Das escolas à saúde. Começou a primeira greve nacional desta legislatura

José Sena Goulão / Lusa

A coordenadora da Federação dos Sindicatos da Função Pública, Ana Avoila

Os trabalhadores da administração pública cumprem uma greve nacional, esta sexta-feira, e realizam uma manifestação, em Lisboa, com as várias organizações sindicais da CGTP e da UGT a anteciparem uma forte adesão aos protestos.

“Estamos à espera de milhares e milhares de trabalhadores na manifestação de Lisboa, vindos de todos os pontos do país”, diz à agência Lusa a coordenadora da Frente Comum de Sindicatos da Administração Pública, da CGTP, Ana Avoila.

Para a participação na manifestação nacional, que arranca às 14h30 do Marquês de Pombal, foi emitido um pré-aviso de greve das 00h00 às 24h00 de hoje que “abrange todos os trabalhadores da função pública“, pelo que “o dia será de greve e centenas de serviços em todo o país vão fechar”, afirma a sindicalista.

Ana Avoila sublinhou que é “dia de estar na rua para que o Governo ouça bem alto os protestos dos trabalhadores”, reiterando a reivindicação de 90 euros de aumento salarial para todos os trabalhadores a partir de 1 de janeiro.

A adesão dos funcionários das escolas e também dos professores e educadores “será grande”, uma vez que a Federação Nacional dos Professores (Fenprof) convocou uma greve para o mesmo dia para reforçar a mobilização do setor da educação para o protesto, adianta a dirigente sindical.

“A noção que temos é que, pelos autocarros que são bastantes e que já estão confirmados, muitos professores vão estar presentes, como estarão também trabalhadores não docentes das escolas. Pensamos que vai ser uma grande manifestação e que vamos ter, sobretudo, os serviços, de uma forma geral, encerrados”, explicitou o secretário-geral da Fenprof, Mário Nogueira.

Também na saúde é esperado um “impacto significativo”, com serviços mínimos nos hospitais, assim como a adesão dos trabalhadores da administração local, nomeadamente da recolha do lixo, diz, por seu lado, José Abraão, dirigente da Federação dos Sindicatos da Administração Pública (Fesap), uma das organizações da UGT que também convocou greve para hoje.

José Abraão considera que, “neste início da legislatura, o ambiente é propício” à adesão em massa da função pública ao protesto, pois os trabalhadores estão descontentes com a proposta de atualização salarial de 0,3% apresentada pelo Governo, que é “ofensiva” após dez anos de congelamento.

Rodrigo Antunes / Lusa

Mário Nogueira

Também a Frente Sindical da UGT liderada pelo Sindicato dos Quadros Técnicos do Estado (STE), que inclui o Sindicato dos Trabalhadores dos Impostos (STI), convocou greve para hoje, assim como a Federação Nacional dos Médicos (FNAM), a Federação Nacional dos Sindicatos dos Enfermeiros (FENSE), entre outras organizações.

Em Lisboa, esta manhã, várias escolas já estavam fechadas, enquanto utentes aguardavam na sala de espera do Hospital de Santa Maria na expectativa de conseguir uma consulta.

Esta é a primeira greve nacional da função pública desde que o atual Governo liderado por António Costa tomou posse, em outubro, e acontece a menos de uma semana da votação final global da proposta de Orçamento do Estado para 2020 (OE2020), marcada para 6 de fevereiro.

O Governo apresentou uma proposta de aumentos salariais de 0,3% e chegou a dar a negociação por encerrada, mas a responsável pela pasta, a ministra Alexandra Leitão, voltou entretanto a convocar as organizações sindicais para reabrir o processo negocial, uma reunião que está marcada para 10 de fevereiro, após a votação do OE2020.

A decisão não foi suficiente para travar a paralisação, com a ministra a declarar que “nunca foi propósito da marcação desta negociação com os sindicatos levá-los a desmarcar a greve” que, afirma, “é um direito integralmente respeitado”.

A anterior greve nacional da função pública que juntou as federações sindicais do setor da CGTP e da UGT realizou-se no último ano da anterior legislatura do Governo de António Costa, a 15 de fevereiro de 2019, contra a política salarial do Executivo, e teve uma adesão superior a 80%, segundo os sindicatos.

Em 2019 não houve atualização salarial geral, mas o Governo decidiu elevar a remuneração mínima do Estado de 600 euros (equivalente ao valor do salário mínimo nacional naquele ano) para 635,07 euros.

ZAP // Lusa

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