Papa chama genocídio a massacre de arménios há 100 anos. Turquia em choque.

Henry Morgenthau / Wikimedia

Cadáveres de arménios massacrados em Erzurum em 1895

Cadáveres de arménios massacrados em Erzurum em 1895

O papa Francisco utilizou este domingo a palavra “genocídio” para falar do massacre dos arménios há 100 anos, uma referência que pode perturbar as suas relações diplomáticas com a Turquia.

“No século passado, a nossa família humana passou por três tragédias sem precedentes. A primeira, que foi largamente considerada como ‘o primeiro genocídio do século XX‘, atingiu o povo arménio”, declarou Francisco numa missa na basílica de São Pedro, em Roma, durante a qual citou um documento assinado em 2000 pelo papa João Paulo II e pelo patriarca arménio.

“As duas outras tragédias humanas foram praticadas pelo nazismo e pelo estalinismo. E mais recentemente outros extermínios de massa, como no Camboja, Ruanda, Burundi ou Bósnia”, acrescentou, citado pelas agências internacionais de notícias.

As declarações do papa foram feitas na abertura de uma missa em memória dos arménios massacrados entre 1915 e 1917, concelebrada com o patriarca arménio e na presença do presidente da Arménia, Serzh Sargsyan.

Amēnun taretsʻuytsʻě : zbōsali u pitani / Wikimedia

Legenda original (1921): "A foto acima mostra oito professores arménios massacrados pelos turcos"

Legenda original (1921): “A foto acima mostra oito professores arménios massacrados pelos turcos”

Segundo a agência France Presse, mesmo que o papa João Paulo II tenha usado o termo “genocídio” no documento assinado em 2000 com o patriarca arménio, trata-se da primeira vez que um papa o utiliza publicamente ao falar do massacre dos arménios no início do século passado.

A Arménia estima que 1,5 milhões de arménios tenham sido mortos entre 1915 e 1917, no final do império otomano, com vários historiadores e muitos países a terem já reconhecido o genocídio.

Turquia chama embaixador no Vaticano para consultas

A Turquia chamou o seu embaixador no Vaticano para consultas, um novo passo no incidente diplomático suscitado depois de o papa ter usado a palavra “genocídio” para descrever o massacre dos arménios na I Guerra Mundial.

“O nosso embaixador no Vaticano, Mehmet Pacaci, foi chamado à Turquia para consultas”, informou o Ministério dos Negócios Estrangeiros turco num comunicado, horas depois de ter anunciado que chamou o representante do Vaticano em Ancara para explicar as palavras do papa.

Repetindo declarações feitas também hoje pelo chefe da diplomacia turca, Mevlut Cavusoglu, o comunicado refere que as palavras do papa Francisco são “incompatíveis com os factos legais e históricos“.

O texto acusa o papa de ter uma “visão seletiva” da I Guerra Mundial e de “ignorar as atrocidades sofridas pelos povos turco e muçulmano que perderam a vida” para beneficiar cristãos e arménios.

As palavras do papa, prossegue o texto, são “um desvio grave” da mensagem de paz e reconciliação que levou à Turquia na visita que fez ao país em novembro de 2014.

/Lusa

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