Portal de investigação diz que Sérgio Moro se opôs a investigar ex-Presidente Fernando Henrique Cardoso

O portal de investigação jornalística Intercept revelou que o ex-juíz e atual ministro da Justiça, Sérgio Moro, terá procurado descredibilizar as investigações ao ex-Presidente brasileiro Fernando Henrique Cardoso por não querer “melindrar alguém cujo apoio é importante”.

Na mais recente divulgação do portal de investigação jornalística, são mostradas supostas mensagens trocadas entre Sérgio Moro e o procurador Deltan Dallagnol, em 13 de abril de 2017, um dia depois de a imprensa brasileira ter divulgado suspeitas de corrupção contra o ex-chefe de Estado, alegadamente envolvido no processo Lava Jato, avançou o Sapo 24 esta quarta-feira, citando a agência Lusa.

No diálogo, efetuado através da aplicação Telegram, Sérgio Moro afirmou que os indícios de irregularidades envolvendo Fernando Henrique Cardoso lhe pareciam “muito fracos”, sugerindo que o suposto crime já estaria “mais do que prescrito”.

O atual ministro da Justiça classificou ainda de “questionável” o envio da investigação do Ministério Público (MP) de Brasília para o Ministério Público de São Paulo sem se considerar a prescrição dos acontecimentos.

“Acho questionável pois melindra alguém cujo apoio é importante”, escreveu.

Por sua vez, Deltan Dallagnol respondeu que acreditava que o envio das investigações para São Paulo, sem uma prévia análise de prescrição, teria sido propositado, com o intuito de transmitir uma perceção pública de “imparcialidade”.

“Suponho que de propósito. Talvez para passar um recado de imparcialidade”, justificou o procurador, que voltaria a usar o termo “imparcialidade” em outros diálogos com agentes da Justiça brasileira.

Em causa estavam investigações de “caixa dois”, ou seja, recursos financeiros não contabilizados e não declarados por Fernando Henrique Cardoso aos órgãos de fiscalização competentes do Poder Executivo.

Senado Federal / Flickr

O ex-Presidente da República Fernando Henrique Cardoso

De acordo o Intercept, o empresário brasileiro Emílio Odebrecht relatou, no final de 2016, o pagamento de recursos não contabilizados, no âmbito das campanhas eleitorais de Fernando Henrique Cardoso à Presidência da República, das quais saiu vitorioso em 1994 e 1998. Na época em que foi citado na delação, o último disse que não tinha “nada a temer” e defendeu a operação Lava Jato.

“O Brasil precisa de transparência. A Lava Jato está colaborando no sentido de colocar as cartas na mesa”, afirmou.

O Intercept afirma que Fernando Henrique Cardoso foi citado na Operação Lava Jato pelo menos nove vezes, acrescentando que, caso fossem investigados e comprovados, nem todos os possíveis crimes cometidos pelo ex-mandatário estariam prescritos.

Segundo o portal de investigação jornalística, os procuradores da Lava Jato ponderaram investigar alegadas doações por parte do gigante brasileiro da construção Odebrecht à “Fundação Fernando Henrique Cardoso”, feitas em 2014, que poderiam ser suborno, e que não teriam sido investigadas. Nas conversas divulgadas, os procuradores debateram se haveria indícios suficientes para uma investigação e se seria conveniente.

Após a divulgação desta nova reportagem por parte do portal de investigação jornalística, o Ministério da Justiça brasileiro emitiu um comunicado afirmando que Sérgio Moro “não reconhece a autenticidade das supostas mensagens”.

“Sérgio Moro não reconhece a autenticidade de supostas mensagens obtidas por meios criminosos, que podem ter sido editadas e manipuladas, e que teriam sido transmitidas há dois ou três anos. Nunca houve interferência no suposto caso envolvendo o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que foi remetido diretamente pelo Supremo Tribunal Federal a outro Juízo, tendo este reconhecido a prescrição”, disse a pasta da Justiça, acrescentando que as reportagens do Intercept são “mero sensacionalismo”.

O Intercept é um portal de jornalismo de investigação liderado por Glenn Greenwald, jornalista a quem o ex-analista norte-americano Edward Snowden revelou os programas de espionagem da Agência de Segurança Nacional norte-americana (NSA, na sigla em inglês).

Este portal iniciou no passado dia 09 de junho uma série de reportagens sobre a operação Lava Jato, publicando textos com mensagens e conversas privadas entre promotores e juízes brasileiros na aplicação Telegram, que foram denunciadas de forma anónima.

TP, ZAP //

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