Primeira-dama da Síria pode perder cidadania britânica devido a acusações de terrorismo

President's Secretariat / Wikimedia

O Presidente da Síria, Bashar al-Assad, e a sua esposa Asma al-Assad, ao centro

A esposa do Presidente da Síria pode perder a cidadania britânica devido a uma investigação preliminar instaurada pela polícia metropolitana de Londres, na qual Asma al-Assad é acusada de incitar, encorajar e ajudar em crimes de guerra cometidos pelas forças do governo sírio.

Asma al-Assad, de 45 anos, que nasceu e cresceu em Londres antes de se tornar primeira-dama da Síria, em 2000, está a ser investigada em resposta a queixas nas quais é acusada de apoiar o exército sírio na execução de crimes – incluindo o uso de armas químicas – durante os seus discursos e aparições públicas, noticiou no domingo o Guardian.

Dez anos após o início da guerra civil na Síria, os militares foram acusados ​​de atacar deliberadamente civis, usando a fome como arma de guerra e sujeitando as populações à violência e violações, entre outros crimes. Duas comissões da Organização das Nações Unidas (ONU) concluíram que o regime utilizou repetidamente armas químicas contra civis.

De acordo com o jornal britânico, a unidade de crimes de guerra da polícia metropolitana de Londres – Guernica 37 International Justice Chambers – terá começado as investigações sobre Asma al-Assad no início de 2021, analisando se existem evidências suficientes para uma investigação completa.

Além da perda da cidadania britânica, a primeira-dama da Síria – que já é alvo de sanções financeiras por parte do Reino Unido, Estados Unidos e União Europeia -, pode ser submetida a um mandado de prisão internacional caso a investigação prossiga.

Quando os protestos sírios iniciaram, em 2011, os militares começaram a matar manifestantes. Processos apresentados pelo Guernica 37 citam discursos nos quais Asma al-Assad elogiava as mães de soldados sírios assassinados, apresentam filmagens onde esta cumprimentava as tropas femininas e entrevistas nas quais afirmava apoiar o marido por convicção pessoal, enaltecendo os militares por defenderem a pátria.

“As evidências compiladas, em termos legais, excedem em muito o que pode ser considerado como comentário razoável ou mera propaganda e equivalem ao incitamento, incentivo e/ou auxílio e cumplicidade em crimes de guerra e crimes contra a humanidade”, disse Toby Cadman, um dos responsáveis do Guernica 37.

“Devido ao fato de a investigação estar em andamento, e para não afetar a integridade do processo e respeitar o dever de proporcionar à primeira-dama um julgamento justo, uma vez acusada, não seria apropriado comentar sobre evidências específicas, exceto para confirmar que vêm de uma série de fontes e que, na nossa opinião, são suficientemente fortes para justificar a instauração de processos criminais“, acrescentou.

Asma al-Assad foi tratada a um cancro de mama em 2018. Na semana passada, anunciou que, juntamente com o marido, contraiu a covid-19, tendo ambos sintomas leves.

Taísa Pagno //

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