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PEV: pedir desculpa não protege oceanos

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Tiago Petinga/EPA

Activistas manifestam-se durante Conferência dos Oceanos, em Lisboa

Partido Ecologista Os Verdes reagiu às declarações de António Guterres. PAN quer um tratado escrito e critica falta de ambição.

A Conferência dos Oceanos, da Organização das Nações Unidas, começou em Lisboa nesta segunda-feira.

No dia anterior, domingo, António Guterres esteve perante diversos jovens na praia do Carcavelos, em Cascais, e pediu desculpa aos mais novos.

“Eu quero pedir desculpa, em nome da minha geração, à vossa geração, relativamente ao estado do oceano, ao estado da biodiversidade e ao estado das alterações climáticas”, admitiu o secretário-geral das Nações Unidas.

O Partido Ecologista Os Verdes já reagiu a essas palavras. Em comunicado, começam logo por avisar que “pedidos de desculpa não protegem os oceanos”.

Os Verdes querem mais proteção e menos discurso e lembram que Guterres era o primeiro-ministro de Portugal quando decorreu a Expo’98, centrada precisamente nos oceanos.

O partido considera que em Portugal não tem havido uma “verdadeira política de salvaguarda e protecção dos nossos mares”, sublinhando o ordenamento da costa continua, os focos de poluição, a perda de soberania, a sobrepesca e a forte ameaça de concessão privada de talhões oceânicos para exploração.

A poluição e o declínio dos oceanos deve-se também ao “turismo massificado” e ainda à produção e ao consumo assente nos descartáveis.

“É tempo de travar a poluição dos mares. É tempo de acabar com os plásticos descartáveis. Precisamos de ter mais meios de vigilância marítima, apoiar as artes tradicionais de pescas e travar as grandes indústrias de pesca”, apela o partido.

“Há hoje uma nova corrida ao ouro, a mineração dos fundos marinhos, para extração de metais preciosos e terras raras para alimentar as indústrias das novas tecnologias, face aos quais se perspetivam impactos terríveis nos ecossistemas marinhos”, avisa.

“Pouca ambição”, diz o PAN

Inês de Sousa Real participou no primeiro dia da Conferência dos Oceanos. A porta-voz e deputada do Pessoas-Animais-Natureza (PAN) defende a aprovação de um Tratado Internacional para os Oceanos.

Inês comentou que poucos “problemas sérios” foram abordados neste primeiro dia do evento.

“Foi manifestada pouca ambição quanto à proteção da biodiversidade e das áreas marinhas protegidas, sobretudo, porque não se vislumbra até agora um compromisso sério quanto à não mineração em mar profundo, soluções concretas e objetivos partilhados pelos diferentes países que combatam a poluição, promovendo a recolha de lixo marinho ou a salvaguarda de um bem tão precioso como a água potável, cada vez mais escasso”, disse a deputada.

  ZAP //

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