Portugal não pode perder o comboio da Europa. Para Marcelo, é hora de aproveitar o novo ciclo

António Cotrim / Lusa

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa

A crise que assolou o nosso país tem de ser aproveitada para “olhar para os problemas estruturais”. A mensagem foi deixada pelo Presidente da República, nesta sexta-feira, na conferência de abertura do Festival P, com que o Público comemora o seu 31.º aniversário.

O mundo foi apanhado despercebido com a chegada de um inimigo invisível e os países viram-se mergulhados numa crise da qual terão de sair, mais cedo ou mais tarde. Para o Presidente da República, é hora de Portugal aproveitar o novo ciclo e não perder o comboio da Europa, sob pena de, daqui a “meia dúzia de anos”, ter ficado para trás.

Assim, Marcelo Rebelo de Sousa considera que o país precisa de um “sistema político forte”, com “alternativa” e “preocupação permanente de atualização dos protagonistas”, para sair deste novelo.

“Passamos a vida a pensar nos fins de regime, mas temos é de pensar no recomeço, no refazer dos ciclos políticos. Estamos porventura a entrar numa nova fase de refazer, de iniciar um novo ciclo político, económico e social. Temos de fazer tudo para o aproveitar bem, a pensar em Portugal”, sublinhou o chefe de Estado, citado pelo Público.

O pós-pandemia vai trazer tempos de crise social que terão de ser combatidos com a ajuda financeira que virá de Bruxelas, que Marcelo não quer desperdiçar. “Há que olhar para o urgentíssimo, o urgente, mas também o médio e o longo prazo. O tempo que perdermos agora é largamente irrecuperável”, avisou.

Para esta tarefa, “vai ser preciso uma capacidade de visão a prazo, mobilizando o maior número de pessoas para que elas acreditem, porque se não acreditam o sistema político fica a levitar longe da realidade”.

Para resolver as questões “conjunturais” sem perder de vista as “estruturais” (como pobreza, desigualdades, reformas na justiça, na administração pública, etc), é preciso união, um sistema político “forte” e uma “cultura cívica que implica coesão social, educação e qualificação”.

“O sistema político tem de ser forte o que significa que tem de haver alternativa, tem de haver preocupação de atualização permanente dos protagonistas políticos, económicos e sociais, e uma atenção permanente ao que está a mudar na sociedade portuguesa, que é muito. Tem de haver mais coesão social e mais qualificação“, disse o Presidente.

Sobre os meios que o Governo vai ter ao seu dispor – tanto por via dos fundos comunitários como por via da bazuca do Programa de Recuperação e Resiliência – Marcelo referiu que, “em teoria”, serão “avultados”, apesar de serem inferiores “ao que a crise já nos custou”.

O chefe de Estado considera que é preciso “relativizar” e “saber gerir com eficácia e transparência”. Marcelo Rebelo de Sousa criou uma equipa para manter uma vigilância apertada sobre a gestão do dinheiro que chega da bazuca europeia, que conta como principal conselheiro político o presidente do Conselho de Curadores da Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento (FLAD), Bernardo Pires de Lima.

Liliana Malainho, ZAP //

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1 COMENTÁRIO

  1. Mas que sentido de humor que ele tem!! Qual comboio?? Aquele que estavas para apanhar enquanto andavas a dar mergulhos no Tejo?? Ah, já sei! É o comboio do Pai Natal, que levou o coelhinho ao circo!!

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