Passos e Costa trocam acusações sobre retrocesso do país

José Sena Goulão / Lusa

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O presidente do PSD e o primeiro-ministro trocaram hoje acusações sobre os resultados da anterior e da atual governação, responsabilizando-se mutuamente pelo retrocesso do país em termos de emprego e crescimento económico.

No debate quinzenal desta sexta-feira no Parlamento, Passos Coelho interrogou o primeiro-ministro sobre os resultados dos primeiros seis meses governação, alegando que “não estão de acordo com a promessa do próprio Governo” e perguntou “por que é que, no meio de tanto enleio, se fala então de sanções contra Portugal”.

António Costa acusou o ex-primeiro-ministro de ter governado com base em teses de “austeridade expansionista” e de “competitividade pelo empobrecimento” que fizeram o país recuar décadas, recomendando-lhe “um pouco mais de humildade a avaliar os seis meses deste Governo”.

Sobre eventuais sanções da União Europeia, o primeiro-ministro responsabilizou o seu antecessor: “Fala-se de sanções porque em 2015 Portugal não cumpriu a redução do défice excessivo”.

António Costa reiterou que, se vierem a ser aplicadas sanções, considera que será injusto “por aquilo que os portugueses tiveram de sofrer com as suas políticas, porque aqueles que tanto elogiaram as suas políticas não podem agora sancionar o país pelos maus resultados das suas políticas” e porque neste ano “pela primeira vez a Comissão Europeia prevê que Portugal ficará sempre abaixo do limite do défice excessivo“.

Depois, alegou que “a segunda razão por que se fala em sanções é porque há uma enorme duplicidade política em muitos partidos europeus”, e questionou a posição do presidente do PSD.

“Eu digo aqui o mesmo que digo em Bruxelas. E eu não digo aqui que não quero sanções e não estou em Bruxelas a aplaudir o líder do Partido Popular Europeu que pede a aplicação de sanções a Portugal”, afirmou António Costa.

Por sua vez, Passos Coelho colocou em causa a coerência do primeiro-ministro em matéria de austeridade, perguntando-lhe qual foi a posição oficial do Governo português em relação ao “duro programa de austeridade que o Governo grego apresentou” no Eurogrupo.

Perante a insistência do presidente do PSD, o primeiro-ministro respondeu: “O senhor deputado pergunta a resposta que conhece. É evidente que o programa foi aprovado por todos os países, a começar pela Grécia”.

“E não seríamos nós a fazer dificultar o que vossa excelência fez no passado, que é dificultar a vida à Grécia. Pelo contrário, estivemos ao lado da Grécia“, completou António Costa.

O presidente do PSD observou: “Quando o Governo socialista aprova programas de austeridade para a Grécia está a ajudar a Grécia, quando o Governo anterior aprovava programas para a Grécia estava a prejudicar a Grécia. Já percebemos o que significa duplicidade de discursos”.

/Lusa

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