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Pivô transgénero faz história no Bangladesh

Tashnuva Anan / Facebook

A pivô Tashnuva Anan Shishir

Pela primeira vez na história do Bangladesh, uma estação de televisão contratou uma pessoa transgénero para ser pivô. A empresa espera que esta decisão ajude a mudar mentalidades no país.

De acordo com a agência Associated Press, Tashnuva Anan Shishir estreou-se como pivô da Boishakhi TV, esta segunda-feira, precisamente no dia em que se celebrou o Dia Internacional da Mulher.

“Estava muito nervosa, a sentir-me muito emocionada, mas tinha em mente que precisava de superar este desafio, este teste final”, disse Shishir, de 29 anos, que também já trabalhou como atriz.

A também ativista contou que foi no início da adolescência que começou a mostrar sem medos que se sentia uma mulher. Uma fase difícil em que foi muito criticada por familiares e amigos, mas também intimidada e explorada sexualmente, o que a levou mesmo a tentar o suicídio.

“O bullying era tão insuportável que tentei suicidar-me quatro vezes. O meu pai deixou de falar comigo durante anos”, disse Shishir, citada pela emissora de televisão Al Jazeera.

Foi então que decidiu sair de casa e mudar-se para a capital, Daca, onde fez tratamentos hormonais e trabalhou para instituições de caridade e num grupo de teatro. Em janeiro, começou a estudar saúde pública na universidade, uma parte da sua vida que terá agora de conciliar com o trabalho na estação televisiva.

“Isto pode ser algo revolucionário e criar uma nova dimensão de pensamento nas pessoas”, disse ainda Shishir. “O grande problema é que as pessoas não estão sensibilizadas. Espero que isso possa acontecer e peço-lhes que possam cuidar das muitas ‘Tashnuvas’ que estão à sua volta”, acrescentou.

O canal privado de televisão por satélite, que fez história no país com esta contratação, disse que quer estar do lado da mudança e anunciou já ter contratado uma segunda pessoa transgénero para o seu departamento de entretenimento.

“A nossa primeira-ministra tem dado muitos passos para ajudar as pessoas transgénero. Encorajados por estas medidas, decidimos contratar duas pessoas transgénero. Queremos que a atitude da sociedade mude através destas decisões”, disse Tipu Alam Milon, vice-diretor administrativo da estação, citado pela AP.

Desde 2013 que, por decisão do Governo, liderado por Sheikh Hasina, as pessoas trans podem identificar-se como tendo um género diferente. Em 2018, também foram autorizadas a registar-se para votar com esse terceiro género.

De acordo com a agência norte-americana, o país tem oficialmente mais de dez mil pessoas transgénero, mas ativistas da comunidade LGBT dizem que o número deverá ser muito maior.

Esta comunidade enfrenta uma grande discriminação no Bangladesh, tendo muitas dificuldades em encontrar emprego e sendo muitas vezes forçados a viver na rua ou a trabalhar na prostituição.

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  Filipa Mesquita, ZAP //

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