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“Peso 40 quilos, perdi 10 e ganhei 3, não passei para 43”. A lição de economia de Manuela Ferreira Leite

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PSD / Flickr

Manuela Ferreira Leite

A ex-ministra das Finanças Manuela Ferreira Leite diz que as previsões económicas optimistas de Bruxelas quanto a Portugal são “perigosas” e parecem indicar que houve “um milagre”. A economista desmonta-as com uma metáfora que recorre à perda de peso.

“Peso 40 quilos, fiquei doente e perdi 10, depois ganhei três. Não melhorei o meu peso em três quilos, não passei de 40 para 43. Isso é que era ganhar peso. Portanto, estou em recuperação, não estou em enriquecimento”. É deste modo que Manuela Ferreira Leite contesta, em declarações na CNN Portugal, o optimismo das perspectivas de crescimento da economia nacional para 2022 que foram avançadas por Bruxelas.

Para a ex-ministra das Finanças do Governo do PSD, estas previsões positivistas são “perigosas”. “É extraordinário que de repente tenha havido um milagre em Portugal“, nota a economista.

As declarações surgem no âmbito de um frente a frente com o ex-ministro da Economia do PS Pedro Siza Vieira na antena da CNN Portugal.

Siza Vieira congratula-se com as previsões que colocam Portugal como o país que mais vai crescer na União Europeia durante os próximos dois anos. “Espero sinceramente que o senhor doutor tenha razão”, atira Manuela Ferreira Leite em tom de quem não acredita nisso.

A ex-ministra diz que “realisticamente”, não consegue “ver por onde se perspectiva este crescimento”, “mesmo com a questão dos fundos do PRR [Plano de Recuperação e Resiliência]”.

Siza Vieira pega na analogia do peso de Manuela Ferreira Leite para apresentar a sua perspectiva optimisma. “O problema é saber se vamos chegar aos 40 quilos, e chegaremos agora, mas também continuar a aumentar de peso. E estamos a aumentar de peso mais do que outros países, é o que dizem as instituições internacionais”, atesta o ex-ministro socialista.

“É a primeira vez que tal acontece em não sei quantos anos”, riposta a ex-ministra do PSD, mantendo o tom de descrédito.

Siza Vieira tira, então, da cartola os números do emprego e das exportações que estão “nos níveis mais elevados de sempre”. “Estamos com a maior população empregada que alguma vez tivemos na nossa história”, vinca.

Mas “esse tipo de crescimento do emprego não se traduz num enriquecimento do país porque nós todos sabemos que esse aumento é, em grande maioria, desqualificado”, repara, por seu turno, Manuela Ferreira Leite. Além de que uma parte desse emprego se deve a “regularização de trabalho precário e, portanto, não foi criação de novo emprego”, acrescenta.

De qualquer modo, Siza Vieira mantém o seu optimismo, notando até que as instituições internacionais, “normalmente”, se “enganam por defeito” relativamente a Portugal. “Quando agora dizem que vamos crescer mais do que o resto da Europa, eu acho que isso é positivo”, repara.

Manuela Ferreira Leite concorda, mas desde que “não venha a criar a sensação de que isso vai acontecer e depois não tenhamos as consequências relacionadas com isso”, conclui.

  ZAP //

11 Comments

  1. Esta múmia ainda fala?? E pagam-lhe para dizer o óbvio?
    Coitada, já de deve ter esquecido das figuras que fez quando esteve no governo…

      • Plenamente de acordo!
        Havia outro igualmente incómodo (Henrique Medina Carreira). Infelizmente já cá não está para ver o próximo estouro.
        Eu detesto esta Senhora, devo dizê-lo. Mas contra factos…

  2. Pois esquecem-se sempre Só na oposição é que são boas Quando esteve no Governo fez as asneiras que fez, mas acha que isso é que foi bom para Portugal e para os Portuguese

    • Tem toda a razão.
      Enquanto Ministra da Educação acabou com a PGA. Um erro. Por isso hoje, chegam ao Superior hordas de ignorantes convencidos de que são o máximo.
      Enquanto Ministra das Finanças vendeu algo que jamais deveria ter saído do controlo do Estado: a rede fixa de telecomunicações.
      Portanto, reitero o que acima escrevi. Não gosto da Senhora. Não é uma figura que me suscite qualquer simpatia. Mas tem o dom de dizer o que pensa e de não ter problemas de ser desmancha-prazeres.
      Antes o “bacalhau seco” que o Teixeira dos Santos ou o Medina.

  3. O problema é julgarmos que o que é bom para os portugueses é distribuir benesses imediatas. Sempre que alguem, seja ele quem for faz reformas para trazer Benefícios futuros para Portugal e para os os nossos filhos, apelidam-no logo de múmias e outros adjetivos.
    Vamos ver o que vai acontecer quando os juros da nossa imensa dívida subirem e a parte do orçamento destinado ao pagamento dos mesmos aumentar se os que estão lá agora também não vão ser insultados. Felizmente que os que lá estão agora percebem e querem diminuir rápidamente o valor da dívida, mas então as benesses vão diminuir ou os impostos terão que aumentar.

  4. Esta mulher não diz nada que se aproveite, foi muito provávelmente a mais desestabilizadora das finanças enquanto ministra, e depois disso, dá-se de ares doutorais, e fala como se de um exímio economista se tratasse e um financeiro por excelência, como parecendo ter sempre uma solução para cada problema, acabando por confundir os menos atentos. Reforme-se minha senhora, reforme-se desses tachos.
    Não entendo porque lhe pagam para mandar as baboseiras que debita.

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