PJ está a analisar entrevista de Rendeiro à procura de pistas (e já há um indício)

Mário Cruz / Lusa

João Rendeiro (ao centro) durante o julgamento do caso BPP

João Rendeiro decidiu dar uma entrevista à CNN e ao “Tal & Qual” e a Polícia Judiciária está a passar o vídeo a pente fino.

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Na segunda-feira, ex-presidente do Banco Privado Português (BPP) concedeu uma entrevista à CNN, canal que se estreou nesse mesmo dia e que substitui a TVI24.

João Rendeiro garantiu que só volta a Portugal se for ilibado ou se tiver um indulto presidencial, mesmo admitindo que tal coisa “é quase impossível”. Além das suas declarações, o vídeo pode ser uma preciosa ajuda para a Polícia Judiciária (PJ).

“As imagens indiciam que a entrevista terá sido feita numa sala de um condomínio privado“, explicou fonte judicial que não quer ser identificada ao semanário Expresso. A imagem será comparada com salas de outros espaços para se tentar perceber se está numa “sala-tipo” que permita identificar o local onde o banqueiro se refugiou.

“Uma análise mais aprofundada das imagens pode dar mais pistas, como uma marca do fabricante dos cortinados ou o local onde a entrevista decorreu em alguma peça de mobiliário e que não seja facilmente percetível”, acrescentou ainda.

O vídeo da entrevista, que tem cerca de 30 minutos, está a ser analisado por uma equipa de especialistas do Laboratório de Polícia Científica.

Na entrevista, Rendeiro confessa a dada altura que tem “falado português” no local onde está, deixando no ar que poderá estar num país em que a língua de Camões é o idioma oficial. Esta pista não está, no entanto, a ser levada muito a sério pelos investigadores.

Detalhes como a roupa que o “alvo” usa (uma camisa e blazer de tecido leve) são analisados para perceber o clima do loca, revelou ainda a fonte.

Rendeiro está em fuga desde 28 de setembro, data em que foi notificado para voltar a Portugal para ser ouvido pela juíza Tânia Loureiro Gomes, que o tinha autorizado a deslocar-se ao estrangeiro em trabalho.

O ex-banqueiro foi condenado, no final de setembro, a três anos e seis meses de prisão efetiva num processo por burla qualificada. Desde então, está fugido da justiça, tendo-se já falado que estaria no Belize. A mulher disse também que Rendeiro está na África do Sul, mas não há confirmação do paradeiro.

O colapso do BPP, banco vocacionado para a gestão de fortunas, aconteceu em 2010, já depois do caso BPN e antecedendo outros escândalos na banca portuguesa.

O BPP originou vários processos judiciais, envolvendo burla qualificada, falsificação de documentos e falsidade informática, bem como processos relacionados com multas aplicadas pelas autoridades de supervisão bancária.

  ZAP //

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