Pfizer pode ter vacina ainda neste ano. Guterres exige que esteja “disponível e acessível” para todos

A farmacêutica Pfizer está otimista em relação à perspetiva de fornecer uma vacina contra a covid-19 ainda em 2020. O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, exigiu que esteja “disponível” e “acessível” para todos.

Albert Bourla, presidente executivo da Pfizer, disse que a farmacêutica poderá disponibilizar cerca de 40 milhões de doses nos Estados Unidos ainda neste ano, caso os ensaios clínicos continuem a decorrer conforme o esperado e as entidades reguladoras aprovem a vacina.

“Se tudo correr bem, estaremos prontos para distribuir um número inicial de doses”, afirmou Albert Bourla, citado pelo Diário de Notícias.



O CEO da empresa mencionou ainda um contrato do Governo norte-americano com a Pfizer para fornecer 40 milhões de doses até o final deste ano e 100 milhões de doses até março de 2021.

Por outro lado, Bourla disse que a empresa ainda não atingiu os principais parâmetros de referência na avaliação da eficácia da vacina. A Pfizer declarou anteriormente que podia ter os dados sobre o fármaco ainda em outubro.

Assim, a Pfizer espera solicitar uma autorização de emergência para a vacina da covid-19 na terceira semana de novembro. Estou cautelosamente otimista de que a vacina vai funcionar”, disse Bourla.

A empresa reportou também uma queda de 71% nos lucros, para 2,2 mil milhões de dólares. Já as receitas caíram 4%, para 12,1 mil milhões de dólares.

Guterres exige vacina “disponível e acessível”

O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, exigiu esta terça-feira que a futura vacina contra a covid-19 esteja “disponível” e “acessível” para todos.

Em videoconferência com os líderes do Conselho Nórdico – que inclui a Dinamarca, Suécia, Islândia, Noruega e Finlândia -, Guterres defendeu um “multilateralismo novo e eficaz” que serve para enfrentar os desafios globais: do aquecimento global à pandemia atual.

“É imperativo que a vacina contra a covid-19 esteja disponível e acessível para todos. Porque ninguém estará seguro [do vírus] até que estejamos todos seguros”, afirmou Guterres durante a sua intervenção. Essa vacina deve ser considerada um “bem público global”, disse o secretário-geral da ONU sobre o tratamento contra a covid-19, que já infetou mais de 43,5 milhões de pessoas em todo o mundo e provocou mais de 1,1 milhões de mortos.

Guterres recordou que a situação atual “não é apenas uma crise de saúde”, mas também um desastre económico que coloca “em risco todo o desenvolvimento”. A recuperação, acrescentou, não deve “replicar o passado”, mas sim construir “de forma sustentável e inclusiva” e “confrontar as fraquezas” que a pandemia tem mostrado em todo o mundo.

Na sua opinião, não se deve caminhar para um “governo global”, mas para uma “governação global real” com instituições fortes, porque as atuais são “bastante débeis”, com “capacidade para assegura os níveis mínimos para enfrentar os desafios” globais.

O primeiro-ministro sueco, Stefan Lovfen, defendeu também a garantia da distribuição universal da futura vacina contra a covid-19 e comprometeu-se a contribuir para os esforços multilaterais.

Nesta linha, a primeira-ministra da Islândia, Katrín Jakobsdóttir, pediu um “acesso equitativo e distribuição justa”, bem como uma “resposta global” perante a crise sanitária e económica, porque está em causa o destino coletivo da Humanidade.

Em defesa do sistema multilateral, a primeira-ministra finlandesa, Sanna Marin, disse que a ONU é “mais necessária do que nunca” e a homóloga norueguesa, Erna Solberg, apontou que a pandemia mostra a “necessidade” da “colaboração internacional”.

ZAP // Lusa

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