Passos voltou, foi recebido em festa e acusou o Governo de ilusionismo

Tiago Petinga / Lusa

O antigo primeiro-ministro Pedro Passos Coelho juntou-se esta segunda-feira à campanha do número um do PSD para as europeias, Paulo Rangel. Recebido em festa em Cascais, o antigo líder social democrata apontou baterias ao Governo socialista de António Costa, acusando-o de ilusionismo.

Tal como tinha já sido anunciado, os partidos vão esta semana – que é a última de campanha antes das eleições europeias – recorrer a “pesos-pesados” da política para encerrar a campanha eleitoral. Passos Coelho foi a escolha do PSD. Embalado pela forma calorosa como foi recebido, o antigo governante denunciou os “ilusionistas” do Governo que nem “reagem” quando são comparados comparam à antiga dupla “Gaspar/Passos”.

Tal como observa o jornal Público, Passos Coelho apontou várias críticas ao Governo sem nunca mencionar o nome do atual primeiro-ministro.

Dando como exemplo o Serviço Nacional de Saúde – onde disse que se investe menos hoje do quando foi primeiro-ministro no tempo da troika -, Passos Coelho deixou a pergunta: “Onde é que está o truque e onde está o ilusionista?”, e deu a resposta.

“Eu digo onde está: foi naqueles que disseram que acaba a austeridade, mas têm mais cativações do que qualquer outro Governo, muito mais quebra de investimento do que qualquer outro governo e, ao mesmo tempo, trouxeram a mais alta carga fiscal que Portugal conheceu em democracia. Agora já não falam do enorme aumento de impostos do ministro [Vítor] Gaspar, quando são eles os campeões da carga fiscal em Portugal”, acusou, na passagem mais aplaudida do seu discurso.

No entender de Passos Coelho, “não há nenhum ilusionista que para fazer a sua magia não crie ao lado um truque para desviar atenção”. “Foi isso que fez com que governos nacionais durante anos não assumissem as suas responsabilidades e atribuíssem culpas à UE”.

Como exemplo, o ex-primeiro ministro apontou posições do atual ministro das Infraestruturas Pedro Nuno Santos “que ameaçava banqueiros alemães” e hoje “se orgulha da enorme responsabilidade orçamental” do atual executivo.

“E orgulham-se se tanto dessa responsabilidade orçamental que nem reagiram quando alguns jornais disseram, a propósito da política doméstica, que o primeiro-ministro Costa e o ministro das Finanças Centeno andavam a fazer de conta que eram Gaspar e Passos. Nem reagiram, deviam ter-se sentido insultados”, ironizou.

“Os mesmos que faziam funerais aos Estaleiros Navais de Viana do Castelo, são os mesmos que vão lá dizer agora que são uma coisa fantástica”, acrescentou ainda.

Passos Coelho foi recebido no almoço de campanha em Cascais, numa sala para cerca de 450 pessoas, com a sala de pé. No final do discurso, o ex-líder do PSD foi saudado com o grito “Passos amigo, Cascais está contigo”.

Na mesa de honra, além de Passos e do candidato, sentaram-se, entre outros, o presidente da Câmara de Cascais, Carlos Carreiras, o secretário-geral do PSD, José Silvano, e o candidato a eurodeputado em sétimo lugar, Carlos Coelho, que hoje fazia anos.

Rasgados elogios a Rangel

Mas nem só de governação se fez a intervenção de Passos Coelho. O ex-presidente do PSD aconselhou Paulo Rangel, a quem deixou rasgados elogios, a encarar os ataques dos adversários como “medalhas”. Para Passos Coelho, se os partidos contam muito, a escolha dos protagonistas é também igualmente essencial.

“Se os últimos dias têm trazido – e eu parece-me que tenho estado suficientemente atento para o detetar – um ataque mais violento dos nossos adversários à sua campanha, cabe dizer que, quando é assim, essas críticas assentam-lhe como medalhas. Alguma coisa está a fazer bem na sua campanha e na sua afirmação política para os adversários reforçarem tanto o ataque pessoal e político ao nosso cabeça de lista”, afirmou.

O antigo primeiro-ministro apontou o cabeça de lista do PSD às europeias como “um candidato de confiança, um homem de palavra, que tem tido sobre a Europa a visão do PSD e a que interessa em Portugal”. “É tempo para lembrar que os partidos na sua história e na sua tradição contam muito, mas as pessoas que escolhemos também são muito importantes, são elas que fazem a ligação entre o nosso ADN, o nosso passado e nosso compromisso para o futuro”, defendeu.

Passos Coelho disse que recebeu “com enorme contentamento” a notícia de que Paulo Rangel seria pela terceira vez a escolha do PSD para liderar a lista ao Parlamento Europeu.

“A primeira vez que foi cabeça de lista, o nosso resultado eleitoral foi francamente positivo (…) Não tenho dúvida que uma parte do resultado que alcançámos se deveu à sua dinâmica, à sua capacidade de afirmação política, ao seu espírito lutador”, afirmou, referindo-se à vitória de 2009, quando Manuela Ferreira Leite era líder do partido.

O antigo primeiro ministro recordou ainda que trabalhou de perto com Rangel nos aos da “troika”. Apesar de nem sempre concordarem, afirmou que o eurodeputado tem “um grande espírito de lealdade ao partido”.

Por sua vez, Rangel aproveitou a participação de Passos Coelho para atacar o Governo, demarcando-se daquela que tem sido a campanha do candidato socialista, Pedro Marques.

De acordo com o eurodeputado, trata-se de um caso em que “o PS não pode dizer o mesmo (…) Nós não precisamos de esconder os nossos antigos líderes e temos muito orgulho neles”, garantiu o cabeça de lista do PSD, que falou depois de Passos Coelho, citado pelo semanário Expresso. “Nós não temos nenhum tabu nem nenhum problema em trazer os nossos antigos líderes à campanha”, insistiu

Depois de Passos Coelho, amanhã será a vez de Manuela Ferreira Leite participar na campanha. Antes do fim da semana Francisco Pinto Balsemão também deve aparecer, assim como Luís Filipe Menezes.

As eleições europeias decorrem de 23 a 26 de maio. Portugal vai às urnas no próximo domingo (26), elegendo 21 deputados ao Parlamento Europeu.

ZAP // Lusa

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