Portugal 6 vs 0 Lituânia | Ronaldo e companhia destroem lituanos

Miguel A. Lopes / Lusa

Portugal goleou a Lituânia esta quinta-feira no Estádio Algarve, por 6-0, e está a uma vitória de garantir o apuramento para o Euro 2020, decisão que está marcada para o próximo domingo, quando a seleção lusa defrontar o Luxemburgo – pode até nem ser necessária a vitória, bastando para tal que consiga pelo menos o mesmo resultado que a Sérvia, que recebe a Ucrânia.

Num jogo em que Fernando Santos procedeu a várias alterações, Ricardo Pereira e Gonçalo Paciência foram duas das figuras da partida, mas foi Ronaldo, com mais um “hat-trick”, quem brilhou com maior intensidade, num jogo com quatro portugueses com mais de 8.0.

O jogo explicado em números

  • Início perfeito para Portugal. Aos seis minutos, Cristiano Ronaldo foi travado em falta por Saulius Mikoliunas na grande área da Lituânia e, na conversão, o capitão não falhou e fez o seu 97º golo pela formação das “quinas”. Ao segundo remate (ambos de CR7), o primeiro da partida.
  • Aos 14 minutos, Gonçalo Paciência – na sua segunda internacionalização, precisamente dois anos após a primeira, a 14 de Novembro de 2017, num amigável com os Estados Unidos – cabeceou para grande defesa de Ernestas Setkus, numa fase em que Portugal empurrava a Lituânia para a sua grande e adivinhava-se o segundo a qualquer momento. Aliás, ao primeiro quarto-de-hora, a turma lusa tinha 82% de posse de bola, cinco remates, dois com a melhor direcção, e 93% de eficácia de passe.
  • O segundo surgiu, então com naturalidade. Aos 22 minutos, Gonçalo Paciência serviu Cristiano Ronaldo que, sem marcação à esquerda, à entrada da grande área, arrancou um remate espectacular, sem hipótese para o guardião adversário. Nove remates, quatro enquadrados, dois golos, mas podiam ser mais.
  • A meia-hora chegou com jogo de sentido único. Portugal registava 76% de posse de bola, 11 remates (cinco enquadrados) contra um redondo zero ofensivo por parte dos lituanos, que não tinham qualquer remate, nenhuma acção com bola na área portuguesa e a posição média dos seus jogadores situava-se toda atrás da linha de meio-campo. Ao invés, nesse mesmo posicionamento médio, Portugal só tinha três nomes atrás da sua linha de meio-campo: Rúben Dias, José Fonte e, naturalmente, Rui Patrício.
  • O melhor rating nesta fase não podia deixar de pertencer a Ronaldo. O seu 8.3 reflectia dois golos em cinco remates, três deles enquadrados, um passe para finalização, mas também uma ocasião flagrante desperdiçada.
  • Intervalo Bom jogo de Portugal, na forma como dominou e anulou por completo a Lituânia, como atacou e criou muitos lances de perigo, com muita bola na área contrária – 16 cruzamentos de bola corrida só no primeiro tempo, dez remates na grande área num total de 16 -, tendo faltado a mesma competência na hora do último passe e de finalizar. Ainda assim, dois golos, ambos de Cristiano Ronaldo, e muitos outros que poderiam ter sido marcados. O melhor ao intervalo era o capitão da selecção. Ronaldo registava um GoalPoint Rating de 7.9 nesta fase, não só pelo bis, mas também pelos sete remates efectuados, três deles enquadrados, tendo ainda sofrido a falta da grande penalidade que deu o 1-0.
  • Reentrada igualmente positiva. Logo aos 52 minutos surgiu o 3-0, através de Pizzi, que desferiu um remate potente do lado direito da grande área, com a bola a ir à barra e ao poste antes de entrar. Três remates, um golo no segundo tempo. E aos 56, o 4-0. Bernardo Silva rematou fraco, Setkus não conseguiu segurar a bola e esta ficou à mercê de Gonçalo Paciência, que se estreou a marcar pela selecção com um golo fácil.
  • A segunda parte arriscava-se a ser a história dos golos, com Bernardo Silva a fazer o 5-0 aos 64 minutos. E Ronaldo chegou ao “hat-trick” no minuto seguinte. Uma goleada das antigas sustentada, na segunda parte, por um domínio avassalador, com 77% de posse de bola, nove remates, cinco enquadrados, 92% de eficácia de passe e uma facilidade tremenda para entrar na área contrária.
  • Por volta dos 70 minutos, sete jogadores lusos tinham pelo menos 7.0 nos ratings, com Ronaldo a arriscar a nota máxima – algo que não acontecia ainda porque somava duas ocasiões flagrantes desperdiçadas.
  • Portugal abrandou o ritmo após o sexto golo, embora não deixasse de criar perigo sempre que acelerava um pouco.Mas não travou o seu jogo o suficiente para prejudicar as suas estatísticas, fixando números na segunda parte muito semelhantes aos da primeira, melhorando até alguns detalhes, em especial na eficácia ofensiva.

