Polícias no terreno estão sujeitos a Síndrome de Burnout

Os polícias portugueses apresentam bom estado psicológico no primeiro ano de serviço, mas à medida que vão para o terreno registam mais problemas psicológicos, que no limite podem levar ao suicídio, alerta uma investigadora da Universidade do Porto.

Estudos sobre o “Burnout e indicadores psicopatológicos em polícias”, que revelam que os jovens agentes da PSP, no seu primeiro ano de serviço efetivo e colocados em Lisboa, apresentam “valores baixos de ‘burnout’”, “bom estado psicológico” e “realização profissional boa”.

Os estudos fom realizados pela investigadora Cristina Queirós, da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade do Porto, em conjunto com psicólogos da Divisão de Psicologia da PSP.

A investigadora alerta, contudo, que a progressão do mal-estar psicológico, cansaço emocional e stresse crónico no trabalho aumentam à medida que os polícias vão sendo colocados no terreno, principalmente no atual momento de crise, em que são confrontados com “mais exigências emocionais” e “cada vez menos recursos”.

Os polícias enfrentam pessoas que também lidam com mais dificuldades e se tornam mais exigentes e, também por isso, vão “piorando do ponto de vista psicológico”, pois diminui a realização profissional e a motivação para as tarefas, aumentando a exaustão emocional, proporcionando o aparecimento do Síndrome do ‘Burnout’.

O Síndrome de ‘Burnout’ é uma reação ao stresse crónico no trabalho e caracteriza-se por três grandes dimensões. A primeira é a exaustão ou cansaço emocional do sujeito que se levanta já cansado para o trabalho, está cada vez mais desmotivado, mais triste e que no limite pode conduzir ao suicídio.

Nos polícias, o suicídio é um “problema dramático, porque eles têm uma arma”.

“Num momento de desespero, um polícia pega na arma e é muito mais eficaz”, alerta a investigadora, reforçando a ideia da importância de “prevenir os sintomas”, porque o polícia em stresse tem um acesso fácil a armas, o que não acontece tão facilmente noutras profissões num momento de desespero no trabalho.

A segunda dimensão é a “despersonalização” ou “frieza”. O sujeito para se defender dos sintomas anteriores começa a tratar os outros mal, de forma indiferente e reagindo de forma agressiva.

Quando a exaustão ultrapassa um determinado limite, a realização profissional diminui e o cinismo aumenta, explica Cristina Queirós, observando que, nesse estado, a pessoa não tem forças para se controlar.

“Não se acorda em burnout, é um processo lento”, conta a investigadora, que considera urgente alertar as pessoas que sofrem de ‘burnout’ a conhecerem as fontes de stresse e a aprenderem a reagir, “não centrando as energias todas no trabalho”.

O ‘burnout’ acontece, por norma, a meio da carreira, entre os dez a 15 anos de atividade e não se nota no fim da carreira, porque quando as pessoas entram em ‘burnout’, muitas mudam de profissão.

É típico em pessoas altruístas que se dedicam muito ao emprego e pode ser afetado por outras características individuais, como por exemplo o estado civil, sendo mais propensos os não casados ou sem relação afetiva estável.

Os sintomas psicológicos do ‘burnout’ podem ser um cansaço extremo, falta de paciência para atender os outros, o que é grave em profissões de ajuda como os bombeiros, polícias ou médicos.

Sintomas depressivos, irritabilidade, auto-agressividade ou hetero-agressividade, sensação de vazio e cansaço físico e emocional extremo são outros sintomas.

Os sintomas físicos são mais difusos, normalmente são doenças físicas, alergias, problemas respiratórios, mais facilidade em ter doenças como constipações ou gripes, problemas gastrointestinais, dores de cabeça, diarreias, aperto no peito ou dores musculares.

/Lusa

 

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2 COMENTÁRIOS

  1. É um drama, mas também um preço de certa forma justo que a classe tem de suportar, já que diariamente lemos nas notícias sobre individuos (não polícias) que são espancados, mutilados e até mortos por actos muitos dos quais desmedidos e insanos – Relembro aqui um caso entre centenas que aconteceu em Portugal, quando em 1996, um homem é morto e decapitado na esquadra de Sacavém as mãos do sargento “Santos”.

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