Pedrógão Grande. Testemunha afirma que Câmara a aconselhou a mudar a morada fiscal

Paulo Nobre / Lusa

A proprietária de uma segunda habitação reconstruída após o incêndio de 2017, em Pedrógão Grande, disse esta quinta-feira que alterou a sua morada fiscal a conselho de um “senhor Bruno”, da Câmara Municipal.

O julgamento das alegadas irregularidades no processo de reconstrução das casas que arderam no incêndio de junho de 2017 no concelho de Pedrógão Grande, distrito de Leiria, e que alastrou a municípios vizinhos tem 28 arguidos.

O presidente da Câmara de Pedrógão Grande, Valdemar Alves, e o ex-vereador deste município Bruno Gomes estão entre eles. Estão pronunciados por 20 crimes de prevaricação de titular de cargo político, 20 crimes de falsificação de documento e 20 crimes de burla qualificada, os mesmos do despacho de acusação.

O incêndio provocou 66 mortos e 253 feridos, tendo destruído cerca de 500 casas, 261 das quais habitações permanentes, e 50 empresas.

Hermínia Nicolau, residente em Matosinhos há cerca de 50 anos, revelou que o telhado da casa que herdou dos pais, em Vila Facaia, ficou danificado no incêndio de 2017.

“Quando soube o que aconteceu, contactei o construtor para tratar disso às minhas custas, mas depois as pessoas disseram que a Câmara ia ajudar na reconstrução. Fui à Câmara e pedi para falar com o presidente da Câmara. Foi o senhor Valdemar que me disse para me dirigir a outro gabinete em frente”, adiantou.

A testemunha referiu que a pessoa com quem falou – “mais tarde soube que era o senhor Bruno” – lhe disse que “primeiro iam reconstruir as primeiras habitações”.

“A minha era secundária e eu disse que não podia ficar com o telhado assim. Referi que vivia ali. Sugeriu que alterasse a morada fiscal, caso contrário, não teria hipóteses. Primeiro, eu disse que não ia mudar a residência fiscal para Vila Facaia, mas depois decidi alterar”, admitiu ao coletivo de juízes.

“Percebi que se não mudasse a morada fiscal, não teria apoios e se os outros teriam”, confessou.

Hermínia Nicolau afirmou ainda que, antes de ir à autarquia, uma solicitadora amiga já lhe tinha recomendado que a solução para ter apoios seria mudar a morada fiscal.

Sem confirmar o apelido do “senhor Bruno”, Hermínia Nicolau disse que soube quem era “depois de o ver na televisão“.

A juiz presidente pediu aos arguidos homens presentes no julgamento para retirarem a máscara, mas a testemunha não reconheceu Bruno Gomes, ex-vereador.

“Não me recordo do apelido, talvez seja Bruno Alves”, disse.

Confrontada por um dos advogados de defesa sobre a possibilidade de ter falado com Telmo Alves, filho e adjunto do presidente da Câmara, a testemunha não soube responder.

Após a insistência de outro advogado, disse que era o ‘vice’, que se chamava Bruno e que não conhecia nenhum Telmo.

Hermínia Nicolau referiu também que costumava passar lá fins de semana e férias, umas “duas ou três vezes por ano”. “A casa dos pais foi reconstruída, com recurso aos apoios, puseram apenas o telhado, porque não houve mais danos nenhuns”, confirmou.

Deolinda David, filha de uma das arguidas, afirmou que “sempre se disse que era para construir tudo”.

“Começou logo por haver apoios de ajuda, alimentação… e ouvíamos dizer que era tudo para construir: casas, barracões e locais de animais”, disse esta testemunha.

// Lusa

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