O melhor em campo GoalPoint

Mais um extraordinário jogo de Cristiano Ronaldo pela selecção portuguesa. O capitão vinha sendo acusado de estar em má forma, e até de não driblar ninguém há três anos – é verdade, neste jogo de facto não driblou nenhum adversário… -, mas esteve irresistível nos outros momentos.

CR7 fez três golos e terminou com um GoalPoint Rating de 9.6, estando à beira da nota máxima. Não o conseguiu precisamente por ausência de dribles e, fundamentalmente, porque falhou duas ocasiões flagrantes de golo, senão a sua nota teria, certamente, rebentado a escala. Destaque ainda para os 13 remates que realizou – leu bem, só Ronaldo fez 13 dos 32 disparos de Portugal, tendo enquadrado cinco – e para os dois passes para finalização.

Jogadores em foco

  • Bernardo Silva 8.8 – Uma delícia ver Bernardo jogar, pela técnica, controlo de bola, qualidade no passe, inteligência e visão de jogo. Em 64 minutos, o jogador do City fez um golo, uma assistência, criou duas ocasiões flagrantes em cinco passes para finalização, completou duas de três tentativas de drible e registou uma impressionante eficácia de 94% no passe.
  • Gonçalo Paciência 8.5 – Regressou à selecção precisamente dois anos depois, estreou-se a titular e a marcar e realizou uma exibição de nível elevado, demonstrando maturidade, mobilidade, técnica individual e faro pela baliza, fazendo lembrar Domingos, o seu pai. Gonçalo fez nove remates – segundo valor mais alto -, enquadrou quatro, realizou uma assistência em dois passes para finalização e ganhou quatro de cinco duelos aéreos ofensivos. Está no melhor momento da carreira.
  • Ricardo Pereira 8.1 – Mais uma aposta de Fernando Santos para este jogo, e também ele com uma exibição irrepreensível. O lateral do Leicester fez uma assistência em dois passes para finalização, realizou cinco cruzamentos (um eficaz), completou 72 de 75 passes (95%) e teve sucesso em cinco de seis tentativas de drible.
  • Pizzi 7.7 – O primeiro jogador abaixo de 8.0. O médio do Benfica fez talvez a sua melhor exibição por Portugal, coroada com a obtenção de um golo. Para além disso, criou uma ocasião flagrante em cinco passes para finalização, teve incrível eficácia de 50% nos cruzamentos (4 em 8) e de 92% no passe e foi o jogador mais interventivo, com 123 acções com bola.
  • Rúben Neves 7.7 – O médio mais recuado de Portugal não teve grande trabalho defensivo, mas quando teve, foi intransponível, somando 13 recuperações de posse (máximo do jogo) e quatro intercepções. O jogador do Wolves contabilizou ainda 100 acções com bola, dois passes para finalização e completou 82 de 91 entregas.
  • Bruno Fernandes 7.3 – O médio leonino não quis deixar de participar na festa dos golos lusos, tendo registado a assistência para o tento de Pizzi. Bruno não enquadrou nenhum dos três remates que fez, mas teve 83% de passes certos e somou três desarmes.

Resumo

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