tem desenvolvido várias iniciativas, como ensinar a cultivar alguns tipos específicos de colheitas, para combater a fome naquele região: um terço dos seus alunos são órfãos, ou tem apenas um progenitor vivo, e muitos passam fome em casa.

O rácio de alunos para professores é de 58 para 1 e, por vezes, chegam a estar mais de 70 alunos na mesma sala. Mas a sobrelotação, ou as constantes falhas de Internet, não demovem Tabichi dos objetivos. Visita também os estudantes em casa de forma a poder ajudá-los nos estudos e poder identificar melhor as suas dificuldades.

O número de matriculados na escola duplicou para 400 em três anos e os casos de indisciplina caíram de 30 para três por semana. Em 2017, só 16 dos 59 estudantes seguiam o percurso universitário, enquanto que em 2018 esse número subiu para 26. O desempenho das raparigas foi o que mais subiu, sendo elas a obter os melhores resultados nos quatro testes que fizeram em 2018.

Este ano, houve mais de 10 mil candidatos ao prémio vindos de 179 países. Entre eles está o português José Teixeira, professor de Física e Química, que ficou entre os 50 finalistas depois de vencer a edição portuguesa que atribui ao vencedor 30 mil euros.

O ano passado, a vencedora foi Andria Zafirakou que dá a disciplina de Artes e Têxteis numa zona pobre e turbulenta da cidade de Londres, onde lida com situações de grande carência económica, violência e desafios sociais profundos.

  ZAP //

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