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Durante 300 anos, pintura de Vermeer teve um segredo escondido à vista de todos

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(dr) Gemäldegalerie Alte Meister

“Rapariga a Ler uma Carta à Janela”, de Johannes Vermeer

O quadro do artista holandês Johannes Vermeer, pintado entre 1657 e 1659, teve um elemento escondido durante cerca de 300 anos.

Durante cerca de três séculos, a “Rapariga a Ler uma Carta à Janela”, do pintor holandês Johannes Vermeer, nunca deu nenhuma pista do que aquela mensagem dizia. Mas, segundo conta a CNN, na semana passada, a Pinacoteca dos Mestres Antigos revelou o segredo que estava à vista de todos, mas escondido sob camadas de tinta.

Antes da sua próxima exposição sobre o célebre pintor, este museu em Dresden, na Alemanha, onde a pintura esteve hospedada durante grande parte da sua vida, lançou uma imagem do quadro drasticamente alterada.

Isto porque, depois de um trabalho árduo de quatro anos de restauro, a parede vazia da pintura mostra agora uma grande figura do Cupido, descoberta por raios-X em 1979, mas agora revelada pela primeira vez.

A revelação de Cupido, o deus do amor na mitologia romana, muitas vezes representado como um menino com asas e uma seta, dá à carta novas conotações de afeto, saudade e desejo, explica a cadeia televisiva.

Quando esta figura oculta foi encontrada pela primeira vez, há mais de 40 anos, acreditava-se que o próprio artista holandês a tinha escondido.

“Era de bom senso pensar que Vermeer havia pintado por cima dessa parte da sua composição porque já tinha feito isso várias vezes”, disse Stephan Koja, historiador de arte e diretor do museu alemão, numa entrevista.

Mas quando os conservadores começaram a limpar a pintura, em 2017, encontraram evidências que sugeriram o contrário. O verniz na parede vazia atrás da jovem era de uma cor diferente e a consistência da tinta também, explicou Koja.

Quando os investigadores analisaram amostras em laboratório, encontraram sujidade escondida entre as camadas de tinta, sugerindo que foi outra pessoa a adicionar aquela tinta muito mais tarde.

“Percebemos que a sujidade significava que a pintura estava acabada, tendo ficado exposta à luz e às circunstâncias de uma sala durante várias décadas”, acrescentou o diretor.

A equipa envolvida neste trabalho acredita que a nova pintura ocorreu em algum momento do início do século XVIII. Mas quanto a quem fez isso, e porquê, não é possível dizer. E é provável que este mistério nunca venha a ser resolvido.

A pintura veio de uma coleção francesa no início desse século, quando Vermeer ainda não era muito conhecido (morreu, em 1675, cheio de dívidas). Stephan Koja sugere que a pintura pode ter sido modificada para se parecer mais com a obra de Rembrandt, possivelmente pelas mãos do responsável flamengo da coleção, que também era artista.

Naquela época, alterar a pintura de outra pessoa “era bastante típico”, explicou. “As pinturas foram alteradas de acordo com o gosto. Hoje em dia, seria completamente inconcebível tocar num Vermeer, mas outros, séculos antes de nós, nem hesitaram.”

  ZAP //

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