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Poços de petróleo em Los Angeles associados a asma e outros problemas de saúde

Uma equipa de investigadores descobriu que residentes de Los Angeles que morassem perto de poços de petróleo urbanos tinham uma maior probabilidade de ter asma e outros problemas de saúde.

Quando o governador da Califórnia, Gavin Newsom, anunciou a meta de descontinuar a perfuração de petróleo em todo o estado até 2045, ele concentrou-se no seu impacto nas alterações climáticas. Mas a perfuração de petróleo também é um problema de saúde, especialmente em Los Angeles, onde milhares de poços de petróleo ainda pontilham a cidade.

Estes poços podem emitir produtos químicos tóxicos como benzeno e outros irritantes para o ar, geralmente a poucos metros de casas, escolas e parques.

Uma equipa de investigadores estudou os impactos da perfuração de petróleo nas comunidades vizinhas. O estudo mostrou que as pessoas que vivem perto dessas operações urbanas de petróleo sofrem taxas mais altas de asma do que a média, bem como respiração ofegante, irritação nos olhos e dor de garganta.

Em alguns casos, o impacto nos pulmões dos residentes é pior do que viver ao lado de uma autoestrada ou ser exposto ao fumo passivo todos os dias.

Aproximadamente 75% dos poços de petróleo ou gás ativos em Los Angeles estão localizados a 500 metros de “usos de terra sensíveis”, como casas, escolas, creches, parques ou lares de idosos.

Apesar desta proximidade e de mais de um século de exploração de petróleo em Los Angeles, existem poucos estudos sobre como é que isso afeta a saúde dos residentes. Os investigadores têm trabalhado com agentes comunitários de saúde para avaliar o impacto que os poços de petróleo estão a ter sobre os residentes, especialmente nos bairros historicamente negros e hispânicos.

A primeira etapa foi uma sondagem porta a porta com 813 vizinhos de 203 famílias próximas aos poços no campo petrolífero de Las Cienegas, ao sul e oeste do centro da cidade.

Os autores descobriram que a asma era significativamente mais comum entre as pessoas que moravam perto de poços de petróleo no sul de Los Angeles do que entre os residentes de Los Angeles como um todo.

Quase metade das pessoas com quem os investigadores falaram, 45%, não sabiam que poços de petróleo estavam a operar nas proximidades e 63% não sabiam como entrar em contacto com as autoridades regulatórias locais para denunciar odores ou riscos ambientais.

De seguida, mediram a função pulmonar de 747 residentes de longa duração, com idades entre 10 e 85 anos, que vivem perto de dois locais de perfuração. Capacidade pulmonar insuficiente e força pulmonar são preditores de problemas de saúde, incluindo doenças respiratórias, morte por problemas cardiovasculares e morte precoce em geral.

Os investigadores descobriram que quanto mais perto alguém morava do local de um poço ativo ou recentemente inativo, pior era a função pulmonar dessa pessoa, mesmo após o ajuste para outros fatores de risco como tabagismo, asma e morar perto de uma autoestrada.

Este estudo demonstra uma relação significativa entre viver perto de poços de petróleo e pior saúde pulmonar.

Muitas das dezenas de poços de petróleo ativos no sul de Los Angeles estão em comunidades historicamente negras e hispânicas que foram marginalizadas durante décadas. Estes bairros já são considerados entre os mais poluídos, com os moradores mais vulneráveis do estado.

Mas embora o governador tenha declarado que “a Califórnia precisa de ir além do petróleo”, o seu cronograma atual permite que os poços de petróleo continuassem a operar nas próximas duas décadas. Uma variedade de políticas precisa de ser considerada para proteger a saúde pública e acelerar a transição para fontes de energia mais limpas.

  ZAP // The Conversation

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