Alguém ouviu a frase mais bizarra da noite das europeias?

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José Sena Goulão / EPA

Carlos César, Pedro Nuno Santos e Marta Temido na noite das eleições europeias 2024

“Sem o Chega, a esquerda é maioritária”. Uma frase que deixou algumas socialistas algo confusas. Que contas são estas?

Pedro Nuno Santos estava emocionado quando falou pela primeira vez em público, na noite da vitória do PS nas eleições europeias.

“O PS venceu estas eleições e é hoje a primeira força política em Portugal”.

Foi esta a primeira frase de um secretário-geral que, na sua primeira reacção, salientou que os socialistas derrotaram uma coligação de três partidos que governa Portugal.

Destacou a recuperação da liderança em Faro, Guarda e Porto, antes de protagonizar o momento mais estranho do discurso.

“Sem o Chega, a esquerda foi nestas eleições maioritária” – e destacou a palavra “maioritária”.

Nas imagens transmitidas em directo pelas televisões, foi possível ver algumas reacções um pouco hesitantes ou confusas por parte de algumas socialistas que estavam na sala; entre elas a de Marina Gonçalves, ex-ministra da Habitação.

Foi de facto uma conclusão algo esquisita. Até “bizarra”, como descreveu Ana Sá Lopes no Público.

Olhando para números, Pedro Nuno tem razão: PS, BE e CDU terão no total 10 eurodeputados; AD e IL ficam com 9 eurodeputados. Com o Chega, a direita passa a ganhar 11-10.

Mas, primeiro: porquê esta repetição do “sem o Chega”? Pedro Nuno Santos já tinha dito o mesmo nas legislativas, ainda sobre sondagens. Mas porquê querer criar vitória da esquerda como se o Chega não existisse?

Segundo, e o ponto mais importante: que diferença é que isso faz no Parlamento Europeu? Entende-se que o líder socialista tenha tentado criar uma leitura nacional, dizendo que a esquerda ganha (outra vez sem o Chega) entre os eleitores portugueses – mas na Europa há grupos europeus; não há PS contra Chega, nem esquerda contra direita portuguesas.

“Olha que esta! Por amor de Deus. Esse discurso é bizarro”, reagiu a comentadora política Ana Sá Lopes. “Não precisava de inventar… Não faz sentido”, acrescentou Helena Pereira.

Nuno Teixeira da Silva, ZAP //

5 Comments

  1. Há quem não queira entender o simples: sem o partido que mais mente (quem tem algum plano para acabar com a corrupção? R.: NINGUÉM — mas só ventura tem lata para prometer isso aos portugueses), a esquerda tem 44.2% dos votos e direita tem 41.2% (excluindo os micro partidos).

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  2. Sem o PS e PSD o Chega era vencedor, Sem o tonto do PNS o PS estava no poder, se a minha avó tivesse rodas era um camião etc…estas são as teorias aristotélicas dos nossos políticos, o que demonstra a qualidade dos mesmos.

  3. Estes tipos de comentários são irrelevantes e notam um receio dos ‘comunas.’

    Sigam o que vai acontecei na Europa. Simples.

    Quando os Portugueses acordarem para o que acontece e ainda vai acontecer em Portugal depois não se queixem.

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