Em mais de um ano de pandemia, Portugal registou apenas um caso de reinfeção por covid-19

Guillaume Horcajuelo / EPA

Quem já esteve infetado com covid-19 pode voltar a ficar doente? Esta é uma das perguntas que mais se tem feito ao longo de mais de um ano de pandemia. Segundo João Paulo Gomes, as reinfeções são “extremamente raras” e muito difíceis de confirmar.

O especialista do Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge (INSA), admite ao JN que, na maioria das situações, são suspeitas que se revelam ter sido causadas por um teste com resultado “falso positivo”.

Em Portugal, houve, em 14 meses de pandemia, apenas um caso confirmado e documentado, explica o investigador do INSA.

Para se considerar um caso de reinfeção, João Paulo Gomes alerta que “há uma série de premissas que têm de existir”, sendo que é assim necessário que os dois episódios aconteçam separados no tempo. Também é preciso ter acesso às duas amostras e é importante que essas amostras possuam uma carga viral razoável.

O investigador realça que na maioria dos casos suspeitos de reinfeção analisados pelo INSA, “a carga viral era tão baixa, que permite levantar a suspeita de falso positivo”. E, quando isso acontece, prevalece o pressuposto da comunidade científica de que “os eventos são raros e a maior parte das suspeitas não é fundada”.

No entanto, há também situações em que se pode estar perante um caso positivo verdadeiro, “mas não de uma infeção real”. Esta situação pode acontecer a quem já esteve infetado e, também, a quem já recebeu a vacina.

Nestes casos, o contacto com uma pessoa infetada com uma grande carga viral, pode, nos dias a seguir, levar a um teste positivo à covid-19, “porque o trato respiratório superior acabou por ser infetado”, adianta João Paulo Gomes. Contudo, se o teste for feito alguns dias depois, o resultado já deverá ser negativo.

“Uma pessoa fica positiva porque contactou com outra positiva. Mas não adoeceu, porque estava vacinado e o sistema imunitário debelou o vírus. Chamar reinfeção a isto é um bocadinho perigoso”, alerta.

Até agora, ainda não foi possível determinar quanto tempo dura a imunidade numa pessoa que esteve infetada por covid-19.

De acordo com o investigador do INSA, a resposta imunitária humana tem outra componente que é a imunidade celular, “que nada tem a ver com a produção de anticorpos”. Há estudos, revela, a concluírem que “a imunidade celular pode ir muito além do decaimento de anticorpos”, remata.

  ZAP //

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1 COMENTÁRIO

  1. “Uma pessoa fica positiva porque contactou com outra positiva. Mas não adoeceu, porque estava vacinado e o sistema imunitário debelou o vírus. Chamar reinfeção a isto é um bocadinho perigoso”, alerta.

    Antigamente quem deu positivo e nao adoeceu era um assintomatico. Agora é um vacinado.

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