Peritos alertam DGS sobre alto risco de infeções no outono. Governo já prepara plano de ataque

Mário Cruz / Lusa

Os peritos que trabalham diretamente com a Direção-Geral da Saúde (DGS) sobre a evolução da pandemia em Portugal alertam o órgão liderado por Graças Freitas que o deverá começar a subir significativamente no outono.

A notícia é avançada este sábado pelo Expresso, que escreve que este aumento dar-se-á cerca de três semanas após o arranque do ano letivo, que começa a 14 de setembro.

“Numa fase inicial, esse aumento poderá ser exponencial, sobretudo nas zonas com maior densidade populacional, nomeadamente Lisboa e Porto”, avisa Manuel Carmo Gomes, professor de epidemiologia na Universidade de Lisboa e um dos principais colaboradores da equipa de peritos da DGS e do Instituto Ricardo Jorge.

“O perigo vai começar em outubro e até fevereiro vamos estar sempre debaixo de grande risco, porque as pessoas passam mais tempo em ambientes fechados, tentam manter as suas atividades profissionais, os transportes estarão a funcionar e as aulas a decorrer”.

Além do ano letivo, os especialistas têm outra grande preocupação: no outono, teremos a pandemia de covid-19 a coexistir com o vírus da gripe.

Teme-se que estes dois vírus, cujos sintomas são extremamente parecidos, possam exercer demasiada pressão sobre o Serviço Nacional de Saúde (SNS).

Tendo em conta estas preocupações, o Governo de António Costa já começou a preparar o “plano de ataque” para o outono/inverno, conta ainda o semanário Expresso, dando conta que estas diretivas estão a ser construídas depois de o Ministério da Saúde ter reunido com todos os e Administrações Regionais de Saúde.

Ao jornal, o gabinete de Marta Temido já relevou algumas das iniciativas que levará a cabo para tentar travar um eventual pico no outono.

A vacinação da gripe sazonal vai ser antecipada logo para o início de outubro, com prioridade para os profissionais de saúde e funcionários de lares. Equaciona-se alargar o seu âmbito gratuito para grávidas e outros grupos de risco ainda não divulgados.

Além disso, e tendo em conta que a gripe e a covid-19 têm os mesmos sintomas e podem levar a um grande afluxo aos hospitais e, consequentemente, aos testes de despiste do novo coronavírus, o Governo pretende expandir a “rede de laboratórios para diagnóstico do SARS-CoV-2”, cujo investimento rondará os 8,4 milhões de euros, segundo o Ministério.

Pretende-se também assegurar disponibilidade de kits e outros componentes necessários para levar os testes a cabo. “Neste momento, está a ser definida a segunda fase da reserva centralizada de medicamentos, equipamentos de proteção individual e reagentes e já foram abertos vários concursos”, disse ao Expresso o gabinete de Temido.

O Ministério quer ainda aumentar o número de camas disponíveis nos hospitais, através de obras de ampliação, e apostar em teleconsultas para doentes não-covid.

O maior desafio, escreve ainda o Expresso, passa pela contratação de médicos e enfermeiros, escassos no mercado de trabalho. Ainda assim, o ministério diz que “está munido dos instrumentos legais que lhe permitirão, em matéria de recursos humanos, fazer face a um aumento da procura de cuidados de saúde”.

“Vem aí o inverno e precisamos de estar preparados. Estamos todos cansados, ninguém gosta de usar máscara e é inevitável que haja um relaxamento natural e progressivo. O nosso sistema imunitário estará mais enfraquecido, e rapidamente pode tudo complicar-se”, avança ainda ao jornal João Paulo Gomes, investigador responsável pela área de genómica e bioinformática do Instituto Ricardo Jorge.

A pandemia de covid-19 já provocou 555 mil mortos e infetou mais de 12,2 milhões de pessoas no mundo. Portugal contabiliza pelo menos 1.646 mortos em 45.679 casos confirmados de infeção, segundo o boletim da DGS relativo a esta sexta-feira.

ZAP //

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10 COMENTÁRIOS

  1. Um dois em um.
    Felizmente, já anteciparam a produção de vacinas para a “nova estirpe” da gripe, que vai surgir no outono e podem começas a produzir e distribuir as vacinas mais cedo.
    Nada como antecipar uma crise e começar já a vender os testezinhos a 150€ cada, quem sabe até conseguem aumentar o numero de testes diários, 14000 começam a ser poucos. Manter a venda de mascaras a bom ritmo e juntar-lhe um ou dois medicamentos para a constipação, pelo sim , pelo não.
    Os laboratórios médicos vão ter um 2020 em grande.

  2. A DGS tem os números.
    Doentes internados a necessitar de ventilador por covid ZERO.
    Doentes mortos com inflamação pulmonar grave provocada pelo covid ZERO.
    “infetados” acamados ou a precisar de tratamento, poucos ou nenhuns.
    Mortos? Já tinham antecedentes de cancro, doença pulmonar, renal, infecções intestinais, etc, etc, etc.
    Para quê manter o discurso, quando já se percebeu que causa graves danos à economia, ao país e nem sequer serve para proteger aqueles que se pretendia proteger, os idosos, que estão a morrer em casa com receio de irem aos hospitais e centros de saúde e serem infectados com um vírus que não existe em Portugal, pelo menos desde Abril?
    Que os “nossos heróis” ganham a vender medicamentos, testes e produtos das farmacêuticas, já todos sabemos. Mas a DGS, o nosso governo? Para quê? Para quê manter o discurso que só traz prejuízo para a economia, emprego, empresas, lesa o nome de Portugal no mundo, quando todos os dados que tem, permitem perceber que Covid 19 em Portugal, teve meia dúzia de casos, não chegou a ser um surto, muito menos uma pandemia?

  3. Como é que o governo prepara plano de ataque para o Outono se nem sequer o tem para agora, os números falam por si!

  4. Um vírus que é um Cavalo de Tróia para a implementação de uma agenda totalitária que reforce o sistema de opressão e escassez em que já vivemos. Sejam abundantes e não coniventes com quem quer dominar o vosso corpo.

  5. Infelizmente a Comunicação Social, as Televisões na vezes de se preocuparem em comprar Programas para os Telespectadores que pagam centenas ou milhares de Euros Anuais, tentam os Enganar com meia dúzia de inúteis que não sabem nada mas servem para lançar a confusão, o Descrédito, a Desconfiança nas Pessoas que lhes pagam para ter Programas decentes e novos, pelo contrário, todas as Operadoras dão-lhes Repetições já passadas dezenas de vezes e mesmo assim com chamadas Telefónicas pagas para sorteios sorteios. E Subsídios do Estado, dos nossos impostos, Nem se compreende como a sacar desta forma as Empresas estão falidas, como dizia o outro, o Povo é Sereno, come tudo que lhe põem no Prato, com os Deputados, já se sabe, não podemos contar, precisam deles, como diz alguém, isto anda tudo ligado.

    • Estas chamadas deveriam ser proibidas. São milhões que sacam ao povo ignorante. Este tipo de lotaria deveria pertencer à Santa Casa e não às televisões. Quando é que o governo resolve este problema?

  6. Mais um arrotar de postas de pescada pelos especialistas da especialidade especial…
    Já chega de aterrorizar o povo com previsões negras, o povo já está alarmado o suficiente com tantas mentiras e histórias mal contadas.
    Falem com o povo e expliquem o que é esta doença e como a tratar, eduquem o povo para a protecção sem exageros estúpidos.

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