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Há uma “grande probabilidade” de variante de Manaus se tornar dominante em Portugal, diz Sociedade Brasileira de Virologia

Mário Oliveira / SEMCOM

A variante do SARS-CoV-2 detetada em dezembro em Manaus, no Brasil, pode vir a tornar-se dominante em Portugal, disse o presidente da Sociedade Brasileira de Virologia, Flávio Guimarães da Fonseca, apesar de no momento ainda ser a variante britânica a dominar os novos casos.

“Esse cenário é absolutamente possível”, disse o responsável pela sociedade Brasileira de Virologia, na terça-feira à Rádio Observador.

“Atualmente, 80% dos casos de covid-19 na cidade de Manaus são causados pela variante brasileira P1. Todos os vírus, quando se multiplicam, geram vários mutantes, e quando estes têm vantagem em relação às amostras originais, acabam por predominar em pouco tempo. Isso aconteceu em Manaus, no Reino Unido (em relação à variante britânica), e infelizmente pode acontecer também em países que acabam por receber essas novas variantes com este elevado grau de infeciosidade”, acrescentou.

A possibilidade de que a variante brasileira se espalhe em Portugal é real, “se não forem tomadas medidas de contenção, como o distanciamento social e mesmo a vacinação, que possa conter a expansão dessa nova variante”, continuou o especialista. No domingo, foram confirmados os primeiros sete casos da variante brasileira em território nacional.

O virologista disse que a variante brasileira contém mutações detetadas na variante do Reino Unido e outras na variante sul-africana, particularmente uma “que permite ao vírus escapar da ação de anticorpos gerada por uma infeção prévia” ou “pela vacinação”.

Foi ainda detetada a “P2”, que predomina no Brasil, originalmente detetada no Rio de Janeiro. Um estudo realizado da Fundação Oswaldo Cruz, de final de janeiro, mostrou que esta já estava presente em 91% dos casos analisados do Amazonas, cuja capital é Manaus.

Flávio Guimarães da Fonseca defendeu que a pandemia no Brasil “está longe de estar controlada”, devido à pouca percentagem de pessoas vacinadas e ao número escasso de doses adquiridas, “por causa do fracasso da política do governo brasileiro em adquirir doses suficientes para realizar uma vacinação em massa”.

“Perante este cenário, o resultado é uma população pouco complacente em relação às medidas de combate à pandemia, a ausência de vacinas e a existência de variantes muito infeciosas. Este é um cocktail bastante explosivo, e, por isso, há muita preocupação entre as autoridades de saúde pública e a população em geral, relativamente à ampla disseminação das novas variantes brasileiras”, considerou.

O virologista apontou para “um pico de infeções, mortes e sobrecarga dos hospitais logo no meio do mês de janeiro, depois das festas de fim de ano” e para um “descuido muito grande da população de uma forma geral”, que levou a um “pico nos casos de covid-19”, que entretanto já começaram a baixar.

Flávio Guimarães da Fonseca sublinhou a fraca adesão da população às medidas de combate à pandemia e o ritmo muito lento de vacinação no país.

  Taísa Pagno //

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