“O medo não é a vacina”. Centenas de pessoas contestam medidas do Governo em Lisboa

Rodrigo Antunes / Lusa

Centenas de pessoas contestaram este sábado as medidas impostas pelo Governo para mitigar os efeitos da pandemia de covid-19, com gritos pela “liberdade” e pela “verdade”, numa manifestação realizada na praça do Rossio, em Lisboa.

A mobilização nacional, que reuniu diversos grupos, teve como objetivo marcar uma posição contra várias medidas restritivas que consideram inconstitucionais, incluindo o uso de máscaras obrigatório na rua.

“Não é uma questão de ser contra a utilização das máscaras, é ser contra as medidas que, na maior parte dos casos, são completamente descabidas, porque não têm eficácia”, afirmou Gonçalo Martins, um dos responsáveis pela organização da manifestação.

Sem máscaras e sem distanciamento social, os manifestantes empunharam vários cartazes, que diziam, entre outros, “Abaixo a ditadura”, “Máscaras geram desconfiança”, “Promovam saúde em vez de medo” ou “O medo não é a vacina”, enquanto se realizavam discursos num palco montado para o efeito.

“As máscaras que são utilizadas não têm eficácia em relação à contenção do vírus. O vírus fica em alguma parte retido na máscara, mas a máscara tem uma abertura de lado. Os óculos ficam embaciados, significa que o vapor de água está a sair-me por cima da máscara. Quando vem o vapor de água, também virá o vírus”, disse o engenheiro do ambiente e técnico de higiene e segurança no trabalho, de 44 anos.

Alegando que o combate à pandemia está a ser tratado “de uma forma tecnicamente pouco coerente e, se calhar, com pouca identificação das realidades que cada um está a proteger com a utilização da máscara”, Gonçalo Martins lamentou também a falta de leitura de linguagem corporal na comunicação interpessoal, por não conseguir ver as bocas.

Questionado sobre a possibilidade de ocorrer um surto de covid-19 entre os integrantes da manifestação, o manifestante negou o risco da transmissão.

“Tendo em conta os dados que foram analisados e estão disponíveis, só uma pequena percentagem poderá, eventualmente, precisar de tratamento hospitalar e ainda uma mais pequena de tratamento em unidades de cuidados intensivos. A probabilidade que existe de alguém aqui contrair a doença é muito baixa”, expressou.

No manifesto divulgado, o grupo “Verdade Inconveniente” pede, além do “uso facultativo de máscaras”, a revisão das “orientações para o ano escolar” e do “excesso de protecionismo nos lares e centros de acolhimento”, bem como a “regularização dos serviços no SNS” e a “revogação do estado de calamidade”, entre outras medidas.

O Parlamento aprovou na sexta-feira, em votação final global, um projeto-lei do PSD que impõe o uso obrigatório de máscara em espaços públicos.

O diploma do PSD, que teve como inspiração uma proposta de lei do Governo, entretanto “desagendada”, foi votado na generalidade, especialidade e final global e, na última votação, teve votos contra da IL, abstenções de BE, PCP, Verdes e da deputada Joacine Katar Moreira, contando com voto favorável das restantes bancadas. O deputado único do Chega esteve ausente da votação.

A pandemia de covid-19 já provocou mais de 1,1 milhões de mortos e mais de 42,2 milhões de casos de infeção em todo o mundo, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP. Em Portugal, morreram 2.297 pessoas dos 116.109 casos de infeção confirmados, de acordo com o boletim mais recente da Direção-Geral da Saúde.

A doença é transmitida por um novo coronavírus detetado no final de dezembro de 2019, em Wuhan, uma cidade do centro da China. Depois de a Europa ter sucedido à China como centro da pandemia em fevereiro, o continente americano é agora o que tem mais casos confirmados e mais mortes.

// Lusa

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6 COMENTÁRIOS

  1. Não é o medo, nem o uso da máscara. Estes valentões têm o direito de decidir sobre a própria sorte. Isolem-se numa ilha, levem dois ou três infectados (para a coisa ficar mais emocionante), e vivam lá durante seis meses. Quem voltar tem toda a minha simpatia.

  2. Voltam todos, caro capeta. Ainda não percebeu que os “infetados” que não tem doença crónica grave ou não estão em fim de vida, são todos assintomáticos?

  3. Eles podiam manifestar-se, não usar máscara, não praticar distanciamento social mas, antes de tudo isso, tinham que assinar um documento em que declarassem prescindir dos serviços de saúde pública para eles e para os familiares que com eles habitam. Com todas as certezas e conhecimentos que tem, este sr. Gonçalo era óptimo para presidir à OMS (Organização Mundial de Saúde)!

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