Portugal quer vacinar 50 mil pessoas por dia. 50% a 70% da população vacinada até ao fim da primavera

André Kosters / Lusa

O coordenador do Plano Nacional de Vacinação anteviu na quarta-feira que, em princípio, as primeiras vacinas contra a covid-19 começarão a ser administradas à população de risco no início de janeiro, um ou dois dias após chegarem a Portugal.

Ao programa “Grande Entrevista”, da RTP, Francisco Ramos afirmou que o objetivo é vacinar 50 mil pessoas por dia nos centros de saúde sem pôr em causa o funcionamento destas unidades de saúde.

Francisco Ramos mostrou-se convicto de que, a 29 de dezembro, a União Europeia dará parecer positivo para a distribuição de vacinas aos países-membros, admitindo que a “grande dúvida é a quantidade” de vacinas que irão chegar a Portugal, havendo a previsão do acesso nacional da 1,5 milhões de vacinas da farmacêutica Pfizer no primeiro trimestre de 2021.

Segundo explicou, está previsto que chegará um lote em janeiro e outro lote em fevereiro (todas das Pzifer), estimando-se que só em meados de janeiro deverá ser tomada uma decisão das autoridades de saúde sobre a avaliação final e aceitação da vacina da Moderna.

Se tudo correr bem, Francisco Ramos admitiu que ainda em janeiro será também possível ter acesso a vacinas dessas empresas farmacêuticas, alertando contudo que existe alguma “incerteza” citando que, por exemplo, ainda não há data para apreciação da vacina da AstraZeneca, embora exista “esperança” que haja uma decisão em janeiro ou fevereiro.

“É o melhor cenário, mas há ainda incerteza, nomeadamente quanto à quantidade” de vacinas disponíveis”, disse, reiterando ter confiança que em fevereiro se espera ter a vacina da Oxford/AstraZeneca.

Perante a ansiedade ligada à chegada das vacinas, Francisco Ramos ressalvou que é importante primeiro obter “garantias de segurança” em todas as vacinas e reiterou que “ainda não se sabe quais as quantidades (de vacina) vão chegar nos primeiros lotes”, apontando como prioridades prevenir a mortalidade, nomeadamente de idosos em lares, profissionais de saúde e de risco e a quem sofrer de “doença severa”, associada a patologias como doença renal crónica.

O coordenador para o Plano Nacional de Vacinação contra a covid-19 mencionou que 50% das mortes atingem pessoas “acima dos 50 anos” de idade, fundamentalmente quem tem patologias associadas.

Segundo Francisco Ramos, se tudo correr como planeado, 950 mil pessoas serão vacinadas nesta primeira prioridade até fevereiro e indicou que os idosos dos lares “não serão vacinados no mesmo dia”, ou seja em simultâneo, mas à medida que as vacinas sejam distribuídas aos lares e aos hospitais, onde haverá marcação para as pessoas em risco “com local, data e hora”.

Serão também os Centros de Saúde a convocar a vacinação das pessoas com declaração médica a atestar condição clínica que permita a vacinação na primeira fase do plano.

Francisco Ramos mostrou-se confiante no plano traçado e apontou que “no melhor cenário” os peritos admitem que 50 a 70% da população possa estar vacinada até final da primavera, observando porém que a vacinação não é obrigatória.

Ordem defende vacinação realizada por enfermeiros

A bastonária da Ordem dos Enfermeiros, Ana Rita Cavaco, defende que a vacinação contra a covid-19 deve ser realizada exclusivamente por profissionais de enfermagem e em unidades de saúde pública, privada ou do setor social.

Em comunicado, citado pelo semanário Expresso, a bastonária disse que a tutela “deve deixar claro desde já” que as farmácias não serão incluídas na administração das vacinas “por uma questão de segurança dos próprios vacinados”.

A Ordem refere que as autoridades de saúde britânicas emitiram um alerta para que pessoas com um histórico de alergias severas não tomem a vacina da Pfizer contra a covid-19.

“O que aconteceu em Inglaterra é um alerta que vacinação injetável só deve ser administrada por enfermeiros em unidades de saúde, já que existe sempre o risco de provocar reações anafiláticas”, disse a bastonária, em declarações ao Expresso.

Na passada semana, a Ordem dos Farmacêuticos, a Associação de Farmácias de Portugal e a Associação Nacional de Farmácias defenderam que “os farmacêuticos estão cientificamente preparados para vacinar” e que seria “incompreensível que Portugal, com mais de 5.000 farmacêuticos, não utilizasse esta capacidade instalada”.

ZAP // Lusa

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